Tailândia: um varejo tão diverso quanto no Brasil – parte 1

por Marcos Gouvêa de Souza Quarta-feira, 04 de dezembro de 2019   Tempo de leitura: 5 minutos

Um país de quase 70 milhões de habitantes, com 90% da população praticante do budismo e cerca de 1,4 milhão de monges com uma média de 40 mil templos, dos quais 30 mil ativos. Um país muito especial e que se tornou um dos maiores destinos turísticos do mundo, apesar da distância dos grandes centros econômicos tradicionais. E um mercado e um varejo tão diverso, vibrante e interessante quanto no Brasil.

O que mais nos aproxima, além do clima tropical, é o elevado nível de informalidade do consumo e do varejo, a taxa de alfabetização de 93% — igual a do Brasil —, e a expectativa de vida de 75 anos para a Tailândia e de 74 anos no Brasil. E, principalmente, a polarização entre o moderno e o tradicional, que nos dois mercados convivem de forma surpreendente.

Mas há o que nos diferencia, e muito! A economia da Tailândia tem apresentado crescimento consistente em torno de 4% ao ano nos dois últimos anos. Num regime monárquico, onde o rei é admirado e respeitado. E a estabilidade política e econômica, além de um trabalho muito bem direcionado, tem atraído crescente interesse pelo País. A população transmite um natural sentimento de bem-estar e felicidade dentro das limitações econômicas existentes.

A maior diferença é que a Tailândia recebeu 38 milhões de turistas no ano passado. A maioria partiu da China, seguido de Estados Unidos e Europa. Já existe previsão que esse número cresça para 41 milhões no próximo ano. O turismo representa perto de 12% do PIB do país, e continua a aumentar sua importância e representatividade.

Só para lembrar: o Brasil recebe em torno de 6,5 milhões de turistas por ano, dos quais 60% são da América do Sul. Está estagnado nesse número há alguns anos, mesmo com grandes de eventos, como Copa do Mundo de Futebol e outros, criando atratividade extra.

Também nos diferencia o nível de urbanização que é de 51% na Tailândia e de 86,8% no Brasil, um dos mais altos do mundo. A produção agrícola por lá é bastante pulverizada, basicamente familiar. Tem foco na produção de arroz e, principalmente, em frutas, enquanto nossa maturidade agrícola e da agroindústria é benchmark global.

Na Tailândia, a inflação é de apenas 1,1%. Aqui, por outro lado, estamos ganhando status e economia estável em termos globais, com controle inflacionário no atual patamar perto de 4%.

Mas é importante lembrar que nosso PIB nominal em valores correntes é 3,7 vezes maior do que o da Tailândia e em PPP (Paridade do Poder de Compra), um pouco menos, de 2,5 vezes.

Nossa população é três vezes maior e o nosso PIB per capita real é 70% superior ao da Tailândia. Mas é um país que tem em comum com o Brasil também um jeito muito particular de interagir entre pessoas…

Se autodefinem como um país de mil sorrisos. De fato, traços marcantes em sua cultura e atitude são o calor e a receptividade humana. Eles atribuem algumas dessas características ao fato de jamais terem sido colonizados por países ocidentais — o que não aconteceu com muitos de seus vizinhos.

As grandes marcas internacionais que foram para o mercado nos setores de consumo, varejo, alimentação, hotelaria e foodservice convivem com grupos multinegócios locais. Se tornaram sócios ou controladores, como 7 Eleven, Central Group ou The Mall Group. Como acontece na Coreia do Sul, dominam o mercado local, com operações multicanais, multimarcas, multisserviços e multiformatos e bandeiras.

Lá, o varejo tradicional tem crescido em torno de 3% ao ano, acompanhando a evolução do PIB. Já o e-commerce, tanto quanto em outros mercados asiáticos, tem apresentado crescimento muito superior, em torno de 18% ao ano, com forte impacto do m-commerce — tem previsão de crescimento de 26,6% este ano.

Esse fato também contribui e precipita a reconfiguração dos shoppings centers e centros comerciais. Especialmente os mais modernos, que apresentam uma significativa área dedicada a serviços, alimentação, entretenimento, lazer, cuidados pessoais, educação e bem-estar, quase caracterizando o benchmark desse setor para outros países.

A proximidade econômica e a crescente dependência local do turismo e negócios da China fazem com que o maior operador de e-commerce da Tailândia seja o Alibaba. Por meio de sua operação local Lazada, detém 23,3% dos negócios totais. É seguido pelo grupo local 24 Shopping/iTrue Market, com 12,2% de participação. A Amazon é o quarto player nesse segmento, com participação de 6,2%.

Você recomendaria esse artigo para um amigo?

Nunca

 

Com certeza

 

Deixe seu comentário

0 comentários

Comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Comentando como Anônimo

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

  Assine nossa Newsletter

Fique por dentro de todas as novidades, eventos, cursos, conteúdos exclusivos e muito mais.

Obrigado!

Você está inscrito em nossa Newsletter. Enviaremos, periodicamente, novidades e conteúdos relevantes para o seu negócio.

Não se preocupe, também detestamos spam.