Redação E-Commerce Brasil

Apesar da pandemia, e-commerce brasileiro mantém trajetória de crescimento

Quinta-feira, 09 de abril de 2020   Tempo de leitura: 9 minutos

Apesar da crise mundial provocada pelo novo coronavírus (Covid-19), o e-commerce brasileiro conseguiu crescer no 1º trimestre em todo o país, seguindo a trajetória de alta observada nos últimos anos. É o que mostra Relatório Neotrust 3ª Edição, elaborado pela Compre&Confie, em parceria com o E-Commerce Brasil.

O número de pedidos se destaca nesse cenário, com salto de 32,6% – mais do que o dobro do atingido no mesmo período do ano passado. Segundo o relatório, a variação positiva é explicada pelo sucesso dos “saldões” de início de ano, promoções da Semana do Consumidor realizadas em março e aumento de categorias de bens não-duráveis e perecíveis.

Como consequência do aumento tão expressivo, o faturamento do 1º trimestre registrou incremento de 26,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

Apesar de significativo, o resultado está acima das projeções do ano, principalmente pela maior concentração as compras online em itens básicos de saúde, higiene e alimentação, deixando de consumir produtos mais caros, das categorias de Telefonia e Eletrônicos.

Prova disso pode ser observada com a redução do tíquete médio no período (-4,5%), além do aumento de consumidores únicos no e-commerce (+22,8%), totalizando quase 16 milhões de pessoas, o maior valor registrado em toda a série histórica para o 1º trimestre do ano.

Completa o cenário o aumento das compras na categoria pouco representativa anteriormente como Pet Shop, Brinquedos/Bebês e Suplementos/Esporte e Lazer.

Redução no frete

Mesmo com o aumento significativo do número de consumidores e de compras realizadas online durante o trimestre, o valor médio do frete apresentou redução, comparado ao registrado no mesmo período do ano passado.

De acordo com a Compre&Confie, esta estratégia está sendo executada pelos varejistas com objetivo de oferecer uma boa experiência de compra para novos consumidores. O resultado ainda reflete as promoções realizadas no início do ano e dificilmente será mantido ao longo dos próximos trimestres – dadas as dificuldades logísticas e de abastecimento registradas recentemente por boa parte dos varejistas.

Ao mesmo tempo em que tantas mudanças foram observadas neste 1º trimestre, alguns indicadores mostraram resultados semelhantes aos registrados em 2019 e 2018, como:

  • Os consumidores com 36 e 50 anos ainda são os principais responsáveis por movimentar o varejo digital. A idade média dos compradores em todo o país é de 37 anos;
  • A região Sudeste concentra a maior parte das vendas online no país, sendo responsável por mais de 65% dos pedidos realizados;
  • Mesmo antes da crise atual, brasileiros já buscavam reduzir seu endividamento com as compras online. Ao todo, 67% das compras feitas no trimestre foram pagas à vista ou parceladas em, no máximo, três vezes.

Resultados das vendas

De acordo com o relatório, o e-commerce mantém a trajetória de alta observada desde 2018, alcançando quase 50 milhões de compras online no 1º trimestre de 2020, que superam os R$ 20 bilhões.

A presença cada vez maior do varejo digital na vida dos brasileiros colabora para que itens da “segunda onda” ganhem espaço no e-commerce, especialmente em momentos de crise.

O resultado é a corrida para as prateleiras virtuais, em busca de itens de menor valor agregado – fator que colabora para a queda significativa no tíquete médio.

Consumidores únicos

O número de consumidores únicos atual é o maior já registrado para um 1º trimestre do ano. Mesmo significativo, apresenta um percentual de crescimento menor do que o apresentado no último ano, fator que pode ser explicado por alguns motivos: a conquista de uma base significativa ao longo dos últimos anos (deixando cada vez menos espaço para conquistar novos consumidores) e a falta de acesso ou de hábito para o varejo digital.

Comportamento similar também pode ser observado na média de gastos dos consumidores, de R$ 1.175,00. O valor é o maior dos três trimestres analisados, com variação de 6,9% (ante 9,1% no mesmo período do ano anterior), segundo a Compre&Confie.

Gênero e faixa etária

O relatório também revela que, na divisão por gênero, as mulheres continuam sendo as principais responsáveis pelo alto volume de compras via e-commerce, enquanto os homens fazem compras de maior valor financeiro.

Um fator que explica esse resultado é a preferência do público feminino por itens mais baratos na maior parte das compras – como Moda e Acessórios ou Beleza e Perfumaria –, enquanto os pedidos realizados pelo público masculino se concentram principalmente em categorias, como Eletrônicos e Telefonia, com preços mais elevados.

Share por região

A região Sudeste concentra a maior parte das compras online realizadas em todo o país, um comportamento similar ao observado em trimestres anteriores. A facilidade de acesso a centros de distribuição para varejistas, o hábito de comprar online por parte dos consumidores e o fato de que a região concentra os maiores salários do país* contribuem para este resultado.

*58ª pesquisa salarial da Catho

Frete e parcelamento

A proporção de frete pago ante gratuito no país se mantém estável desde o ano passado. A redução no valor, observada este ano, pode estar ligada às promoções realizadas nos primeiros meses de 2020 e ao consequente volume de compras realizadas nesse período, especialmente em janeiro.

Com a chegada da Covid-19 e as dificuldades logísticas enfrentadas por varejistas para atenderem ao público, esse cenário dificilmente será mantido ao longo dos próximos meses, analisa a Compre&Confie.

Share de categorias

O comportamento do consumo durante o 1º trimestre ainda segue, em grande medida, o observado em períodos anteriores: o segmento de Moda e Acessórios permanece como destaque absoluto em número de pedidos e, em faturamento, o primeiro lugar é ocupado por Telefonia.

Entretenimento ainda permanece com representatividade no e-commerce, considerando que incluímos as vendas de eletrônicos nesta categoria, porém, com queda no trimestre devido ao menor volume de vendas de livros, CDs/Bluray e, principalmente, tickets.

Segundo a Compre&Confie, o comportamento é um reflexo claro da mudança de comportamento do consumidor com o isolamento social imposto em todo o país.

Leia também: Compre&Confie: e-commerce brasileiro deve faturar R$ 90 bi em 2020

Por Dinalva Fernandes, da redação do E-Commerce Brasil

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