Transformação de consumo: e-commerce entra de vez na agenda supermercadista

por Fernando Bravo Quinta-feira, 15 de outubro de 2020   Tempo de leitura: 4 minutos

Os últimos blocos de folia mal tinham passado e de repente nos vimos trancados dentro de casa. A pandemia do novo coronavírus chegava ao Brasil. Impedidos de sair, fomos obrigados a comprar mais online. Tanto que as vendas pelo e-commerce saltaram 47% no primeiro semestre na comparação com igual período do ano passado, segundo relatório da Ebit|Nielsen.

É verdade que essa mudança de comportamento já vinha ocorrendo. A previsão de crescimento para 2020, inclusive, era de algo próximo a 20% segundo a própria Ebit. Mas é inegável que o isolamento social colaborou — e muito — para essa que é considerada a maior alta dos últimos 20 anos.

A mudança impulsionou também o e-grocery, a digitalização dos supermercados, considerado um dos nichos mais resistentes ao e-commerce. Resistir à mudança nunca é bom, mas nesse caso é compreensível. Afinal, escolher fruta, verdura ou carne não é algo padronizado como roupas ou calçados. Envolve uma cadeia logística truncada, com carros refrigerados, embalagens especiais, modelos de pagamentos e entregas que vão além do tradicional e-commerce. Mas avançaram. Muitos empreendedores precisaram redesenhar e acelerar a sua experiência digital em tempo recorde para atender à essa demanda renovada. Uma demanda que tende a se acentuar ainda mais, na medida em que as mudanças adotadas como formas de segurança durante a pandemia, se tornarem hábitos.

O fortalecimento dos canais digitais

Eu poderia citar vários exemplos, mas vou me ater àqueles que estão diretamente ligados ao deslocamento. Afinal, eles trazem uma mudança cultural que irá reverberar diretamente no varejo e na forma de consumo. No geral, as pessoas se deslocavam em busca de conhecimento (para as escolas, faculdades, cursos de aprimoramento) e para o trabalho. E, agora, isso tudo ocorre dentro de casa com a perspectiva de se tornar assim permanente. Claro que não será para todo mundo. Mas uma pesquisa da FIA (Fundação Instituto de Administração) feita com 139 empresas de diferentes tamanhos mostra que 70% delas pretendem manter o trabalho remoto para pelo menos 25% dos funcionários quando a pandemia da Covid-19 tiver terminado.

Isso significa que a função social das casas também será revista, já que as pessoas irão procurar casas mais espaçosas para trabalhar e conviver com a família, pois passarão mais tempo ali. Então, isso terá um impacto também na cadeia imobiliária. Que, aliás, já começou. Segundo a startup Quinto Andar, a busca por imóveis com quatro quartos aumentou 58%, enquanto a busca por aqueles de dois quartos caiu 22%.

Essas mudanças mostram que as pessoas procuram soluções mais confortáveis para ficar em casa. E, indiretamente, fortalecimento dos canais digitais de venda. Não por acaso a Amazon, que é uma empresa omnichannel global de e-commerce, alcançou o maior lucro trimestral de sua história entre abril e junho deste ano! Isso só comprova que existe uma demanda gigante para os próximos anos por soluções de venda à distância.

Mundo omnichannel

Apesar disso, nós, que somos especialistas em e-grocery, acreditamos que as pessoas serão cada vez mais omnichannel — elas vão transitar entre os mundos online e offline, sem um eliminar o outro. Mas, para isso, os empreendedores terão que oferecer soluções que gerem experiências positivas tanto digitais quanto físicas.

A Opinion Box e a Social Miner fizeram uma pesquisa utilizando uma base de 41 milhões de cadastros e concluíram que 62% dos consumidores pretendem mesclar as compras de supermercados e feiras entre online e offline no pós-pandemia. Olha só: de cada dez consumidores, seis vão alternar as compras entre as lojas físicas e o smartphone. Eles vão apenas escolher momentos distintos para aparecer. E você precisa estar preparado para recebê-los. Seja qual for o canal escolhido.

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