Redação E-Commerce Brasil

Comércio local do Rio Grande do Sul usa e-commerce para expandir negócios no país e exterior

Segunda-feira, 04 de novembro de 2019   Tempo de leitura: 10 minutos

O mundo está cada vez mais globalizado. E as marcas regionais têm lutado para ganhar destaque e sobreviver, diante das gigantes que dominam o mercado. Isso tem acontecido no comércio local de cada canto do Brasil.

Longe do maior centro consumidor do país, que é São Paulo, como ficam as outras regiões brasileiras? No Rio Grande do Sul, por exemplo, o comércio local tem crescido e expandido os negócios para outros estados.

Muitos têm aproveitado, também, a proximidade com Uruguai, Paraguai e Argentina para desenvolver os negócios no exterior. Crescimento, conservadorismo do mercado local e mão de obra qualificada foram alguns dos temas abordados durante a Conferência RS 2019.

Mauro Tschiedel, Co-Founder e CEO da Usinainfo, mediou o painel que contou com as presenças de Bruno Benini, Founder e CEO da Elare, Natália Rosales, Diretora da Metávila e Thayná Candido, Founder e CEO da Chica Bolacha.

Os três representantes do comércio local gaúcho responderam perguntas do mediador e de participantes do evento.

Comércio local: o bate-papo

Quanto vendem para Rio grande do Sul e quanto se esforçam pra vender no estado?

Bruno Benini, Founder e CEO da Elare

“No nosso caso, que é uma empresa moveleira, a gente vem fazendo um trabalho há cerca de um ano e meio para trabalhar bem forte no nosso quintal de casa.”

“A gente tem um quintal tão forte aqui e eu acredito tanto no nosso estado, que a gente pode trabalhar muito bem.”

“Se você me perguntar se eu conseguiria viver só das vendas no Rio Grande do sul, eu diria que não. Mas esse é um trabalho que tem que ser construído aos poucos.”

“Quem sabe daqui alguns anos? a gente está fazendo um trabalho muito forte pra isso.”

 

Natália Rosales, Diretora da Metávila

“A gente fabrica e quase sempre vendeu churrasqueiras para gaúchos. Mas depois que a gente entrou no mercado de São Paulo, o mercado paulista, atualmente, compra mais churrasqueiras do que os próprios gaúchos.”

“Quanto ao esforço, por São Paulo ser o maior comprador dos nossos produtos, a gente até pensou o que fazer para continuar vendendo churrasqueira no Rio Grande do Sul.”

“Não é possível a gente não vender no Rio Grande do Sul. Por isso, a gente iniciou este ano um trabalho forte com construtoras, que estão colocando nos projetos de sacadas Gourmet a nossa churrasqueira metálica. Mas se tivesse que viver hoje, exclusivamente das vendas no Rio Grande do Sul, eu acredito que não daria certo.”

Thayná Candido, Founder e CEO da Chica Bolacha

 

“Só aqui, não dá. Sem condições de vender só para o Rio Grande do Sul.”

“Nem teria por que. É meio contraditório estar falando isso, porque a gente está sendo bairrista, também.”

“Não tem como vender só pro Rio Grande do Sul. E, sim, eu faço um grande esforço para tentar vender para as pessoas daqui.”

 

 

E a marca Rio Grande do Sul vende para todo o Brasil? O Brasil compra a marca Rio Grande do Sul?

Natália Rosales, Diretora da Metávila

“Eu quero responder essa:”

“Eu estava em São Paulo, em uma negociação grande com um magazine local. Estávamos eu, o representante e a compradora. E no final da negociação ela pressionou por uma posição.

“Disse ‘se a fábrica me entregar tudo isso, eu mando pedido de todo esse volume que a gente está conversando’.”

“Antes que eu pudesse responder que conseguiria entregar, o representante falou ‘não se esqueça que ela é do Rio Grande do Sul. Então, se ela disser que ela consegue, ela vai cumprir. E você vai ter que passar esses pedidos pra ela.”

O Rio Grande do Sul é tributariamente bom para os empreendedores?

Bruno Benini, Founder e CEO da Elare

“Qual estado hoje é bom assim para empreender? Todos têm particularidades.”

“Na verdade, a gente tem hoje alguns estados com características específicas. Espirito Santo tem algumas vantagens. Santa catarina, também.”

“Mas, a grosso modo, empreender não é fácil, com toda essa questão de tributo. As empresas deixam muita coisa para o governo.”

“O empreendedor tem que fazer todos os cálculos em casa, para ver se realmente vale a pena. Existem muitos e-commerces que acabam definindo se vão vender ou faturar por outros estados, para ver o que é mais rentável ou não.

Natália Rosales, Diretora da Metávila

 

“É muito difícil..”

“É um dos estados que tem mais impostos. É bem complicado.”

“Para as empresas que já têm anos de mercado, você segue na luta. Mas para quem é novo e quer começar, é bem difícil.”

 

 

Quando se olha para proximidades com Uruguai, Paraguai e Argentina, vocês pensam em expandir para a região? Entendem isso como oportunidade?

Natália Rosales, Diretora da Metávila

 

“Sim, esse foi o primeiro ano que a gente exportou para o Uruguai. É um namoro que já tem mais ou menos uns 3 anos, mas foi o primeiro ano que a gente conseguiu efetivar o negócio.”

“Quando fechamos contrato com eles, no final do ano passado, a gente até entendeu que, pela alta do dólar, não ia se desenvolver o volume que a gente esperava.”

“Mas, este ano a gente conseguiu enviar 11 cargas fechadas para o Uruguai. É um mercado com bastante oportunidade.”

 

Bruno Benini, Founder e CEO da Elare

“Só pra complementar, alem da nossa principal empresa ser B2C, a gente tem também duas fábricas, que já exportam.”

O mercado externo vem em uma crescente muito boa. E junto com isso, em agosto deste ano, a gente iniciou uma operação nos Estados Unidos também.”

De fato, o mercado externo vem crescendo muito. Tem um potencial muito grande. No meu caso, que é moveleiro, quando a gente começa a ir pra fora, a gente começa a ter um pouco mais de esperança.”

“Está valendo muito à pena, seja para indústria ou para B2C.”

 

Thayná Candido, Founder e CEO da Chica Bolacha

 

“Eu só vendo para o consumidos final.”

“Então, a nossa loja virtual, no ano que vem, vai entregar para o mundo todo, mas só para o consumidor final.”

 

 

 

Tem mão de obra boa no Rio Grande do Sul? Quando se fala em e-commerce, é possível encontrar alguém que entenda do assunto?

Bruno Benini, Founder e CEO da Elare

“Penso de duas maneiras: ou a gente trás um profissional pronto (mas você paga por isso), ou tem que pegar o funcionário desde o começo e lapidar.”

“No meu caso, em uma cidade de interior, com 130 mil habitantes, é um pouco mais difícil de achar profissional.”

“Mas a gente vê que todos que estão alí, ou a grande maioria, tem uma vontade muito grande de fazer acontecer. E realmente veste a camisa junto com a empresa.”

“Então, de fato, hoje, você não tem uma mão de obra tão qualificada, mas a gente consegue ‘construir’ o profissional.”

“Se você tem um pouco de pressa, acaba contratando alguém de fora da cidade, mas se não tem, pode formar o profissional.”

Thayná Candido, Founder e CEO da Chica Bolacha

 

“A minha empresa é 100% local na produção e 99,9% feminina.”

“Eu dou prioridade para trabalhar com mulher, sim, tanto no terceirizado, quanto na estamparia de tecido.”

“Procuro que, desde a tinta, seja brasileira e que toda a mão de obra seja local.”

“E todas as pessoas que estão comigo, ninguém veio, assim, super capacitado.”

“Eu capacitei todas as pessoas.”

 

Natália Rosales, Diretora da Metávila

 

“Eu também acredito que tenha como formar o profissional.”

“Para essa área de e-commerce, de internet, de mídia, a impressão que dá é que os mais novos já chegam sabendo alguma coisa.”

 

 

 

Vocês conseguem buscar formação do time, em algum local, aqui na região sul? Existem escolas e cursos para isso? Do que vocês sentem falta dentro do mercado local?

Bruno Benini, Founder e CEO da Elare

 

“Normalmente, a gente tenta buscar cursos.”

Algumas vezes, mandamos para fora do estado, para poder capacitar.”

“Recentemente, em Caxias abriu uma das primeiras escolas do Rio Grande do Sul, voltadas para marketing digital e e-commerce.

“Normalmente, você forma dentro de casa e paga alguns cursos fora, ou, muitas vezes, aproveita vários portais, como o E-Commerce Brasil, que tem vários Webnars que ensinam a fazer várias coisas.  Tem que ir mais ou menos por esse lado.

Natália Rosales, Diretora da Metávila

 

“Lá na empresa, a gente vê que os próprios funcionários pedem.

“Eles falam ‘Eu vi tal curso em tal lugar, tem condições da empresa me ajudar ou fornecer o curso?’ ”

“A gente conversa e eles vêm para Porto Alegre para fazer a capacitação.”

 

 

Thayná Candido, Founder e CEO da Chica Bolacha

 

“Quem faz as minhas redes sociais e todas as mídias é uma menina que era minha cliente, é jornalista e se enquadra no perfil da empresa.”

“E eu estou sempre capacitando essa funcionária com cursos para que faça um bom trabalho.”

 

 

 

 

Vocês três têm propósitos fortes, que valorizam o estado. Qual foi o propósito do início da sua marca ? O que realmente levou a criar a marca?

Thayná Candido, Founder e CEO da Chica Bolacha

“Meu propósito surgiu porque era muito difícil de encontrar roupas de tamanhos grandes. Era como se o gordo tivesse outro gosto de roupa.”

Eu iniciei a minha empresa trabalhando com tamanhos regulares, até o 44, mas eu vi que entravam mulheres maiores na loja e eu fiquei indignada por elas não poderem comprar as roupas, porque não cabia nelas.”

“Então, eu comecei a expandir, E coloquei na cabeça que eu não faço roupas para pessoas magras ou gordas. Eu faço roupas para mulheres.”

“E as mulheres são de todos os tamanhos. Isso foi muito lógico para mim. Eu comecei aqui em Porto Alegre, mas hoje meu público maior é de São Paulo.”

Quando um negócio começa pequeno, é muito mais fácil crescer através de um nicho. Mas até ser conhecido nesse nicho, é difícil vender. Aí começa a “prostituição”. A gente faz nossos produtos, mas faz outros tipos para quem não quiser os nossos produtos principais. Como foi se manter no mercado e defender seu propósito?

Thayná Candido, Founder e CEO da Chica Bolacha

“Eu sempre tive isso na cabeça: Se você quiser fazer alguma coisa pra ganhar dinheiro, essa coisa não vai dar certo.”

“Aquilo tem que ter uma alma e sua identidade. E o cliente percebe isso, independentemente do lugar que ele tá, em Porto Alegre ou em Londres.”

“Eu sempre coloquei muito a minha identidade na minha marca. Eu que faço todas as estampas, Eu que faço toda a identidade visual. E eu vi que as pessoas estavam gostando disso.”

“Eu fui para São Paulo e as pessoas gostavam disso. Se você acredita na sua marca. Se ela tem sua identidade, tua alma, as pessoas percebem quando uma coisa tem uma alma.”

 

Thayná, você saiu do seu estado e levou a sua marca para outros lugares. Você falou da sua identidade, mas cada região do país é bem diferente. Como se trabalha isso?

Thayná Candido, Founder e CEO da Chica Bolacha

“Mantenha o seu!”

“E as pessoas vão reconhecer que você não é de lá.

“Então, se sua marca é de Brasilia e você vai para São Paulo, mantenha sua identidade, que as pessoas vão reconhecer e valorizar.”

Elas vão dizer “olha só, essa marca é de Brasilia, ela não é mais do mesmo”.

 

Por Rafael Chinaglia, da redação do E-Commerce Brasil

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1 comentário

Comentários

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  1. bBa tarde, é possivel a informação de quais valores os Municipios (municipes) do RS, compram pela internet em 2020? por municipio ?

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