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  Redação E-Commerce Brasil

Amazon detém patente para monitorar seus funcionários

Quarta-feira, 07 de fevereiro de 2018   Tempo de leitura: 8 minutos

E se o seu empregador te fizer usar uma pulseira que rastreia cada movimento seu e até te alerta com vibrações quando considera que você está fazendo algo errado?

E se o seu supervisor puder identificar cada vez que você faz uma pausa para se coçar ou se inquieta, e até mesmo quanto tempo você demorou na sua pausa para o banheiro?

O que pode soar como uma ficção distópica é uma possibilidade para os trabalhadores dos armazéns da Amazon ao redor do mundo. De acordo com matéria do The New York Times, a companhia ganhou duas patentes para tais pulseiras, embora não seja certo que a Amazon planeje produzir o equipamento de rastreio ou usá-los em seus funcionários.

A gigante varejista online, que tem planos de construir um segundo quartel general e recentemente listou 20 potenciais cidades anfitriãs para isso, também é conhecida por experimentar armazenagens com novas tecnologias antes de vender mundo a fora.

A Amazon, que raramente revela informações sobre suas patentes, não estava acessível para comentar sobre o assunto, de acordo com o New York Times.

No entanto, a revelação da patente chega ao coração do debate global sobre privacidade e segurança. A Amazon já tem uma reputação cultural de local de trabalho que prospera em um estilo de administração mais duro e tem experimentado até onde pode forçar funcionários de colarinho branco para atingir suas metas de entrega.

Advogados de privacidade, no entanto, alertam que muito pode dar errado com uma tecnologia de monitoramento diário. Na segunda-feira, a indústria tecnológica foi abalada pela descoberta de que o Strava, um aplicativo fitness que permite aos usuários rastrear suas atividades e comparar suas performances com relação às de outras pessoas correndo ou andando de bicicleta no mesmo ambiente, revelou involuntariamente a localização de bases militares dos Estados Unidos e seus movimentos no Iraque e na Síria.

As aplicações da patente, requeridas em 2016, foram publicadas em setembro (de 2017), e a Amazon as ganhou esta semana, de acordo com o GeekWire, que publicou a divulgação da patente na terça-feira.

Em teoria, a tecnologia proposta pela Amazon emitiria sinais ultrassônicos e pulsantes, além de transmitir via rádio a localização da mão do funcionário em relação aos compartimentos de inventário, fornecendo um feedback para que o trabalhador se dirija a outro compartimento mais correto.

O alvo, segundo a Amazon em sua patente, é agilizar o “consumo de tempo” das tarefas, como respondendo aos pedidos e os empacotando para a entrega rápida. Com o auxílio da pulseira, os funcionários poderiam atender aos pedidos com maior agilidade.

As críticas afirmam que tais pulseiras levantam preocupações sobre privacidade e adicionariam uma nova camada de supervisão ao espaço de trabalho, além de que o uso deste tipo de aparelho poderia resultar em empregados sendo tratados mais como robôs do que seres humanos.

Funcionários atuais e antigos da Amazon alegaram que a companhia já usou métodos similares de rastreio em seus armazéns e não ficariam surpresos se a patente fosse colocada em prática.

Max Crawford, um antigo empregado de um dos armazéns da Amazon na Grã-Bretanha disse, em entrevista por telefone, “depois de um ano empregado na plataforma, eu senti como se estivesse virando uma versão dos robôs com os quais eu estava trabalhando”.

Ele descreveu que tinha que processar centenas de itens por hora – uma situação tão extrema que um dia, ele alega, desmaiou de tontura.

“Não havia tempo para ir ao banheiro”, ele disse. “Você precisa processar os itens em segundos e partir para o próximo. Se você não alcança as metas, é demitido”.

Ele trabalhou em dois armazéns da Amazon por mais de dois anos até desistir em 2015 por motivos médicos: “eu me queimei”, disse.

Crowford concordou que a pulseira pode salvar algum tempo e trabalho, mas ele disse que o rastreador é “perseguidor” e teme que os trabalhadores sejam escrutinados injustamente caso suas mãos estejam “no lugar errado na hora errada”.

“Eles querem transformar as pessoas em máquinas”, ele alegou. “A tecnologia robótica não está alcançável ainda, então, até lá, eles usarão robôs humanos”.

Muitas companhias fazem requerimento de patentes que nunca veem a luz do dia. E a Amazon não seria a primeira empregadora a forçar barreiras em busca de maior eficiência, rapidez e força de trabalho. As companhias buscam cada vez mais introduzir inteligência artificial no espaço de trabalho para ajudar a produtividade e a tecnologia é usada recorrentemente para monitorar os assuntos dos funcionários.

Uma companhia em Londres está desenvolvendo sistemas de inteligência artificial para flagrar comportamentos inadequados no ambiente de trabalho, enquanto outra usa um aplicativo de mensagens para rastrear os funcionários.

Em Winsconsin, Estados Unidos, uma companhia chamada Three Square Market ofereceu aos empregados uma oportunidade de ter microchips implantados sob a pele, segundo eles para aperfeiçoar os serviços da companhia.

Inicialmente, mais de 50 dos 80 membros de operações dos quarteis generais em River Fall, Winsconsin, se voluntariaram.

Fonte: New York Times

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