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  Redação E-Commerce Brasil

Correios suspendem pacote básico de entregas e cota mensal salta para R$ 2 mil

Quarta-feira, 25 de julho de 2018   Tempo de leitura: 3 minutos

Funcionários dos Correios começaram a informar clientes, desde o meio da semana passada, que deixarão de oferecer o pacote básico de entregas, chamado “Encomenda 1”. O gasto mínimo mensal de postagens nessa modalidade era de R$ 100, valor que poderia variar conforme o cliente.

Segundo os comunicados feitos pelos gerentes comerciais, os pacotes mais baratos terão exigência de R$ 2 mil por mês (“Encomenda 2” ou “Ecommerce 1”), além de envio de pelo menos 66 encomendas a cada 30 dias. Isso significa um aumento de 1900% no valor dos contratos.

Oficialmente, os Correios afirmam que o pacote foi “temporariamente suspenso”, sem informar o prazo previsto para o serviço voltar a ser oferecido. A estatal ainda fez um complemento da resposta (veja ao fim da matéria).

O discurso contradiz os comunicados enviados por gerentes comerciais de diversos Estados e aos quais o E-Commerce Brasil teve acesso. Em um deles, o representante chega a dizer que a presidência da estatal decidiu excluir a tabela mais básica do seu portfólio (veja nas imagens abaixo).

 

Em nota ao E-Commerce Brasil, entretanto, a estatal nega ter descontinuado o serviço. “O pacote Encomenda 1 não foi descontinuado, apenas está temporariamente suspenso. Nenhum dos contratos já firmados com o referido pacote sofreu qualquer alteração, desde que se cumpram as contrapartidas já acordadas”, afirmou a empresa.

Atualmente, existem três grupos principais de contratos da estatal com lojistas – Encomenda, Ecommerce e Marketplace. Cada um deles tem uma série de níveis, partindo do mais básico – e barato – ao mais avançado.

A diferença entre o envio de um pacote Sedex com e sem contrato com a estatal é considerável: em uma simulação feita pela reportagem, com origem em Goiânia e destino para São Paulo, o despacho no balcão ficou 15% mais caro.

Já no caso do PAC, o buraco é ainda maior: 22% mais custoso para quem não firmou contrato com os Correios.

Até os gerentes foram pegos de surpresa com a medida. “Esta alteração foi informada na última quinta-feira, também não tínhamos conhecimento”, admitiu um dos representantes, em comunicado enviado a um cliente que pediu anonimato à reportagem (veja a reprodução abaixo).

Segundo os Correios, pequenos negócios não ficarão desamparados. “Os Correios são o maior parceiro do e-commerce no Brasil. Dessa forma, continuamos disponibilizando nosso conjunto de soluções de encomendas para as empresas iniciantes no comércio eletrônico, sem a necessidade de contrato comercial, em nossa rede de agências presente em todo o país”, concluiu.

Na última sexta-feira (20), antes dos e-mails obtidos pela redação, os Correios haviam informado, por meio da sua assessoria de imprensa, que nenhuma alteração nos contratos estava prevista.

Impacto negativo

A descontinuidade ou suspensão do pacote básico promete impactar, principalmente, as pequenas lojas virtuais, que enviam menos pacotes do que o necessário para alcançar o novo mínimo de R$ 2 mil.

É o caso de Liana Marques, dona do e-commerce Ene Bolsas, que está para ser lançado no fim do mês. Desde julho, ela negociava um contrato mínimo de R$ 100 mensais com os Correios. Pelas suas contas, com a alteração, ela precisaria vender, logo no início da operação, pelo menos 66 peças por mês apenas para cobrir a nova cota. “Acho que esse [volume de vendas] não é o caso de nenhum e-commerce que esteja começando no país”, lamentou.

Quem também está começando é Gil Bastos, lojista que, na semana passada, deu entrada na documentação para aderir ao pacote básico. Nesta terça-feira (24), ela recebeu uma ligação da sua gerente explicando que o plano de entrada seria descontinuado.

Sua grande preocupação era integrar o sistema dos Correios de forma completa, inclusive logística reversa. Sem o contrato, ela deve ficar com as funções básicas. “[A mudança de preço] Beira o inacreditável. A gente faz todo um plano de negócios e fica ‘baleada’ quando escuta uma notícia dessas, porque pagar R$ 2 mil não é opção”, desabafou.

Confira a íntegra do complemento da resposta dos Correios:

“Os Correios são o maior parceiro do e-Commerce brasileiro e ao longo dos anos vem desenvolvendo soluções que facilitam o dia a dia das pequenas e grandes empresas do setor na atuação nacional por meio das suas mais de 7.000 agências presentes em todo o país. O acesso a esse conjunto de soluções é concedido pela aquisição de nossos serviços na modalidade de pagamento à vista ou a faturar, por meio de nossos contratos comerciais.

Ao firmar um contrato comercial com os Correios, o cliente torna-se parceiro da maior empresa de logística de encomendas do Brasil e passa a ter acesso a um conjunto de benefícios associados ao cumprimento de contrapartidas específicas.

Alinhado ao objetivo de melhoria contínua, bem como à oferta de soluções eficientes, o processo de formalização de novos contratos é constantemente revisado e adaptado ao cenário do mercado.

Dessa forma, foram iniciados estudos internos para desenvolvimento de soluções simplificadas específicas para as pequenas empresas que ainda não possuem alto nível de consumo de nossos serviços.

Assim, até que tais soluções estejam disponíveis para o mercado, serão renovados e/ou firmados novos contratos que atendam aos requisitos a seguir:

  • Adquiram o pacote “Encomendas 2” que possui um valor mínimo de gastos de R$ 2.000,00 por mês, caso desejem contratar os serviços de encomendas; ou,
  • Tenham perspectiva de utilização mensal superior a R$ 1.000,00, caso desejem contratar outros serviços do portfólio dos Correios.

Importante esclarecer que essas regras aplicam-se apenas aos novos contratos e renovações. Dessa maneira, a regra descrita acima não se aplica aos contratos já vigentes, os quais podem continuar sendo utilizados normalmente.

Vale esclarecer também que tais regras não se aplicam aos clientes classificados como “Órgãos Públicos”, devido ao disposto nas Leis 8.666/93 e 13.303/96.

Ressaltamos também que, caso o cliente não se enquadre em nenhum desses critérios, suas postagens poderão ser realizadas na modalidade à vista em todas as nossas agências.

Por último informamos que permanecemos priorizando a implantação de ações que têm como objetivo tornar nossa prestação de serviços ainda mais aderente ao mercado de comércio eletrônico.”

Por Caio Colagrande, da redação do E-Commerce Brasil

*Matéria atualizada para inclusão de complemento de resposta dos Correios.

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6 comentários

Comentários

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Comentando como Anônimo

  1. Tem serviço mais barato que o do Correio? Então vá pra lá… Pessoal reclama, mas não sai do correio. Vai entender? Parece que ninguém quer entregar nos confins da Amazônia? Então não resta outro jeito!

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  2. Depois do desfalque que esses safados desses políticos deram na previdência dos Correios a ordem é tirar esse dinheiro do povo a qualquer custo. Tem que privatizar essa vaca leiteira

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  3. Existe um monte de empresas privadas que prestam o mesmo serviço dos Correios. Se seu serviço é caro e sem qualidade não usem, postem seus produtos/documentos por uma dessas empresas! Sem essa de mi mi mi. Os Correios são confiáveis, eficientes e tem valor acessível! Por que vocês acham que Multinacionais gigantes como a FedEx e a DHL cobram pela postagem e contratam os Correios para efetuarem as entregas? Como eles conseguem pagar o serviço mais caro dos Correios cobrando valor menor dos clientes? Nós Brasileiros temos a SÍNDROME DO CACHORRO VIRA-LATA, somos educados para valorizar o que vem de fora! Depois quando nos arrependemos já é tarde!

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  4. Aos funcionários dos Correios: vocês estão ‘batendo’ nos comentários aqui no povo errado: os empreendedores que geram PIB, emprego e renda. No caso da matéria, nos empreendedores que geram riqueza através do e-commerce.

    Dá pra baterem nos seus comentários aqui, nas lideranças que VOCÊS ACEITAM CALADOS que sucateiam e geram o ambiente interno terrível que vocês trabalham e tomam decisões absurdas como estas que atingem milhares de pequenos empreendedores que geram empregos e renda em milhares de municípios?

    Deixo a vós que estão retrucando com as pessoas erradas três perguntas:

    1) Por que não defendem internamente e tecnicamente a Instituição que representam e EXPULSAM todos os políticos dos cargos nas lideranças?
    2) Por que vocês não defendem junto com os empreendedores uma profissionalização da gestão, em todas as áreas e unidades? #mudaBrasil
    3) Por que vocês não defendem que o que for monopólio (correspondências) fique com o Ministério das Comunicações e que o for CARGA, responda ao Ministério dos Transportes/ANTT como qualquer outra transportadora neste País? Assim teremos um ambiente de negócios justo com todas as empresas do setor? Afinal de onde vem o faturamento que sustenta esta empresa hoje: correspondências ou PACOTES do e-commerce brasileiro?

    Ser FUNCIONÁRIO PÚBLICO, em qualquer regime de trabalho, não exclui um papel ATIVO, como cidadão, amigos.

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  5. Eu enviei meu contrato no dia 12/7 e a agência enviou no dia 13/7, porém não foi assinado e somente hoje dia 31/7 foi informado que não será vinculado ao contrato que foi redigido e estipulado de forma inicial pelos correios. Simplismente faz o que querem… infelizmente o governo não libera a concorrência que faz melhor os serviços e diminuírem os custos para a sua população.

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