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  Redação E-Commerce Brasil

Incerteza eleitoral impacta consumo nos lares brasileiros, diz Kantar

Segunda-feira, 24 de setembro de 2018   Tempo de leitura: 2 minutos

A proximidade das eleições de outubro combinada aos índices de alto desemprego e crescimento lento da economia, além do fato de os gastos superarem a renda, serve de pano de fundo para a mais nova queda do consumo brasileiro.

De acordo com dados do Consumer Insights, levantamento da Kantar Worldpanel que analisa 11.300 lares no país semanalmente, o segundo trimestre de 2018 apresentou uma retração no consumo de 5,5% em volume – impulsionado pela queda no volume médio por viagem de 9,4% – e 2,5% em valor em comparação com os três primeiros meses do ano.

As classes D e E foram as mais impactadas pelo declínio, sentido de forma mais intensa do que nos anos anteriores. A principal contribuição para a queda veio de categorias sazonais, como sorvetes, inseticidas e bebidas. No entanto, categorias básicas também tiveram diminuição em comparação com o mesmo período do ano passado.

Nesse cenário, os brasileiros criaram estratégias para não ter de apelar para marcas mais baratas. As escolhas diante das gôndolas estão cada vez mais complexas, indo muito além do preço.

Segundo o estudo da Kantar Worldpanel, no segundo trimestre de 2018 a tendência de redução na importância de itens promocionados seguiu, sendo a promoção do tipo “leve mais, pague menos” a única que não retraiu em volume médio, não conseguindo segurar a queda total.

Assim, os atributos do produto têm tido um peso maior na hora de abastecer o carrinho. Não por acaso, o Consumer Watch 2017 apurou que quase 50% dos brasileiros valoriza boa qualidade. Um exemplo claro é que os consumidores estão usando mais azeite do que óleo para cozinhar – a categoria teve incremento de 3 pontos de penetração, com compradores elegendo as marcas mais caras no período analisado.

O mesmo ocorre com lâminas e aparelhos de barbear. Produtos equipados com três lâminas, de maior valor, ganham importância, uma vez que duram mais – são necessárias menos unidades por ano e a frequência de compra diminui também. A empresa revela que 41% do ganho dos produtos desse tipo vem da troca direta com as marcas inferiores.

A análise mostra ainda que o atacarejo, que há tempos conquistou o bolso do brasileiro, ainda é o principal canal para os itens de grande consumo (FMCG), com o varejo tradicional e a venda porta a porta perdendo espaço.

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