Uma previsão sobre Marketplaces

por Mauro Tschiedel Quarta-feira, 12 de abril de 2017   Tempo de leitura: 3 minutos

Este texto será um um pouco diferente daqueles que estou acostumado a escrever. Estou escrevendo para que fique registrado a forma com que vejo os e-commerces de moverem no mercado de marketplaces.

Para facilitar o entendimento, vou dividir os marketplaces em dois tipos de players: o primeiro é aquele no qual as pessoas/empresas publicam seus anúncios sem muitas restrições (Mercado Livre, OLX e similares) e o segundo são aquilo que chamo de novos marketplaces (CNOVA, B2W, etc).

Ambos estão concorrendo pelo mesmo público, porém os conceitos presentes na mente dos consumidores são completamente diferentes. O que são estes conceitos?

  • Um cliente que compra no Mercado Livre sabe que não é o próprio Mercado Livre que está vendendo, e sim um outro vendedor. Então, o Mercado Livre é só um intermediador da transação, sendo que a credibilidade da venda será conferida ao vendedor e não ao Mercado Livre. 
  • Nos novos marketplaces (na maioria das vezes) o cliente compra achando que está comprando do Ponto Frio, Casa Bahia, etc, pois a credibilidade da compra parece ser do intermediador e não do vendedor real.

O que vejo neste mercado é um movimento interessante: num primeiro instante parece que ambos estão indo para o mesmo lado. Aparentemente os novos estão entrando no nicho que era exclusivo do Mercado Livre. Sim, até pode ocorrer sobreposição do mercado um do outro em algum momento.

Em um segundo momento, temos um movimento que considero muito mais importante que a sobreposição e que eu chamo de “Inversão de Posição”.

A inversão que imagino é o Mercado Livre tentando tornar-se um marketplace de lojas mais sérias, com mais credibilidade. Enxergo isto baseado no principal movimento feito no sentido da criação das ‘lojas oficiais’, onde elas são tratadas de forma diferenciadas dentro do marketplace.

Nos últimos dias vimos também alterações na forma de atribuir a reputação dos vendedores. O principal ‘aperto’ se deu no prazo de postagem, que, entre outras mudanças está forçando os lojistas a terem estoque, tornando o dropshipping algo ruim. Isto mostra que o movimento é para profissionalização dos participantes, pois, manter estoque e postar com agilidade exigirá um nível organizacional diferente do que se vê no dia a dia.

Já do outro lado (dos novos marketplaces) temos movimentos inverso: vemos a entrada de novas lojas que vendem creme ageless e nobreak, demonstrando baixa especialização no seu mercado. Empresas com informações desencontradas, por exemplo. Dias atrás recebi imagens de um mesmo produto, com preços diferentes. Lojas vendendo por meio de dropshipping diretamente da China.

Na minha leitura externa o sucesso ficará com o Mercado Livre, pois ele está criando a credibilidade, já os novos marketplaces que tinham credibilidade serão impactados negativamente, inclusive com perda da sua credibilidade.

Em momento algum estou falando que estão errados, só estou tentando criar um panorama futuro do mercado de marketplaces. Estou relatando um movimento de mercado que visualizo e muita gente deve ter notado também.

Sei que posso estar redondamente equivocado, por isto este texto é muito mais um relato para ver se no futuro “mordo a língua” ou se poderei dizer, “é…eu estava certo”.

Quando é este futuro? Não sei. Alguns players estão em tempo de mudar a rota, serem comprados, etc…ou seja, existe muitos fatores ainda estão em jogo. Você concorda? Discorda? Comente abaixo, vamos discutir o assunto!

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1 comentários

Comentários

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  1. Bom dia, Mauro, tudo bem? Ótima reflexão. Poucos perceberam essa movimentação do ML, que já acontece tem algum tempo. Vejo isso como um processo de amadurecimento e experiência do ML. Enquanto os demais marketplaces são bem novos, o ML já tem uma longa estrada percorrida e, com isso, muita, mas muita experiência. Do outro lado estão os marketplaces “novatos”, talvez ainda em busca de rentabilidade real, talvez ainda em busca de volume de SKUs, pedidos, faturamento. Como acompanho bem de perto, vejo um “mar vermelho” (Fazendo meção ao livro “A estratégia do oceano azul”) onde estão todos os estes marketplaces, onde o que importa é o crescimento a qualquer custo. Talvez o Walmart não se enquadre bem neste perfil, pois são muito mais seletivos e exigentes. Vamos ver as cenas dos próximos capítulos. Deixo aqui minha página no Facebook onde compartilho diariamente notícias relevantes sobre marketplace no Brasil, onde vou compartilhar também este seu artigo, ok. Parabéns novamente. Abs https://www.facebook.com/marketplacebr/

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