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  Redação E-Commerce Brasil

“Evite trabalhar com commodities, comece com os nichos”, diz gerente de e-commerce da Juspodivm

Segunda-feira, 22 de janeiro de 2018   Tempo de leitura: 5 minutos

Ainda com 15 anos de idade e recém-formado na 8ª série do ensino médio, Caique Dourado se matriculou (por meio de uma tia) em um curso de desenvolvimento de “programas”. Em 2010, depois de ter trabalhado como desenvolvedor em diversos lugares, Caique aproveitou o boom das compras coletivas para se juntar a outros sócios e criar o portal de ofertas “Cupons VIP”.

E foi assim que, já em 2012, Caique atingiu o famoso “Break Even Point”, largou o emprego convencional para se dedicar 100% a sua startup, cuidando desde de o desenvolvimento do produto (Front-End) até o envio de campanhas de marketing para a base de clientes.

No final de 2013, Caique deixou o Cupons VP, para assumir um novo desafio: liderar a troca de plataforma legada de ERP da Juspodivm (uma das maiores editoras jurídicas do país) e implantar uma nova plataforma de e-commerce. Atualmente ele cuida da plataforma de toda a operação de e-commerce da editora que inclui ERP (backoffice), servidores, integrações, analytics, ads, meios de pagamento, antifraude, além de gerenciar a equipe de design, mídias sociais e analistas. Confira a entrevista com Caique:

 

E-Commerce Brasil: Há quanto tempo você atua como gerente de e-commerce da Editora Juspodivm?

Caique: Atuo como Gerente de E-commerce da Editora há 4 anos (desde 2014).

E-Commerce Brasil: Quais são os principais desafios que você enfrentou (ou enfrenta) a frente deste projeto?

Caique: O maior deles foi a migração da plataforma de e-commerce, ERP e Centro de distribuição – todas no mesmo dia. Operação ousada e muito arriscada. Felizmente, com o devido planejamento ocorreu tudo bem e conseguimos virar as 3 chaves no mesmo dia. Ao mesmo tempo em que os caminhões seguiam com todo o nosso estoque, de Salvador para São Paulo, corríamos do lado de cá, com os testes finais para a virada de chave da plataforma e-commerce e ERP. Para dar um pouco mais de emoção, a virada ocorreu no meio de uma promoção de Natal.

E-Commerce Brasil: Como articulista você sempre procura desenvolver conteúdos no “estilo tutorial”. Isso reflete uma demanda por conhecimento que você identificou no mercado de e-commerce? Quais são as suas impressões sobre a maturidade dos profissionais de e-commerce de forma geral?

Caique: Sim sim. Minha trajetória profissional começou com programação. Desde os 15 anos atuo com desenvolvimento de software. Nessa área há muito conteúdo no estilo “tutorial”, ensinando o leitor a realizar determinados procedimentos, configurar ferramentas, instalar novos recursos, etc. Foi natural trazer esse tipo de artigo para o segmento do e-commerce. Nosso segmento é muito carente desse conteúdo.

E-Commerce Brasil: Qual métrica você acha indispensável para um ecommerce manter-se saudável em termos de vendas e financeiro?

Caique: É importante estar atento ao ROI, aos custos de aquisição (CAC), porém mais ainda a rentabilidade a longo prazo (Life Time Value). Sua campanha de venda de fraldas por exemplo, pode ter uma rentabilidade ruim, se analisada separadamente, porém, caso o cliente tenha uma boa experiência, poderá comprar em sua loja durante todo o período de crescimento do filho. Comprará o berço, o carrinho de bebê, os brinquedos, e é claro, mais fraldas!

Nesse caso, vale a pena ter uma margem de lucro ruim na campanha de fraldas, com o objetivo de fazer aquisição de clientes. Você perderá um pouco da margem de lucro na primeira campanha, e faturará mais ao longo do tempo médio de vida desse cliente.

Se analisar apenas o retorno sobre o investimento (ROI) da campanha de fraldas isoladamente, poderá pensar em reduzir o orçamento para manter a lucratividade. Ao fazer isso, perderá a oportunidade de aquisição desse (valioso) cliente, que compraria contigo por muitos anos, durante todo o crescimento do filho.

Qual o valor desse cliente? Vale muito!

E-Commerce Brasil: Conhecer de tecnologia ajuda bastante os gestores de e-commerce a tomarem decisões importantes. Na sua opinião (ou no seu setor de atuação) pra quem tem um orçamento mais curto o que vale a pena terceirizar e o que vale internalizar?

Caique: Para o pequeno, vale terceirizar boa parte da operação: agência de performance, e-mail marketing, UX e design.

Não recomendo a terceirização do SAC e do atendimento via redes sociais (SAC 2.0). O maior valor de uma marca hoje é o relacionamento. Ao terceirizar essa área, se perde um ponto importante de contato com o cliente final, que pode te trazer feedbacks de melhoria da operação, sugestão de novos produtos, e, se feito um o bom trabalho: fidelização.

Crescendo um pouquinho mais, eu já recomendaria o inverso: internalizar a comunicação (e-mail marketing, redes sociais, ads). Você ganha a possibilidade de criar campanhas com maior agilidade do que com uma agência.

Se surgir uma ideia ou acontecimento relacionado à área do seu e-commerce, pode lançar uma campanha agora, por exemplo, e aproveitar o Buzz. Não será preciso esperar alguns dias até que a campanha seja produzida em uma agência terceirizada. O número de ações que poderá fazer também irá aumentar.

E-Commerce Brasil: Pra quem está começando a vender pela internet, quais conselhos você daria?

Caique: Evite trabalhar com commodities, pois a concorrência é muito grande. Comece com um e-commerce de nicho. Há muita oportunidade aí.

E-Commerce Brasil: Você ensina programação para o seu filho? Acredita que esta é uma iniciativa que falta no Brasil de hoje (incentivo ao empreendedorismo e à educação voltada à tecnologia)?

Caique: Foi uma brincadeira. Ganhei o livro Html for babies (http://codebabies.com/product/html-for-babies) de um amigo, tirei uma foto “lendo” com o meu filho Benício e publiquei nas redes sociais (https://www.instagram.com/p/BClBR9fN1r9/).

Não pretendo estimulá-lo precocemente ao uso da tecnologia. Haverá o seu tempo. A tecnologia tem ajudado muito a sociedade, porém, ainda não sabemos que efeitos essa hiperestimulação trazida por ela terá sobre as gerações mais novas.

Há uma entrevista famosa do Steve Jobs ao New York Times em 2010, em que ele revela que havia proibido seus filhos de usarem o recém-lançado iPad.

“Então, seus filhos devem amar o iPad?” Eu perguntei ao Steve Jobs. “Eles não usaram isso”, ele me disse. “Nós limitamos a quantidade de tecnologia que nossos filhos usam em casa”.

E-Commerce Brasil: O que você espera que melhore no mercado de e-commerce nos próximos anos?

Caique: Espero que sejam criadas mais ferramentas capazes de “orquestrar” de maneira eficaz todos os fornecedores e canais de marketing de uma operação de e-commerce.

Hoje se o cliente entrar em sua loja, irá receber e-mails de abandono de carrinho e remarketing de uma plataforma. De outra ferramenta irá receber uma notificação Push. De outra um anúncio no Facebook. De outra um anúncio em um site que esteja navegando.

Não temos hoje ferramentas capazes de orquestrar todos esses canais de fornecedores diferentes em uma única régua de relacionamento, de modo a evitar que o cliente receba quatro popup’s dentro do site, mais dois e-mail’s, mais anúncios nas redes sociais. Isso gera uma “perseguição” muito grande. Isso é ruim para a imagem da sua marca!

Há algumas ferramentas que fornecem boa parte desses canais em uma única régua, porém, são muito caras, ainda inacessíveis para o pequeno/médio e-commerce.

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