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  Redação E-Commerce Brasil

Entrevista: Feira Preta (e latino-americana)

Wednesday, 29 de December de 2021   Read time: 6 minutes

Fundada em 2002, a Feira Preta já é um dos eventos mais consagrados para enaltecer o afroempreendedorismo no Brasil e na América Latina. Com a pandemia, a necessidade de digitalização dos expositores tornou-se imprescindível para manter os negócios funcionando, o que acelerou o lançamento do Feira Preta Marketplace em maio deste ano.

O shopping virtual não é a primeira iniciativa do projeto para vender os produtos online. A marca tem uma parceria com o Mercado Livre desde 2018 para a venda de mais de mil produtos desenvolvidos por negros, indígenas, LGBTQIA+ e quilombolas. De início, apenas participantes de edições anteriores da Feira Preta ou que tiveram seus negócios acelerados pela PretaHub podiam comercializar seus produtos, mas agora qualquer um pode se juntar ao projeto, que cobra uma taxa de 15% nas vendas.

Atualmente, mais de 500 produtos são comercializados no marketplace, mas a ideia é ampliar esse portfólio. “Queremos vender produtos em todos os países latino-americanos”, revela Adriana Barbosa, CEO da PretaHub e fundadora da Feira Preta”. Confira os principais trechos da entrevista com a executiva:

E-Commerce Brasil: Quais são os critérios para se vender no Feira Preta Marketplace?

Adriana Barbosa: Quando lançamos o marketplace, demos preferência para quem já expunha na feira ou que já tivesse participado de algum programa de aceleração no PretaHub, mas agora qualquer que se autodeclare negro, quilombola, indígena ou LGBTQI+ pode se inscrever. Temos uma curadoria para aceitar novas marcas na plataforma. Atualmente, são 100 marcas cadastradas e 180 na fila de espera.

ECBR: A feira tem uma parceria com o Mercado Livre desde 2018. Vocês pretendem continuar com as vendas em outras plataformas?

Adriana Barbosa: Vamos manter a parceria com o Mercado Livre e pretendemos fazer parcerias com outras plataformas. Acreditamos que na apropriação digital em diversas plataformas de comercialização. Ampliamos o acesso para todo mundo, e a comissão de vendas – que chamamos de “cashback social” – é reinvestida em programas com os empreendedores do PretaHub.

ECBR: Quais as propostas do marketplace?

Adriana Barbosa: O maior objetivo do marketplace é dar visibilidade a esse público. Eu sonho em ter produtos de quilombolas chegando ao consumidor de forma consciente, que acredita em causas ativistas com geração de renda e digitalização dos empreendedores.

Adriana Barbosa
Adriana Barbosa é CEO do PretaHub e fundadora da Feira Preta. Crédito: Jef Delgado

ECBR: A pandemia influenciou no lançamento da plataforma? Como foi a idealização do projeto do marketplace?

Adriana Barbosa: A pandemia acelerou o processo, porque os empreendedores foram obrigados a vender online. Quando surgiu, a feira tinha 40 empreendedores. Na última edição presencial realizada em 2019, no Memorial da América Latina, em São Paulo, já eram 170. Nós lançamos um e-commerce há 12 anos, mas não deu certo na época porque nós é que gerávamos o estoque dos empreendedores, além da logística e da entrega, e isso sobrecarregou toda a nossa infraestrutura. Agora, a parceria do Santander possibilitou a digitalização dos empreendedores, além de acesso a contas digitais e programas de microcrédito. Foi quase um ano para o projeto sair do papel.

Não temos um número limite de produtos, quanto mais, melhor. No futuro, queremos vender produtos em todos os países latino-americanos. Estamos fazendo agora uma edição do Afrolab, que é um programa de formação para empreendedores, na Colômbia. Antes da pandemia, era um programa de sete dias imersivos de forma física, além de edições em vários estados brasileiros. São mais de 1.200 empreendedores atendidos em todo o Brasil. No segundo semestre, também queremos lançar iniciativas com empreendedores das periferias.

ECBR: Quais foram os principais desafios para implementação do marketplace?

Adriana Barbosa: A questão dos empreendedores se prepararem para a digitalização foi um dos principais desafios. Demos todo o apoio. Fizemos vídeos com tutoriais, levamos fotógrafo para o PretaHub fotografar os produtos etc., porque muita gente nunca tinha vendido de forma online e não sabia como fazer, além de acostumar o nosso público a comprar pela Internet.

Este texto foi retirado da Edição 64 da Revista E-Commerce Brasil, publicada em agosto de 2021

Por Dinalva Fernandes, da redação do E-Commerce Brasil

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