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  Redação E-Commerce Brasil

Felicidade no negócio: dá lucro e só depende da trilha que você escolher

Sexta-feira, 16 de agosto de 2019   Tempo de leitura: 10 minutos

Para Márcio Fernandes, uma empresa prospera quando, antes de tudo, ela gera felicidade em todas as pontas. Ou seja, com proprietários, funcionários, líderes e clientes felizes, o sucesso tende a ocorrer naturalmente. E a receita para encontrar essa felicidade no negócio ele contou no palco do Fórum E-Commerce Brasil, que você acompanha a partir de agora.

Eliminando círculos viciosos

Segundo Márcio, em todo e qualquer negócio, independente do tamanho, em qualquer lugar do mundo, pessoas se submetem a círculos viciosos. E esse é um dos principais obstáculos para um negócio não prosperar. “A vida nos impõe muitos deles (círculos viciosos). Falar mal do Brasil, das empresas, da carga tributária, do cliente… Muitas vezes falamos mal até de nós mesmos. E fazemos isso muitas vezes fazemos”, afirmou.

Nesse âmbito, portanto, é preciso identificar quais círculos nos limitam a realizar somente o básico, o mínimo, a média — e achar que está tudo bem. Analisado isso, muito provavelmente será possível enxergar algo a se fazer no negócio que até então as “auto-limitações” impediam. “Antes de sair em busca do almejado ‘oceano azul’, você precisa deixar pra trás as coisas que te ancoram. E aí, sim, viver algo útil, que te conecte. Não dá pra encher um copo se já tiver algo dentro dele. É preciso esvaziá-lo previamente”, comparou.

Criando o círculo virtuoso

Para Márcio, pessoas de todos os lugares estão vivendo uma vida de descrédito. Não percebem que sofrem, se martirizam, que têm a autoestima prejudicada. Olham ao redor e só o que vêem é um mundo árido, triste, depressivo. Para abandonar esse quadro, portanto, precisam encontrar propósitos que não apenas conectem os donos e líderes, mas todo o time. “Sua equipe consegue entender que o seu propósito faz sentido à ela? Não adianta definir um propósito super legal, mas impossível de acreditar. É preciso entender quem viverá esse propósito para conseguir entregar sentido nele”, pontuou.

Ao entregar sentido, Márcio garante que não haverá sequer esforço de vendas. “Uma pessoa não deve se esforçar no trabalho. Ela deve ter prazer ao realizar o trabalho. A venda nasce quando o outro lado está do mesmo lado”, afirmou.

Como exemplo desse resultado, ele citou o evento TED Talks: “Fizeram um evento em São Paulo, com 15 mil pessoas em um estádio de futebol. Rolou num domingo e na segunda-feira estava traduzido em diversas línguas. Sabe por que? Porque 1.200 voluntários trabalharam no domingo, de graça. Eles olham para esse formato e pensam: ‘eu viveria isso filantropicamente’. E é exatamente o que o seu produto ou o seu serviço devem gerar em você e nas pessoas”.

Guiando pessoas

O Brasil, segundo Márcio, dispõe de uma sociedade (infelizmente) subdesenvolvida, o que exige guiar as pessoas. Por isso, para ele depende de nós a ensinarmos. Começando pelos seguintes aspectos:

Acreditar em si própria

Se ela não acredita nela, também não acreditará em você, no que você fala, no seu produto. Ela vive a desconfiança — inclusive sobre ela mesma.

Praticar o bem

Independente do que acontecer no seu entorno, como corrupção, jeitinho… Faça o certo. O produto está com defeito? Troque, independente do prejuízo. Com isso, você aprenderá a recusar qualquer produto defeituoso. Desde o início opte pelo caminho certo, e não pelo fácil.

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Aplicando essa rotina no dia a dia, ele garante que o empreendimento irá gerar engajamento natural — que independe de propaganda para provar ser bom. E, consequentemente, as pessoas falarão de você se o seu produto fizer sentido para a sociedade. Com isso será o fim do esforço de vendas. “Você precisa fazer esforço para amar alguém? Se precisa é porque não ama”, provocou.

Marcio disse que nas empresas tradicionais sempre existiu o lance da “efetividade” (resultado, razão, ter, coisas, fazer, acontecer…). Porém, quando o colaborador leva essa emoção para dentro da empresa, o chefe logo dispara: “Pode parar com essa frescura. Aqui é lugar de trabalhar, ganhar dinheiro. Vamos pra cima dos caras”. Então, se ele quer levar a “afetividade” ao seu dia a dia — e isso isso inclui o período das 8h às 18h —, e você não permitir isso, é dever dele sair dali o quanto antes”, frisou.

Segundo ele, a qualidade da vida de um colaborador está totalmente ligada ao sucesso do propósito. E se a empresa não levar essa questão em consideração estará fadada a morrer. “Qual a qualidade de vida do seu colaborador? Ele consegue equilibrar os dias no trabalho, em casa com a família, com os filhos, com o descanso? Se a resposta for negativa, qual o sentido do seu propósito?”, alfinetou.

Ele completou dizendo conhecer diversos empresários que, apesar de bilionários, não vivem felizes. “Não procure o ‘bilhão’, mas sim o sentido. Encontre propósitos que possam ser convergentes e mudar a sociedade. São eles que te moverão a tudo o que precisa para ser um grande empreendedor”, garantiu.

Mundo novo

Ao se submeter intensamente ao novo universo da efetividade, acreditando em si, praticando o bem e compartilhando o conhecimento, o nível de consciência muda. Além disso, o “fazer algo bom a outrem” causa um sentimento de orgulho pessoal, que é o aditivo da vida. “Esse modelo sai daquele ‘fazer por fazer’ e passa ao fazer com encantamento. Esse será o aditivo para o seu cliente querer muito o seu produto”, pontuou Márcio.

Ele completou dizendo que não se trata de um encantamento como o da Apple, que oferece um celular bacana, porém nem tão acessível. Esse tipo de encantamento é aquele tangível, que todo mundo quer porque é importante, e não porque é fashion. “O cliente verá o produto como realmente necessário, que faz sentido em sua vida tê-lo. É aí que nasce a venda sem esforço, realizada simplesmente pelo amor”.

Propósito

Uma das etapas mais importantes de uma uma empresa: definir o propósito. Algumas perguntas a serem feitas sobre a escolha do seu propósito:

  • Ele tem aderência com a sociedade?
  • Tem aderência com pessoas simples?
  • Tem aderência com pessoas “normais”, sofisticadas e intelectuais?
  • Seus valores são realmente sólidos?
  • Irão respaldar sua caminhada, fazendo sentido hoje e no futuro?
  • Você terá vergonha de contar o que você faz para os seus filhos, ainda que tenha de explicar nos mínimos detalhes?

Se tudo isso estiver de acordo, significa que está fazendo do jeito certo — segundo Márcio, já estará vivendo uma razão de ser que faz sentido pra você e para os outros.

“Infelizmente ainda vejo startups incríveis nascerem e, ao atingirem maturidade, se tornarem exatamente aquele ‘dinossauro’ que odiavam no passado. Tenho amigos que saíram de empresas que não gostavam (por conta dos métodos) para criar o seu próprio negócio. Criaram, conquistaram espaço e se viraram exatamente aqueles de quem reclamavam. Por que receber investimento de quem você odeia? Não venda a sua alma, mantenha a integridade, acredite em você.

Líderes

Márcio acredita que muitos já entenderam a melhor forma de ser um líder hoje em dia, e essa “revolução” já está acontecendo. E deixou bem claro: enquanto um líder se sentir superior, fatalmente perderá o nível de engajamento desejável com a equipe. “O bom líder é aquele que não precisa do ‘kit frescura’: secretária, laptop, celular e carrão. Ele simplesmente lidera de forma imperceptível. O orgulho não tem mais espaço dentro dos negócios, a não ser pelas coisas legais que fazemos”.

Investimento zero

Para conseguir aplicar essa “metodologia” em uma empresa, Márcio garante que não é preciso investir dinheiro. Pelo contrário, requer somente vontade e disciplina. “Se você não estiver a fim de ser a última bolacha do pacote, já é um bom começo”, brincou, completando que “é preciso acreditar que existe inteligência além da nossa”.

Confiança

Um dos grandes benefícios dessa proposta de evolução dentro do negócio está na confiança. De acordo com Márcio, o nível de proximidade com os colaboradores é tamanho que, se você for persistente nessa coerência, a confiança acaba sendo mútua. “Se ela for quebrada, aliás, você perceberá com mais facilidade”, recomenda. Ele acrescenta que essa proposta pode ser aplicada em todas as empresas, independente do tamanho. A única mudança, no caso, será na facilidade da didática.

Considerações finais

Ao fim de sua palestra, Márcio pontou algumas questões em torno da felicidade nas empresas. Segundo ele, “a felicidade que tanto buscamos é simples, orgânica, trivial. Sorrimos com coisas muito elementares. Por isso mesmo não precisamos faturar R$ 1 bilhão para sermos felizes, muito menos ser o CEO da empresa. Precisamos apenas curtir a caminhada”, disse.

Para ele, não temos de buscar trilhos para a nossa vida, e sim trilhas. “Relacione com pessoas que também veem sentido na vida. Uma pessoa em plena saúde respira sem perceber. Sabe por que? Porque é orgânico, é natural, é nosso. É mais ou menos a mesma coisa que devemos fazer em um empreendimento, num negócio. Sim, é preciso dedicação. Mas faça do jeito certo, pois vai dar certo. E se não der, faça de novo, em outro lugar. Mas não desista”, finalizou.

Por Giuliano Gonçalves, via redação E-Commerce Brasil.

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