Redação E-Commerce Brasil

Em ano de pandemia, alimentos estreia em 3º lugar no Mapa da Fraude

Segunda-feira, 08 de fevereiro de 2021   Tempo de leitura: 7 minutos

Os itens que oferecem liquidez e têm maior procura em mercados paralelos são os mais fáceis de se revender. Por isso, costumam figurar nas categorias que mais sofrem tentativas de fraude todos os anos, segundo o Mapa da Fraude 2020, divulgado pela Clearsale nesta segunda-feira (8). “O fraudador profissional não quer o item necessariamente, pois ele quer transformar o produto em dinheiro. Por isso, tudo que tem mais liquidez, que é mais fácil de ser vendido é normalmente o que aparece com maior risco de fraude”, afirma o executivo.

Em 2020, a categoria mais fraudada foi a de Celular, com 4,24%, e também foi a que teve mais representatividade no volume das análises da Clearsale, representando 15,1% da amostra total. Em segundo lugar, está o setor Automotivo, com 2,22%. Com a pandemia, a categoria Alimentos passou a figurar entre as mais vendidas do e-commerce, o que também elevou as tentativas de fraude do segmento, com 2,10%. Nesta categoria, não entram bebidas porque a representatividade é de menos de 1%, mas são contabilizados os serviços de supermercado e delivery.

Categorias com mais tentativas de fraude

1º) Celular (4,24%)
2º) Automotivo (2,22%)
3º) Alimentos (2,10%)
4º) Eletrônicos (1,99%)
5º) Informática (1,93%
6º) Esportes (1,56%
7º) Eletrodomésticos (1,55%)
8º) Papelaria (1,52%)
9º) Acessórios (1,49%)
10º) Beleza (1,34%)

De acordo com o levantamento, mais de 267 milhões de pedidos analisados, o que totaliza mais de R$ 106 bilhões em transações, e mais de R$ 2,7 bilhões de tentativas de fraudes foram evitadas. “De cada 100 transações feitas, independentemente do segmento, em 96% delas temos alguma informação do CPF”, afirma Omar Jarouche, diretor de marketing e soluções da Clearsale.

Segundo a Clearsale, a quantidade total de tentativas de fraude foi de 3,5 milhões, com valor total de R$ 3,6 bilhões, sendo elas bem-sucedidas ou não. Olhando o cenário de números absolutos, o ano de 2020 teve mais fraudes identificadas nos 20 anos de atuação da empresa no mercado. No entanto, com o crescimento do e-commerce, este crescimento é considerado natural e menor do que as transações legítimas, segundo Jarouche. “O e-commerce cresceu o ano todo por causa da pandemia, com muita gente comprando no online pela primeira vez, mas a taxa média de fraude diminuiu”.

A quantidade de tentativas de fraude em 2020 teve aumento de 53,61% em comparação a 2019. No mesmo período, o crescimento do número de pedidos foi de 73,84%, com alta de 74,15% no valor total de pedidos em reais. Já o ticket médio foi de R$ 1.002,00. “O ticket médio da fraude costuma ser o dobro do vistos nas transações legítimas porque os fraudadores não se preocupam com o preço do produto, mas sim na liquidez da revenda”, explica Jarouche.

Cenário pré e pós pandemia

Por causa da pandemia, que chegou ao Brasil após o Carnaval, o e-commerce se tornou a única opção de compra em muitos casos. Com isso, o número de vendas explodiu, assim como os de fraudes, afirma a empresa. Os dados correspondem ao período de março de 2019 a dezembro de 2019 (pré-pandemia) e março de 2020 a dezembro de 2020 (pós-pandemia).

Fraude em datas comemorativas

A Black Friday é a maior data do varejo online brasileiro, mas como é focada em grandes promoções, não atrai a atenção dos fraudadores na mesma proporção, segundo Jarouche. “O fraudador não está procurando itens mais baratos porque não é ele quem vai pagar por aquela compra. Além disso, para ele não é interessante o site mais lento para carregar ou a maior demora nas entregas das encomendas. Por isso, é mais eficiente comprar em um dia normal e receber no dia seguinte”.

1º) Natal, Dia das Mães e Dia dos Pais (1,36%)
2º) Dia dos Namorados (1,28%)
3º) Dia do Consumidor (1,25%)
4º) Dia das Crianças (1,21%)
5º) Cyber Monday (0,82%)
6º) Black Friday (0,57%)

Os valores percentuais são sobre o número total de pedidos em cada data.

Tentativas de fraude por região

A região Norte teve o maior índice de fraudes, com mais de três tentativas de fraude a cada 100 pedidos. O índice em porcentagem ficou o seguinte: Norte (3,52%), com 2.118.227 pedidos; Centro-Oeste (2,13%), com 7.520.692 pedidos; Nordeste (2,05%), com 20.093.954 pedidos; Sudeste (1,29%), com 77.774.806 pedidos; e Sul (0,76%), com 18.381.097 pedidos). Esses números são baseados no endereço de entrega das encomendas.

Considerando apenas os números absolutos, a região Sudeste ficaria com o maior número de fraudes do país, já que concentra a maioria dos pedidos. “O índice varia muito pela quantidade de transações por região. Como tem muito mais transações no sudeste, a incidência tende a ficar menor. Já no norte, a incidência de fraude fica mais evidente. Não é possível dizer os motivos, mas a distribuição não é igual em todo o país”, diz Jarouche.

Ainda segundo o levantamento, ao contrário do que muitos pensam, a fraude não é cometida isoladamente no meio da noite. A maior concentração de fraudes ocorrem nos dias úteis e em horário comercial: segunda-feira (15,29%), terça-feira (16,57%), quarta-feira (16,81%), quinta-feira (16,47%), sexta-feira (14,43%), sábado (11,09%) e domingo (9,33%). E os horários com mais tentativas são entre 11h e 23h.

Em relação aos meses, o índice aponta o seguinte: janeiro (6,85%), fevereiro (6,44%), março (7,02%), abril (8,58%), maio (9,45%), junho (9,27%), julho (9,47%), agosto (8,01%), setembro (6,75%), outubro (7,90%), novembro (10,37%) e dezembro (9,87%). Segundo a Clearsale, novembro aparece em destaque por causa do pico de vendas da Black Friday.

Leia também: Supermercado e hortifruti: 29% dos consumidores querem mesclar lojas físicas e online em 2021

Por Dinalva Fernandes, da redação do E-Commerce Brasil

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