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O potencial da América Latina e as tendências do e-commerce para 2022

Por: Jaque Benachio

Graduada em Marketing pela USP com MBA em Business Management pela FGV-SP, atua como Success Account Director na VTEX. Experiência anterior focada em operações, marketing e vendas, tendo liderado o canal de varejo online na Samsung e participado de implementações como e-commerce DTC e canais de marketPlace e omnichannel.

Segundo dados do relatório eMarketer | Insider Intelligence, a região da América Latina teve novamente destaque em 2021 e consolidou-se de vez como um dos principais mercados de digital commerce no mundo, crescendo mais de 35% em relação a 2020.

Em 2022, esse crescimento acelerado deve se manter e chegar a 20,4%, liderado por Brasil, México e Argentina. Será, então, a segunda região com maior potencial de crescimento global, atrás apenas do Sudeste Asiático, que prevê crescer 20,6%.

O potencial de crescimento de ambas as regiões é fortemente impulsionado pelo aumento do número de compradores digitais vindos da expansão do acesso da classe média a esse canal de compras. Ainda assim, há uma baixa penetração do comércio eletrônico nessas regiões, em especial na América Latina, que está em torno de 6%.

Se analisarmos a baixa penetração de mercado e as perspectivas de crescimento futuro – até 2025, estima-se que todos os países da América Latina terão avanços acima de dois dígitos percentuais ao ano no que diz respeito a vendas online -, conseguimos vislumbrar o leque de oportunidades que temos em nossas mãos.

Porém, estarmos cientes dessas oportunidades e desse crescimento não significa nada se não nos prepararmos adequadamente para esse futuro.

O que nos espera no futuro

A única certeza que temos quando se trata de comércio é que o comportamento do consumidor vai mudar. E, nos últimos dois anos, lidamos com muito mais mudanças de comportamento do que nas últimas duas décadas.

Isso nos faz pensar que, ao seguir alguma tendência, podemos estar nos expondo a determinados riscos que, muitas vezes, não estamos dispostos a correr. Seja por medo dos custos envolvidos, da probabilidade de aquilo se tornar obsoleto em pouco tempo, seja por não querermos associar nossa marca a algo desconhecido ou simplesmente por não acreditarmos no seu potencial.

Porém, enfrentar esses riscos nos torna cada vez mais resilientes às novas mudanças que definitivamente ainda estarão por vir, e nos aproxima cada vez mais dos nossos consumidores e de suas necessidades latentes.

É com esse pensamento que devemos então buscar quais são as tendências que mais se encaixam para nós e, para isso, um bom começo pode ser observar as tendências já consolidadas em regiões vizinhas mais desenvolvidas. Nesse cenário, temos os Estados Unidos, que possuem mais compradores online do que o total da população brasileira (cerca de 218 milhões de compradores). Considerando o perfil de consumo semelhante entre os países, podemos nos espelhar no que está dando certo lá e refletir nos nossos e-commerces aqui.

Podemos pensar, por exemplo, que o Cross Border se popularizou com a Amazon em 1994 e que, apesar de estar em evolução, ainda é muito tímido no Brasil. A probabilidade de crescimento desse modelo de negócios aqui no Brasil é, portanto, bastante elevada.

Mas, afinal, quais são as tendências a que devemos estar atentos?

1. Mobile Phone e as Ferramentas de Vendas Sociais

Mobile Phone

Em 2021, atingiu-se o recorde histórico de tráfego e vendas online gerados através de dispositivos móveis no mundo. Essa tendência não dá sinais de retrocesso. Portanto, possuir um site mobile-friendly tornou-se hoje mais do que uma inovação, mas uma necessidade de sobrevivência.

Além de um site responsivo para mobile e um APP nativo ou PWA, é importante também pensar em como suas ações de marketing podem se adaptar a essa nova realidade. À medida em que dispositivos móveis facilitam o consumo “on-the-go”, é necessário adaptar a estratégia da sua empresa para essa realidade e, nesse sentido, ferramentas de Social Commerce ganham cada vez mais tração e se tornam um grande diferencial competitivo frente à concorrência.

Segundo pesquisa realizada em 2021 pela All iN | Social Miner, 76% dos consumidores já recorrem às redes sociais para pesquisar itens que desejam comprar, sendo Instagram a rede mais acessada (62%), seguida pelo Facebook e Google Shopping (ambos com 61%) e WhatsApp (37%).

O uso das mídias sociais possibilita novas formas de interação entre os varejos e seus clientes que prometem revolucionar a forma como compramos online.

Conversational Commerce & Personal Shopper

Entre as ferramentas em ascensão, temos o Conversational Commerce e o Personal Shopper que redefinem e trazem o conceito de concierge para o ambiente digital. Seja através de ChatBots, Inteligência Artificial ou até mesmo operado por humanos, essa experiência de compra avançada pretende deixar o nosso conhecido navegador em desuso e garantir a experiência 360º do consumidor, que poderá, numa mesma plataforma, navegar pelo catálogo, receber recomendações, tirar dúvidas, pedir e receber descontos até efetivamente comprar, realizar o acompanhamento da entrega e ainda tratar de trocas, devoluções e suporte pós-venda dos produtos adquiridos. Nada menos do que conforto, conveniência e personalização da experiência de compra num só lugar!

Em pesquisa realizada Global Mobile Messaging Forecast, apenas em 2021, mais de 3,09 bilhões de usuários utilizaram apps de mensagens por mês em todo o mundo. O Brasil é o país que mais acessa APPs no mundo: em média, o brasileiro passa 5,4 horas navegando em aplicativos por dia – nos EUA, a média é de 3,9 horas/dia. Os APPs mais visitados são WhatsApp, TikTok, YouTube, Facebook e Instagram e, durante esse tempo em que navegam pelos APPs, de acordo com a pesquisa da Panorama Mobile Time/Opinion Box – Uso de Apps no Brasil, 78% dos usuários de WhatsApp e 59% dos usuários do Instagram se comunicam com marcas pela plataforma.

Considerando que o consumo sem contato físico vem crescendo desde o início da pandemia, mas no fundo o consumidor sente falta de interação social durante esse processo de compra, o Conversational Commerce e o Personal Shopper aparecem como ferramentas inovadoras e que juntam essas necessidades justamente nas plataformas e APPs que estão em alta no dia a dia dos clientes.

Live Commerce

Outro exemplo bastante conhecido é o de Live Commerce, que explodiu na China em 2016 e já representa 37% das vendas sociais no país, e que também chegou para ficar na América Latina. Essa ferramenta permite que empresas promovam seus produtos, se comuniquem diretamente com o consumidor, mostrem detalhes, avaliações e recomendações sobre seus produtos e, principalmente, realizem as vendas em tempo real, tudo em um só lugar.

Ao oferecer uma experiência de compra imersiva, o Live Commerce também mantém os espectadores envolvidos e cria uma conexão mais profunda com o público que se assemelha à experiência da compra presencial, mas com o conforto de os consumidores poderem realizá-la na palma de suas mãos.

2. Realidade Virtual e Realidade Aumentada

Com a tecnologia em constante evolução, o uso da realidade aumentada (AR) e da a realidade virtual (VR) tornará a experiência de compra cada vez mais imersiva para os consumidores. Em um futuro breve, os compradores irão inclusive ter conversas virtuais cara a cara com uma marca, como se estivessem de fato vivendo a experiência de dentro de uma loja.

A diferença entre elas deve-se basicamente ao fato de que enquanto a Realidade Virtual cria novos ambientes virtuais, totalmente independentes do mundo real, a Realidade Aumentada trata de inserir componentes digitais – visuais, auditivos e sensoriais – no mundo virtual em que vivemos.

Hoje, essas tecnologias já vêm sendo utilizadas no setor de idiomas, como no caso da Cultura Inglesa, no setor de games, com a Activision e a Microsoft, e Cassinos Online, como a Betway. A medicina, a engenharia e até o mercado Fitness também já estão alavancando essa tecnologia, utilizando por exemplo simuladores e showrooms com experiência imersiva.

Realidade Virtual

O avanço da Realidade Virtual pode ser observado com a expansão do Metaverso, que culminou inclusive na mudança de nome do gigante Facebook e vai muito além de avatares e interação social. Será um ambiente de geração de negócios!

O Metaverso já possui sua própria economia. As pessoas podem trabalhar e comercializar produtos e serviços, como adquirir casas, comprar roupas, se alimentar, frequentar espaços de lazer, de beleza e ter uma vida social completamente online. Essa economia está construída em Blockchain e faz uso das criptomoedas, NFTs e outras tecnologias.

As criptomoedas surgiram em 2018, com o Bitcoin (BTC), e são o meio de troca utilizado no Metaverso. Já as NFTs (tokens não fungíveis) são certificados digitais inalteráveis que garantem autenticidade e servem para registrar e negociar propriedades e itens virtuais.

Já observamos, por exemplo, o registro de patente da CVS – maior rede de farmácias dos EUA – para venda de remédios e produtos de uso pessoal dentro do metaverso. A Nike e o McDonald’s também entraram na onda e já patentearam suas marcas no Metaverso, possibilitando a compra de seus produtos digitais para uso exclusivo dentro desse ambiente. Até shows, como o da cantora Ariana Grande, já foram realizados por lá.

E não pense que o Brasil está de fora dessa. A Renner fechou uma parceria com a Fortnite e abriu uma loja dentro do jogo, possibilitando que os usuários escolham suas estampas preferidas para utilizarem enquanto jogam. Pesquisas como a da Bloomberg Intelligence estimam que esse mercado chegará a transacionar, já em 2024, aproximadamente R$4,5 trilhões.

Realidade Aumentada

A Realidade Aumentada, por sua vez, já se mostrou revolucionária desde a febre de games como Pókemon Go, o qual insere objetos virtuais em nossa realidade para que possamos “caçá-los”, sem contar as famosas imagens de animais em 3D que encontramos no Google e projetamos dentro do ambiente em que estivermos.

Mas como faturar com isso?

A criação de lojas e showrooms com essa tecnologia também já acontece. Para compra de móveis e decoração, o fato de podermos projetar mobílias e objetos decorativos num ambiente, sem necessariamente termos as peças físicas no local, auxilia no processo de convencimento e encantamento dos clientes, além de ajudar muitos arquitetos em seus projetos.

Provadores virtuais nos quais os clientes de fato se veem vestindo as peças de roupas sem necessariamente prová-las, todos os tipos de maquiagem e colorações de cabelo e unhas também já podem ser vistas nos próprios usuários antes mesmo de serem adquiridas e aplicadas.

No turismo, com a câmera do celular em aplicativos, já podemos visualizar mapas com Realidade Aumentada e termos um melhor guia de caminhos e pontos turísticos. Sem contar que, na educação, aulas interativas que podem levar os alunos para dentro de um castelo na Idade Média. Na Medicina, um diagnóstico ou análise de radiografias e tomografias que reproduzem os órgãos em formato 3D e podem levar a tratamentos mais adequados para o paciente.

A lista é longa e as possibilidades que essas tecnologias trazem são diversas e você pode começar de forma simples. Por que não promover no seu APP uma “Caça aos cupons”? Sem dúvida, irá divertir seus clientes e criar bastante buzz para sua campanha.

3. Uso de tecnologias de ponta

Já que estamos falando em constantes mudanças e na importância da alta capacidade de adaptação a elas, não podemos ignorar como a escolha correta por tecnologias, sistemas e aplicações de ponta se faz necessária nesse contexto.

Em se tratando de comércio eletrônico, um dos pilares mais importantes para construção de um site é a liberdade. As marcas querem ter o poder de se expressar com seus consumidores de acordo com seus valores, querem enriquecer a jornada de compra através de customizações que atraiam, engajem e aproximem o consumidor. E mais, querem gerenciar essa experiência de compra das mais variadas formas possíveis.

À medida que o comportamento do consumidor evolui, a tecnologia utilizada pelas marcas precisa se adaptar e evoluir junto. Para isso, muitas empresas optam por adotar o sistema de Headless Commerce.

O Headless Commerce trata de individualizar o Front-End e o Back-End e trabalhá-los como sistemas separados. No Headless Commerce, a integração entre esses dois componentes (front e back) acontece integralmente por meio de APIs – Interface de Programação de Aplicações. Dessa forma, mudanças e otimizações no site podem ser tratadas individualmente no contexto apenas daquilo que terá alteração, reduzindo tempo de projetos que antes eram complexos por exigirem alteração do sistema como um todo e tornando a interface e as experiências para os consumidores muito mais fáceis e ricas.

Outros benefícios do Headless Commerce são:

  1. Time-to-market e economia de tempo em TI: lançamento de features de front-end de forma ágil sem necessidade de gastos com desenvolvimentos caros no back-end. Novas aplicações e integração com parceiros podem acontecer com codificações simples e poucos cliques, possibilitando experiências avançadas num curto período de tempo;
  2. Facilidade de uso pelas equipes internas: sendo um modelo simples, a curva de aprendizado desse sistema é menor e todos da sua equipe conseguem utilizar e atualizar componentes de front-end sem necessidade de conhecimentos avançados em tecnologia;
  3. Possibilidade de customização: mudanças de layout, fluxos de compras variados e implementação de aplicações personalizadas também são algumas das facilidades que esse modelo permite, liberando tempo e esforço dos times para outros projetos mais complexos.

Em resumo, ter uma plataforma flexível garante a escalabilidade da sua operação no menor espaço de tempo possível e ainda permite que os desenvolvedores responsáveis pelo projetos de otimização do seu site tenham autonomia no uso das ferramentas e integrações, facilitando a inovação e melhorando a experiência do seu consumidor.

São detalhes como esses que farão você estar à frente da concorrência e preparado para as mudanças que ainda estão por vir e para o mercado em constante evolução.

E nunca é demais continuar focando no básico

Além de tudo isso que já falamos neste artigo, não se esqueça também de prestar atenção – ou caso você tenha saído na frente, continuar evoluindo – naquelas tendências que já estamos discutindo há alguns anos.

  • Expanda sua estratégia de Omnichannel (BOPIS, BORIS, SFS, BORO…);
  • Torne-se um Market Place In e/ou um Market Place Out;
  • Perca o medo do Cross Border e do Drop Shipping;
  • Tenha o poder da mensagem que você quer passar ao seu consumidor final e torne relevante o seu ecommerce DTC;
  • Traga seus negócios B2B de vez para o universo digital e evolua com o Comércio Colaborativo.

Independentemente de qual ou quais tendências você irá seguir em 2022, o importante é estar sempre informado sobre o que há de mais novo no mercado e com a mentalidade “Customer Centric” para poder oferecer aos seus clientes a experiência de compra mais encantadora e prazerosa possível e assim fidelizá-los à sua marca.

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