Redação E-Commerce Brasil

O seu e-commerce é acessível? Saiba adaptar sua loja virtual para todos os consumidores

Quarta-feira, 05 de junho de 2019   Tempo de leitura: 5 minutos

Você já se perguntou se um cliente cego consegue comprar no seu e-commerce? ou com deficiência motora ou até mesmo um idoso com pouca visão? Provavelmente não, segundo o especialista em e-commerce Thiago Sarraf: “Nós associamos acessibilidade quando vamos estacionar e vemos vagas para pessoas com deficiência ou quando vemos um cadeirante tentando se movimentar pela cidade. Mas acessibilidade é muito mais que isso”.

Thiago Sarraf no VtexDay/ Dinalva Fernandes (E-commerce Brasil)

Durante palestra no VtexDay, na última sexta-feira (31), Sarraf explicou que acessibilidade é a qualidade do que é acessível, e que existem tipos de acessibilidade. “Uma gestante ou alguém que quebrou o braço podem ter problemas de mobilidade, só que temporárias. Mas os principais deficiências são auditiva, visual, motora, cognitiva e física. Só que adaptar um local para determinado tipo de deficiência não pode excluir ninguém, por isso, não pode construir uma rampa em cima de uma escada. A acessibilidade tem que ser inclusiva”, reitera.

População que consome, e muito!

No Brasil, há 200 milhões de habitantes, sendo que 45 milhões possuem algum tipo de deficiência. Além disso, há 30 milhões de idosos que podem ter algum comprometimento de visão, por exemplo. E toda essa população consome, e muito, segundo Sarraf.

“Elas têm direito ao consumo e consumiram R$ 22 bilhões no último ano, sendo R$ 5,5 bilhão em tecnologia, que as auxilia em suas jornadas. Quando a compra dá certo, elas comentam com os demais. Mas isso não dói em nós porque não enxergamos isso, já que não é necessidade nossa. Só que estamos falando de um terço da população do Brasil”, esclarece.

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Para deixar o seu e-commerce acessível, é necessário pensar em vários tipos de deficiência e dificuldades que o cliente possa ter, como o daltonismo, que é um tipo de deficiência visual. “Usamos um botão de ação verde e vermelho. Por que não substituir por traço ou ponto? Ou inserir transcrições dos produtos para pessoas que não enxergam. É um mundo completamente novo que a gente precisa trabalhar.”

“E isso está nossa mão. As técnicas de SEO contemplam tudo isso. 46% das pessoas compram pelo celular e a necessidade vai crescer. É só imaginar a pessoa”, afirma Sarraf.

Como deixar o site acessível?

Uma dica do especialista para quem quer testar a acessibilidade do seu e-commerce é o aplicativo funkify, que pode ser instalado como extensão do Google Chrome. O app, que pode ser usado gratuitamente por alguns dias, simula uma série de situações, diz Sarraf.

“Testando a posição de uma pessoa com deficiência cognitiva, por exemplo, dá para perceber que a pessoa não sair da tela se tiver um relógio marcando o tempo. Quem tem epilepsia ou autismo pode sofrer convulsões dependendo das cores usadas na tela. A tela não pode ser pequena para quem tem dificuldade de enxergar, deixar disponível apenas a opção de ligar não é bom para quem tem deficiência auditiva etc”, elenca.

Também é possível obter mais informações sobre como adaptar seu e-commerce com o manual WCAG 2.1, que é um guia online sobre acessibilidade. “A mensagem é uma só: empatia. É se colocar no lugar da outra pessoa. São detalhes que fazem diferença no dia a dia dela”, finaliza Sarraf.

Por Dinalva Fernandes, da redação do E-commerce Brasil.

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