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E-commerce brasileiro reúne 1.643 empresas e entra na era da eficiência

Por: Alice Lopes

Jornalista e analista de conteúdos no E-Commerce Brasil

Formada pela Universidade Nove de Julho, atua na redação e cobertura de eventos de comércio eletrônico, varejo e tecnologia.

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O ecossistema brasileiro de e-commerce chegou a 1.643 empresas em 2026. Distribuídas em 10 macro-categorias e 54 subcategorias, elas mostram um mercado que continua crescendo, mas começa a trocar a corrida por escala por uma busca maior por eficiência.

Essa é uma das principais leituras do Scape Report E-Commerce 2026, desenvolvido pela Pipeline Capital com apoio do E-Commerce Brasil. A nova edição incorporou 136 empresas e abriu espaço próprio para áreas que ganharam relevância nos últimos anos, como inteligência artificial (IA), retail media, social commerce, GEO, cloud, WMS e TMS.

Scape report ecbr e pipeline
(Imagem: Envato)

O movimento acontece enquanto o comércio eletrônico continua aumentando de tamanho. O relatório projeta faturamento próximo de R$ 260 bilhões no Brasil em 2026, ante cerca de R$ 200 bilhões em 2024. A base de consumidores online chega a 94 milhões, e o canal representa 18,7% das vendas do varejo.

Marketing e tecnologia concentram empresas

Apesar da quantidade de frentes envolvidas na operação digital, boa parte das empresas está concentrada em quatro áreas.

Marketing & Vendas lidera o mapa, com 401 companhias, ou 24,4% do total. Tecnologia aparece em seguida, com 348 empresas. Gestão reúne 251 e Logística, 223. Juntas, essas quatro categorias representam quase 75% da base analisada.

A concentração ajuda a dimensionar onde está boa parte da infraestrutura que sustenta uma operação de e-commerce hoje, da atração do consumidor à tecnologia utilizada pela loja, passando pela gestão e pela entrega.

Em algumas frentes, a oferta já é bastante pulverizada. O estudo contabiliza 116 consultorias e agências implementadoras, 103 plataformas de CRM e marketing e 101 plataformas de e-commerce.

Do outro lado estão áreas ainda menores no mapa. Social commerce reúne quatro empresas, enquanto retail media aparece com cinco. WMS e TMS têm duas companhias cada dentro dos critérios adotados pelo levantamento.

Crescer continua importante, mas não basta

A expansão do próprio mapa acompanha uma mudança na forma como o mercado olha para as empresas de e-commerce.

Se ganhar escala foi um dos principais objetivos dos últimos anos, o estudo aponta que fatores como margem, recorrência, dados, governança e integração da operação passaram a ganhar mais peso.

“Talvez o principal sinal de maturidade do e-commerce seja que crescer deixou de ser suficiente. A régua subiu. Compradores e investidores querem entender quanto desse crescimento vira margem, recorrência, dados proprietários e vantagem competitiva”, afirma Rods Campitelli, managing director da Pipeline Capital.

Na leitura do relatório, o setor passou por uma primeira fase de digitalização, seguida por um período de busca por escala. Agora, entra em um ciclo de eficiência, no qual empresas capazes de integrar tecnologia, dados e operação tendem a ganhar espaço.

M&A também muda de foco

Essa maturidade aparece ainda nas fusões e aquisições. A base utilizada no estudo reúne 177 transações realizadas entre 2021 e 2026 no e-commerce e em segmentos próximos.

A principal mudança, porém, está menos na quantidade de negócios e mais no que os compradores procuram.

Em vez de adquirir uma companhia apenas por ela atuar no e-commerce, o interesse passa a recair sobre capacidades específicas que possam ser incorporadas a outras operações, como tecnologia, dados, logística, CRM, retail media e receita recorrente.

“O M&A no setor deixou de comprar ‘e-commerce’ de forma genérica e passou a comprar capacidades específicas. Pode ser tecnologia, dados, logística, CRM, retail media ou uma competência que levaria anos para o comprador construir internamente”, afirma Jonathan Palma, executive director de M&A da Pipeline Capital.

O resultado é um ecossistema maior, mas também mais exigente. A leitura do Scape Report para 2026 é de que o próximo ciclo não deve ser definido apenas por quem consegue vender mais, mas por quem transforma esse crescimento em uma operação mais eficiente e integrada.