Impressões sobre o Fórum E-Commerce Brasil 2013 #ForumECB2013

Por Gustavo Santi Segunda-feira, 05 de agosto de 2013

Eis que o Fórum E-Commerce Brasil se consagra o 4º maior evento de e-commerce do mundo.

forumecb2013-auditorioO evento contou com dois auditórios com 800 lugares cada um, uma área de negócios com 56 expositores e mais de 2.500 participantes. Além de uma arena central com um bate papo digital ao vivo da Digitalks com João Kepler, entrevistando um monte de gente bacana (que você pode conferir aqui) e com exposição das startups que foram presenteadas com um espaço no evento pelo Startcommerce , com soluções inovadoras para problemas do comércio eletrônico. Fora o ponto de atendimento do Clube E-commerce Brasil com a equipe que tirava dúvidas sobre o projeto e orientava os participantes do evento.

Ficou difícil acompanhar tudo ao mesmo tempo. Entre palestras, conversas, função de evento, consegui registrar alguns momentos especiais. Segue abaixo algumas impressões do que acompanhei entre os auditórios Doc Searls e Ram Charan, que permaneceram lotados na maioria das palestras.

Começamos o dia com “O novo cenário do consumo no Brasil e como o e-commerce pode explorá-lo” Com Luis Nassif, Comentarista Econômico.

Luis deixou claro que por mais que a tecnologia nos empolgue, em todo esse cenário de oportunidades se tem algo essencial, que é o fator humano. O aspecto emocional e o aspecto da intuição da pessoa é muito mais relevante do que códigos e máquinas ou outros fatores do consumidor.
Quem corre está na frente e quem acompanha o mercado externo tem um diferencial no Brasil, sabido que repetimos com décadas de atraso o que acontece nos mercados mais evoluídos como nos Estados Unidos.

luis-nassif-forumecb2013
Luis Nassif falou sobre a nova classe media. Destacou como comportamento deles não quererem entrar em ambientes luxuosos, por não se sentirem confortáveis com o alto valor oferecido pelas empresas do mercado de luxo. Além de mostrar números comprovando que os consumidores da classe média confiam muito mais nos amigos, na igreja, e nas mídias sociais do que nas propagandas das empresas.

Outra característica apresentada é a do compartilhamento: quando o consumidor compra, ele quer compartilhar a notícia com o vizinho, para se enturmar e saciar a sua necessidade de vitória pública, de estar entre os costumes e moda que impera a cultura local.
O comentarista deixou claro que o mercado físico possui características de volatilidade como: local, clientela, funcionários e maior presença do fator humano. Mas quando se vai para a internet não existem barreiras de conteúdo e as possibilidades são imensas.

Antes eram somente os grandes fabricantes e grandes varejistas que possuíam tudo concentrado. Hoje quando se vê o novo mercado e o mercado de mídia, o jogo é outro. Com possibilidade de articular novas cadeias produtivas.

Luis também falou sobre o relacionamento online. Quando se entra no caminho de criar comunidades de relacionamento não é a maquina que irá realizar esse serviço. Existem formas que transcendem as máquinas, pois o grande vendedor tem que ter a intuição de entender o povo e a característica dele (aquela coisa da Empatia, de se colocar no lugar do outro).

Para finalizar, Luis Nassif deixou claro que um bom gestor de E-Commerce tem que ter em mente as grandes mudanças que estão sendo operadas na cabeça da juventude, nas redes sociais, nas manifestações e que se refletem no comercio eletrônico e na internet em geral.

Em seguida, no mesmo auditório, tivemos o  Talk show: “Do início à maturidade do e-commerce no Brasil” com Jack London entrevistado por In Hsieh.

O cara é um precursor do e-commerce no Brasil, Fundador da Booknet e Consultor de negócios.

jack london - forumecb2013
Jack falou sobre a legislação para o e-commerce, disse que o varejo online vem sendo tratado de uma maneira muito agressiva e inadequada, como se fossemos vândalos do mercado. E analisando todo o poderio legislativo da coisa, falou sobre a Senacom controlar a operação do comércio eletrônico, já que é um órgão do ministério da justiça, um trabalho que tem que ser controlado por um órgão quase policial.

Para fazer uma comparação entre o varejo físico e o online, Jack expôs como a grande mídia trata o comércio eletrônico. Nenhum repórter da grande mídia criticou as lojas físicas, mas quando acontece algo na internet é como se fosse um escândalo. E disse ainda que esse é um dos problemas que temos que enfrentar e resolver a curtíssimo prazo.

Citando as grandes revoluções da história, especificamente entre 1450 e 1800,  Jack falou da importância de Guttenberg ao imprimir livros mesmo com apenas 6 mil pessoas que sabiam ler na época, entre padres, monges e governantes. O que ele quis dizer é que o livro foi uma nova forma de linguagem, onde poucos acreditaram no que Guttenberg estava fazendo.
Quando In Hsieh  perguntou sobre o futuro, Jack respondeu que hoje passamos por uma nova revolução, que é a da linguagem digital. Essa que está a ponto de ser superada por linguagens mais ágeis, sem tablets, sem celulares, ou pcs. Uma linguagem que será inoculada no corpo humano, onde experiências já estão sendo realizadas, retirando 4 gramas de DNA do corpo humano, podendo no futuro obter toda a sabedoria humana existente nos dias de hoje por meio de dados do corpo humano. Parece ficção cientifica, mas ha 30 anos atrás, a internet era uma ficção tão grande quanto as afirmações que a ciência começa a fazer hoje.

O papo com Jack London foi tão bom que muitos sugeriram que ele fosse colocado na programação por mais tempo, pela sua profundidade de conteúdo e sabedoria.

A outra palestra que lotou o auditório a pontos das pessoas ficarem de pé foi “Vídeo: seu novo aliado para engajar o consumidor e vender mais” da Claudia Sciama, diretora de Negócios para o Varejo do Google.

Não foi à toa. A Claudia sabia muito bem do que estava falando. Ela é daquelas pessoas que não olham para os slides enquanto está falando no palco, fácil se perceber que ele tem propriedade do que está falando.

claudia sciama - forumecb2013
Claudia apresentou dados interessantes sobre o vídeo. Começando pela história, onde o vídeo já é querido pelos brasileiros há muito tempo. Seguido de outros pontos interessantes:
– O computador é o equipamento com maior uso seguido da televisão.
– Somando as horas na frente da tela do computador, as pessoas ultrapassam as horas na frente da televisão.
– 86% assistem videos online no Brasil.
– 176 videos assistidos por pessoa/mês.

Claudia apresentou exemplos interessantes de vídeo que são utilizados por grandes empresas. O primeiro exemplo foi do Pão de Açúcar, com vídeo da Clarissa Falcão. Um video institucional com o objetivo principal da campanha. E destacou que o vídeo online complementa campanha Offline.

As novas funcionalidades que permitem a interação do consumidor no vídeo aumentam as chances de atingir o seu target, como permitir que a pessoa clique em qualquer lugar do vídeo (adicionando um special annotation).

Claudia frizou de que nada adianta fazer só um vídeo sem objetivos. Uma estratégia de video tem que estar sempre alinhada com o objetivo de marketing. E para isso é preciso desenvolver um conteúdo para poder falar com o usuário ou se apropriar de um conteúdo existente que tenha sinergia com o seu negocio e levar fluxo para o objetivo.

Outro case apresentado foi do conteúdo de video exclusivo para internet da C&A. Um canal com 4 blogueiras onde dão dicas sobre moda. Muito acessado pelo perfil de mulheres que buscam esse tipo de conteúdo. E a C&A é patrocinadora exclusiva do canal pelo 2o ano seguido. http://www.youtube.com/moda – E o mais curioso é que a C&A não tem e-commerce, somente um catálogo de produtos. E toda ação feita na tv é jogada para internet, complementando a ação offline e gerando tráfego para a loja física.

Outro exemplo bacana foi da Mobly – com um vídeo institucional, 100% online e sem ofertas. Para conseguir gerar conhecimento de marca na cabeça das pessoas.

Outro exemplo muito bacana de ação com vídeo foi o da Asos: um editorial para vídeo. Abaixo vc vê a banda inglesas A*M*E, e ao passar o mouse vc consegue visualizar o produto e comprar direto no site.
ASUS - BAND- forumecb2013Veja mais sobre o canal aqui: http://www.youtube.com/user/ASOSfashion

Claudia deixou mais algumas orientações básicas para vídeos:
– Cativar a audiência nos primeiros 5 segundos do video;
– Teste eficiência do video, quantidade de visualizações e validação;
– Incentive inscrições no canal – um seguidor é um heavy usar do canal;
– Sofistique sua estratégia com remarketing – do brand para a compra, continuidade de comunicação;

“Todo o varejista deveria ter parte do seu catálogo em video para aumentar as chances de interação com o consumidor.”

Ainda no auditório Ram Charan, acompanhei a palestra “How can social have a role in revenue and growth” com Adriana Llames, vice president de marketing digital da Sears.

adriana-sears-forumecb2013-ecommerce
Adriana citou os pontos principais das mídias sociais e falou sobre a evolução constante dos números e da importância deles para poder mensurar dados e traçar novas estratégias, coisa que poucos varejistas fazem ao se preocupar apenas em produzir e compartilhar conteúdo ao vento.

Um dos slides que mais me chamou a atenção foi o “KPIs for makeithappen”
Você só consegue fidelizar o seu cliente e garantir o crescimento com a força da mídia social com bons números que indicam a performance das suas ações. E no comércio eletrônico é preciso muito mais do que compartilhamento, é preciso dar um gift card para atrair o cliente, alimentar a newsfeed onde ele te segue, pensar nos posts patrocinados, integração com a tv quando possível e realizar ações de fidelização com os clientes existentes em outras ferramentas além do Facebook.

Adriana falou da estratégia de realizar ações em conjunto com os Techlebritys (celebridades virtuais), que geram ainda mais engajamento para a marca pelos consumidores que o seguem, de acordo com o objetivo de marketing das ações online.

Entre os exemplos citados foram da @virginamerica e @target, que vale acompanhar para aprender junto com eles.

Adriana disse que para a Sears a entrada nas mídias sociais foi algo natural, assim como a entrada em novas tecnologias e mudanças do mercado. Diferente do que ainda vemos aqui no Brasil.

E das ultimas dicas deixadas pela Adriana: “use a mesma hashtag em todos os canais e abuse da contação de histórias para engajar a sua base de clientes.”

@adrianallames

Por último, acompanhei o painel “MarketPlaces: Repensando canais de venda” Com Vicente Rezende, Francisco Donato, Leandro Soares e Ricardo Jordão.

O painel pegou fogo com as provocações. Gerou discussões interessantes sobre coisas que poucos tem coragem de falar e repercutiu nos comentários durante o bate papo entre os heads do marketplace.

Pedro Donati (mediador do painel) perguntou “De quem é o cliente?”
“O cliente é do logista e nao do marketplace” (Ricardo Jordão)

Ricardo mostrou-se um grande defensor do modelo do marketplace. Desde o tempo de Roma onde bazares eram lugares onde as pessoas mais frequentavam, na época, para comprar coisas, comprovando que o shopping de rua tem a preferência do consumidor.

Dentre os demais benefícios apresentados, destacaram que o marketplace oferece audiência, acesso, possibilidade de transparência do vendedor.
Debatedores discutiram os modelos de negocio do Extra, da Amazon, Walmart e Rakuten. Quem envia spam? Quem projete mais o lojista? Quem permite aquilo, quem permite isso? Foram várias cutucadas durante o bate papo que demonstraram a característica de cada negócio.

E para fechar, Pedro Donati tocou no assunto dos marketplaces de nichos. Francisco Donato falou dos exemplos como elo7 e Estantevirtual. Markplaces de nichos ainda têm muito a avoluir e mostram-se uma garnde oportunidade de investimento para diversos setores.

Mas um fator muito importante destacado foi  da responsabilidade jurídica da venda, que nos modelos citados, o marktplace é totalmente responsável pelas vendas. E para isso, não basta ao lojista querer entrar no marketplace, deve haver uma avaliação de qualidade para que ele possa fazer parte.

O debate fechou as atividades do evento no auditório Doc Searls com gostinho de quero mais. Com algumas perguntas não respondidas mas com uma dose grande de inspiração para os lojistas, gestores de e-commerce e profissionais em geral que presenciaram o conteúdo apresentado durante o evento.

Abaixo, alguns tweets destacados que vale a pena retuittar:

https://twitter.com/pedrodonati/status/363639076999557120/photo/1

https://twitter.com/daniellsiqueira/status/363732318777004032

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  1. O evento foi magnífico!! Grandes nomes de grandes players na internet nos prestigiaram com dicas e informações atuais e muito valiosas. O tempo para network foi extremamente importante, nos proporcionando momentos de relacionamento com pessoas que antes conhecíamos somente por e-mail e telefonemas! Pode-se considerar que esse evento é um dos mais importante do mundo em relação a E-commerce e todo ambiente digital!! Superou minhas expectativas!!! Toda a equipe do evento está de Parabéns!!!! Muito obrigada pela oportunidade de aumentar ainda mais meus conhecimentos nesse instigante e desafiador mundo digital!!!

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  2. Jack London, foi o máximo! Tocou em assuntos de enorme importância, uma vez que muitos estão entusiasmados com o crescimento das vendas, eles alertou pelo fato de como as autoridades estão olhando e tratando as lojas que operam e-commerce no Brasil. Já passou da hora dos lojista virtuais se unirem em prol de uma legislação especifica e coerente no tocante á e-commerce. Ele também deu uma aula de visão de negócio prevendo (com dados e fatos) uma mudança radical na linguem do e-commerce em um futuro não muito distante. Ótimo o evento!

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