A participação de sellers dos Estados Unidos no GMV cross-border do Mercado Livre passou de 8,7% para 25,9% entre abril de 2025 e agosto de 2026. Os dados são de um levantamento da JoomPulse, plataforma de análise de dados, realizado a partir do monitoramento de 12 mil SKUs do marketplace.

Apesar do avanço dos vendedores americanos, China e Hong Kong continuam concentrando a maior parcela das vendas internacionais, com 71,9% do GMV cross-border. A diferença aparece, porém, no valor das compras: o pedido médio entre sellers dos EUA é de R$ 352, ante R$ 73 entre os chineses.
O crescimento ocorre em meio ao aumento da presença de produtos internacionais no marketplace. Em agosto, itens cross-border representavam 45,9% do catálogo ativo e 77,5% dos novos listings. Em janeiro de 2025, os produtos internacionais correspondiam a 32,4% dos novos anúncios.
No período analisado, o número de listings internacionais que efetivamente registraram vendas cresceu 83 vezes, enquanto a quantidade de pedidos desses produtos aumentou seis vezes.
O estudo acompanha dados do Mercado Livre correspondentes ao período de janeiro de 2025 a agosto de 2026 e inclui categorias como brinquedos, joias, vestuário e beleza.
De acordo com Ivan Kolankov, CEO da JoomPulse, os dados indicam que o crescimento do cross-border não começou com a alteração das regras tributárias e que o desempenho varia conforme faixa de preço e categoria.
Mudança tributária
A expansão do cross-border ocorre também em meio à mudança nas regras de tributação das compras internacionais. A proposta que elimina o imposto de importação sobre encomendas de até US$ 50 foi aprovada pelo Congresso e aguarda sanção presidencial. A alíquota está zerada desde 12 de maio.
De acordo com o levantamento, compras de até US$ 50 concentram 94,25% dos pedidos internacionais realizados no Mercado Livre e 68,78% do GMV cross-border.
Já as encomendas entre US$ 50 e US$ 3 mil representam apenas 5,75% dos pedidos, mas respondem por 31,22% do valor movimentado. Para essa faixa, a alíquota de importação foi reduzida de 60% para até 30%.
O perfil das vendas dos sellers americanos faz com que esses vendedores tenham maior exposição à segunda faixa. Com pedido médio de R$ 352, equivalente a aproximadamente US$ 69, parte relevante das compras fica acima do limite de US$ 50.
Apesar da mudança na tributação, o levantamento não identificou alteração no valor médio dos pedidos entre US$ 30 e US$ 50. O indicador permaneceu em R$ 193 ao longo do período acompanhado, inclusive nos quatro meses com alíquota zero. A distribuição dos pedidos entre as diferentes faixas de preço também se manteve estável.
Categorias monitoradas
O avanço dos produtos importados também não aparece de maneira uniforme entre as categorias analisadas. Entre maio e agosto, a participação do cross-border no GMV caiu nos quatro segmentos mensurados pelo levantamento. Veja a lista:
- Brinquedos e Hobbies: passou de 2,50% para 2,18%;
- Joias e Relógios: recuou de 2,10% para 1,05%;
- Beleza e Cuidados Pessoais: de 1,46% para 0,95%;
- Calçados, Vestuário e Bolsas: de 0,47% para 0,38%.
Esses segmentos estão entre os setores previstos para acompanhamento após a mudança tributária, que inclui ainda vestuário, calçados, acessórios, brinquedos e cosméticos.
Frete logístico
As condições de frete também variam de acordo com o preço do produto. A maior diferença está entre os itens de até US$ 10, faixa que concentra 48,37% dos pedidos cross-border.
Nesse grupo, apenas 0,1% dos listings internacionais oferecem frete grátis, ante 73% dos produtos brasileiros.
Entre US$ 10 e US$ 30, o benefício aparece em 33% dos produtos internacionais e em 81,8% dos nacionais. A distância praticamente desaparece a partir de US$ 30: entre US$ 30 e US$ 50, 89,4% dos listings internacionais e 89,6% dos brasileiros têm frete gratuito.
Na faixa de US$ 50 a US$ 100, os percentuais são de 91,2% e 93,2%, respectivamente. Acima de US$ 100, o frete grátis aparece em 91,8% dos produtos internacionais e 90,1% dos nacionais.