O e-commerce brasileiro cresceu em faturamento e volume de pedidos no último ano, mas uma das estratégias mais tradicionais para estimular a compra praticamente não mudou de tamanho. Dados da Nuvemshop mostram que a participação do frete grátis ficou próxima de 32% dos pedidos, mesmo diante de uma expansão de 40% nas vendas das lojas de seu ecossistema.

Na comparação entre os últimos 12 meses encerrados e o período imediatamente anterior, a parcela de pedidos com frete grátis passou de 32,4% para 32,1%. Ao mesmo tempo, o volume de compras avançou quase 30%.
A estabilidade indica que o benefício já ocupa uma posição consolidada na operação do e-commerce. O dado mais relevante, porém, aparece quando essa média nacional é aberta por estado: dependendo da região, a participação do frete grátis pode variar de pouco mais de um quarto dos pedidos para mais de 70%.
Frete grátis pesa de forma diferente pelo país
São Paulo, principal mercado do e-commerce nacional, registra frete grátis em 26,3% dos pedidos. Rio de Janeiro, com 33,3%, e Minas Gerais, com 31,4%, ficam mais próximos da média brasileira.
São mercados com maior densidade logística, nos quais a proximidade de centros de distribuição e a concentração de pedidos ajudam a criar condições diferentes para a entrega.
O cenário muda no Norte e Nordeste. Em Tocantins, 71,7% dos pedidos contam com frete grátis. Rondônia aparece com 66,1%, enquanto Piauí e Maranhão registram 54,2% e 53,7%, respectivamente.
A diferença também chama atenção quando comparada ao valor das compras. Rondônia, por exemplo, tem tíquete médio de R$ 131, menos da metade dos R$ 274 registrados em São Paulo.
Isso coloca pressão adicional sobre a equação logística. Em mercados com pedidos de menor valor e distâncias maiores, o custo da entrega tende a representar uma parcela mais relevante da compra. Nesse contexto, retirar o frete da conta do consumidor pode ter um peso maior para viabilizar a conversão.
Crescimento dos pedidos aumenta pressão sobre logística
O avanço de quase 30% no número de pedidos também significa que o crescimento do e-commerce não acontece apenas no faturamento.
Mais compras exigem maior capacidade para processar pedidos, organizar estoques, contratar transporte e acompanhar entregas. Para pequenas e médias empresas, que representam uma parcela relevante das operações digitais no Brasil, esse aumento pode exigir ajustes na estrutura logística mesmo sem uma expansão equivalente no uso do frete grátis.
A combinação dos dados mostra que o desafio passa menos por simplesmente oferecer ou não o benefício e mais por entender onde ele faz sentido dentro da operação.
Em regiões onde os custos de entrega são menores e os pedidos estão concentrados, o frete grátis pode funcionar como um incentivo comercial pontual. Em estados mais distantes dos principais polos de distribuição, sua presença maior sugere uma função mais ligada ao acesso ao próprio comércio eletrônico.
Estratégia nacional de frete esbarra em realidades locais
A diferença entre os estados reforça uma dificuldade recorrente para quem opera em escala nacional: o custo e a experiência de entrega não são uniformes no Brasil.
Uma política de frete que funciona em São Paulo pode ter impacto completamente diferente em Rondônia ou Tocantins. Isso afeta não apenas o preço apresentado no checkout, mas também decisões sobre estoque, localização de centros de distribuição, transportadoras e subsídios oferecidos pelas próprias lojas.
Os dados da Nuvemshop sugerem, portanto, que a discussão sobre frete grátis começa a migrar de uma lógica puramente promocional para uma questão mais ampla de estratégia logística.
Se, na média nacional, o benefício permanece praticamente no mesmo patamar enquanto o e-commerce cresce, regionalmente ele continua exercendo papéis bastante distintos. Para o varejista, a questão deixa de ser apenas quanto oferecer de frete grátis e passa a incluir onde, para quais pedidos e sob quais condições essa conta consegue se sustentar.
Os dados foram compilados pela Nuvemshop a partir das transações processadas em sua plataforma no Brasil, comparando os últimos 12 meses encerrados com os 12 meses imediatamente anteriores.
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