Redação E-Commerce Brasil

Lojistas se preparam para entrada de novas categorias na Amazon

Quinta-feira, 09 de novembro de 2017   Tempo de leitura: 10 minutos

Surfando a onda dos marketplaces – que, segundo levantamento feito pela Ecommet, já são responsáveis por 25% do faturamento de todo o e-commerce -, a Amazon lançou, em outubro, sua categoria de eletrônicos, e já dá indícios de que não vai parar por aí: segundo fontes escutadas pelo E-Commerce Brasil, que pediram para não ter seus nomes publicados, a gigante americana estaria preparando a entrada de outras categorias ainda para este mês: moda, casa, decoração e móveis.

Elas negaram, porém, que exista uma data específica para a expansão, admitindo que, apesar da movimentação nos bastidores e das conversas já iniciadas com lojistas, mesmo o prazo de novembro pode ser alterado.

A assessoria de imprensa da Amazon, a exemplo do que ocorreu nas semanas que antecederam a chegada do seu marketplace no país, nega a informação.

Mesmo assim, os varejistas já começam a sentir certa euforia com a expansão da empresa no Brasil. Algumas das principais razões para esse clima, nas palavras dos próprios lojistas, são a busca por tarifas mais justas, agilidade no repasse de dinheiro e condições melhores de suporte da plataforma.

Por isso, já existe até quem esteja se preparando para a chegada das novas categorias, apostando no crescimento dos marketplaces no país – os “shopping centers virtuais” tiveram um avanço de 15% no número de vendedores só no primeiro trimestre de 2017.

Dimitri Galucci, gerente de e-commerce da Decor Baby, loja especializada em móveis, decoração infantil e juvenil já se cadastrou na plataforma e aguarda liberação para começar a vender seus produtos. Ele também vende no Mercado Livre e na B2W e enxerga os marketplaces como “mais canais de vendas” que podem ser “desligados” e “ligados” quando for conveniente. “Para nós, a Amazon seria mais um canal de venda, com um grande nome que auxiliaria a gerar mais vendas e a divulgar o nosso negócio”, relatou.

Como a empresa é pequena e não dispõe de um grande capital de giro, Dimitri acredita ser vantajoso expor sua marca ao lado de outras maiores. “Temos nossas políticas internas, por exemplo, de não brigarmos por buybox e por preços baixos”, explicou. Para ele, apesar de muitos concorrentes aparecerem no buybox, a vantagem competitiva acaba sendo a prestação de um serviço de melhor qualidade, que vai além do preço.

E, por falar em taxa, ele classifica o comissionamento da Amazon como “diferente” da praticada no mercado. “Acredito que isso vai mexer com os outros marketplaces, inclusive o Mercado Livre já anunciou redução de tarifa”, pontuou.

O prazo de envio da categoria móveis, porém, deve ser analisada com um cuidado maior pela Amazon, já que o lojista ressalta ser quase impossível, “mesmo para os grandes varejistas”, fazer um despacho de móveis em 48 horas – prazo exigido pela Amazon para a categoria eletrônicos.

“A maioria não trabalha com estoque e tem um tempo de produção maior: não dá para emitir a nota fiscal e fazer a ordem de expedição, separação, e transporte em um tempo tão curto”, ponderou. “Nisso, o Mercado Livre peca e B2W, Magazine Luiza, ViaVarejo e Walmart já são bem mais conscientes”, concluiu.

Avaliação

Mesmo sem ter completado um mês no Brasil, quem experimentou a Amazon já começa a formar sua opinião sobre o marketplace.

Na visão de Bruno Pivetta, CEO da icozweb, que trabalhou na integração de 15 lojas de eletrônicos com a plataforma, a qualidade do atendimento ao varejista é visto como o principal ponto positivo de trabalhar com a Amazon. Ainda assim, a adaptação às peculiaridades do e-commerce brasileiro se mostrou um desafio nesse período de adaptação da americana.

“A integração com a Amazon aqui no Brasil não era igual a que fizemos para lojistas dos Estados Unidos. Por isso, alteramos muita coisa para que funcionasse perfeitamente”, relatou.

Ele também destaca a agilidade da correção de erros como uma vantagem da plataforma. “A documentação da Amazon é muito bem feita, os erros de tradução e a grande maioria de produtos que foram lançados sem atributos [apenas com descrição e código de barras] já foram corrigidos”, explicou. Para ele, esses pequenos erros acabam sendo irrelevantes comparados à quantidade de lojistas que foram integrados.

Carlos Gomes, diretor comercial da Mainshop, loja que já está vendendo na Amazon, também apontou a tarifa e o prazo de recebimento como benefícios interessantes. “Os marketplaces atuais e novos que estão surgindo cobram tarifas exorbitantes que fogem da realidade, tornando os produtos mais caros e impactando negativamente a conversão”, disse.

Segundo ele, o melhor modelo de recebível, entre os marketplaces com os quais trabalha é o da ViaVarejo (antiga Cnova), que ocorre em dez dias. “O intuito de um recebível com prazo menor é ajudar a melhorar o fluxo de caixa, a reposição de novas compras e abastecimento de estoque, tornando o giro cada vez maior”, ressaltou.

A sua expectativa com as vendas na Amazon é aumentar o número de pedidos – e, para isso, ele já está catalogando novos produtos, ajustando regras de frete e revisando sistemas e fluxos. “Queremos comportar todo o fluxo que virá, manter a normalidade da operação​ e contar com uma alta do volume de vendas”, concluiu.

Já para Rodolfo Helmbrecht, gerente de pré-vendas e desenvolvimento de novos negócios da DB1 Global Software e ANYMARKET, o “baixo investimento de marketing” da Amazon pode ser justificado pela grande geração de mídia espontânea do lançamento.

Devido à grande repercussão do canal de vendas, a Amazon trouxe o interesse de novos lojistas e bastante mídia espontânea. Isso gera tráfego, que é o principal objetivo do marketplace”, pontuou. Para ele, com a abertura de novas categorias no futuro, a tendência é que o ciclo: aumento de tráfego, de portfólio de produtos, preços mais competitivos e conversões em vendas se repita. “Agora é aguardar o resultado da Black Friday”, concluiu.

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Por: Alice Wakai, da redação do E-Commerce Brasil

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