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Aumento do valor dos fretes, novas regras e uma conta que não fecha

por Pedro Guasti Quarta-feira, 13 de março de 2019   Tempo de leitura: 5 minutos

Após um longo período recessivo, que castigou severamente a indústria e o comércio – físico e digital –, finalmente estamos diante de uma nova perspectiva de crescimento econômico. Agora há mais abertura para o diálogo com as esferas governamentais, cujas propostas sinalizam, em sua maioria, um ambiente de negócios fértil e promissor.

Contudo, não bastasse a excessiva carga tributária acorrentada como uma bola de ferro no tornozelo da sociedade brasileira, novas regras, normas e reajustes surgem, diariamente. E isso retarda ainda mais os avanços conquistados a duras penas por empresários, consumidores e agentes sociais, que lutam em defesa da livre-iniciativa e da modernização do País.

Fretes

Prova disso e na contramão da modernidade que tanto buscamos (e precisamos), algumas empresas estatais insistem em sobrecarregar o cidadão com medidas que não condizem com a real situação do Brasil. A exemplo do anúncio recente sobre o aumento médio de 8,03% no valor dos fretes realizados pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT).

Vale lembrar que o planejamento estratégico anual das empresas – que inclui principalmente o budget –, é definido no fim ano anterior, levando-se em consideração todas as variáveis de custos. O plano de ação é previamente traçado com base nos recursos disponíveis para o próximo período. Obviamente tendo em vista as margens necessárias nos casos de cenários adversos, mas que não extrapolem de forma significativa o momento atual.

Embora pouco abaixo do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) de 2018 (8,74%), como alegou a estatal, o porcentual ultrapassa e muito o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede oficialmente o nível da inflação. De acordo com o último relatório Focus, divulgado pelo Banco Central no dia 25 de janeiro deste ano, a previsão é de que o IPCA seja de 3,85% em 2019. Ou seja: o aumento equivale a mais do que o dobro.

Quem pagará os fretes?

Nesse caso, a elevação dos fretes, que entrou em vigor no dia 6 de março, causará um impacto negativo estimado em pelo menos R$ 150 milhões ao comércio online nacional. Esse cálculo foi realizado pelo Conselho de Comércio Eletrônico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP), com base na participação dos Correios de entregas/remessas no ano de 2017. De acordo com as informações divulgadas no início em fevereiro pela Ebit/Nielsen, em 2018 as vendas digitais faturaram R$ 53,2 bilhões. Esse número é equivalente a uma alta de 12% em comparação ao registrado no mesmo período de 2017.

Os indicadores mostram de fato o crescimento do setor que, infelizmente, poderá sofrer um movimento de queda. Isso porque a conta desse reajuste elevado terá de ser paga por empresários e consumidores, já sem fôlego para outro aumento no bolso.

Desde que a medida foi colocada em questão no início deste ano, o Conselho de Comércio Eletrônico da FecomercioSP reuniu representantes dos Correios e empresários do comércio digital para que as reais necessidades do segmento – e de seus consumidores – fossem expostas e debatidas. Isso para que ambas as partes chegassem à uma solução equilibrada para minimizar os impactos a todos os agentes envolvidos.

O anúncio inesperado, no entanto, mostrou que os argumentos apresentados pelas empresas foram deixados de lado. Não nos esquecendo de que, ainda segundo dados da Ebit/Nielsen, as micro e pequenas empresas detêm entre 10% e 15% do e-commerce brasileiro. Retomando o impacto negativo, teremos aumento de custos principalmente para essa faixa empresarial. Afinal, ela não possui escala que justifique a contratação de serviços de empresas de logística privadas.

Como se vê mais uma vez, estamos prestes a arcar com mais um dígito na conta. Indecifrável. E que nunca fecha.

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