Tailândia: um varejo tão diverso quanto no Brasil – parte 2

por Marcos Gouvêa de Souza Quarta-feira, 11 de dezembro de 2019   Tempo de leitura: 5 minutos

A Tailândia, com seus previstos 41 milhões de visitantes em 2020, é um mercado muito dependente do turismo. Especialmente o da China, uma vez que esse fluxo representa perto de 60% da população local que, ao mesmo tempo em que transforma a economia, reconfigura a oferta de produtos, serviços e o varejo.

Por conta disso, convive uma oferta plural e diversificada — que mescla operações focadas no mercado interno e no turismo de baixa renda, mais básico e quase rudimentar —, com outras destinadas a atender a demanda dos empoderados turistas globais.

Mercado de alimentos

Isso é observado nos mercados livres e abertos, populares, com uma oferta variada de especiarias, frutas, cereais, verduras, peixes, carnes, frutos do mar e toda sorte de alimentos. São operados em espaços precários, com limpeza e higiene duvidosos, ao lado de shoppings com padrão global. Nesses últimos, há:

  • lojas convencionais de todos os setores;
  • marcas locais ou internacionais;
  • massificadas ou de alto luxo.

Elas dividem área com inúmeras operações de foodservice e mais carros Porsche, Rolls-Royce e BMW. Tudo junto e misturado!

Como país asiático, a tradição da alimentação fora do lar, como na China, Coreia e outros, é superior a dos países ocidentais. Isso promove uma oferta massiva de alternativas de alimentos prontos preparados e prontos para consumir nesses mercados populares. A higiene, consequentemente, gera naturais preocupações às operações mais formais e estruturadas das redes locais e internacionais que atuam no setor.]

Fast food e conveniências

Entre elas, todas as mais importantes globais estão presentes no mercado — de McDonald’s e Burger King a Starbucks —, dividindo a impressionante oferta de alternativas com redes e operações locais. Mas a maior oferta está concentrada nas redes de lojas de conveniência. São a base principal do varejo moderno na Tailândia, que reúne marcas como 7 Eleven, com mais de 11 mil lojas, assim como Tesco Lotus, Family Mart e outras.

Diferente do Brasil, as lojas de conveniência (na maior parte fora de postos de combustíveis) substituem os supermercados tradicionais, hipermercados e cash and carry, que são em menor número. Sua oferta envolve o tradicional de uma conveniência, mas com forte presença de alimentos prontos para consumir.

Arquitetura

Outro ponto de destaque no mercado da Tailândia é o boom de desenvolvimento imobiliário. Percebe-se elevado número de construções de novos prédios, shoppings, centros empresariais, edifícios residenciais… Tudo ao lado de operações e construções tradicionais e populares, especialmente em Bangkok. Contribui para o redesenho desta e de outras cidades, pela conversão de construções antigas e tradicionais em modernas operações comerciais e de hotelaria.

Mercado online

O e-commerce em termos de participação nas vendas totais do varejo é ainda bastante baixo, inferior ao do Brasil. Porém, revela forte crescimento, em especial por conta do aumento da oferta pelas alianças entre ecossistemas chineses, como Alibaba e Tencent.

No ano passado, a Tencent uniu-se ao Central Group, um dos principais grupos varejistas locais, para criar a JD Central. Tudo para ampliar as alternativas do e-commerce, ainda que a complexidade logística na Tailândia seja similar àquela encontrada no Brasil.

É inegável e marcante a profunda transformação que acontece no mercado da Tailândia como resultado de uma conjugação de fatores. Isso inclui o elevado crescimento econômico padrão Ásia, combinado com o amadurecimento da população, em boa parte exposta à visitação de 38 milhões de turistas — como deverá acontecer neste ano de 2019. Sem contar a diversidade e atualidade da oferta em termos de equipamentos, estruturas, práticas e a crescente oferta de marcas de produtos, redes de lojas e serviços globais que chegaram ao mercado em busca de uma maior participação nesse crescimento econômico.

Uma mistura interessante

Trata-se de uma mescla do tradicional, simples, autêntico e básico da cultura local, com o novo, exuberante, marcante e moderno do que há de mais avançado no Ocidente e na Ásia. Tudo dentro de um país de regime estável e monárquico, dominado pela religião budista e que nunca foi colonizado por ocidentais. Essa mistura desenha a realidade atual da Tailândia, que tanto interesse desperta a ponto de se tornar um dos principais destinos turísticos mundiais, reconfigurando também o mercado, o consumo, o varejo e os serviços.


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