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Sozinhos vamos mais rápido, juntos vamos mais longe no mundo corporativo

por Carlos Alves Segunda-feira, 11 de março de 2019   Tempo de leitura: 6 minutos

A história é recorrente: após muitos anos tocando o próprio negócio, um empreendedor vende sua empresa para uma grande companhia e é convidado a compor o corpo diretivo. Ali, imagina que poderá exercer todo o potencial desenvolvido na sua jornada como empresário.

Afinal, quando você empreende, todos os seus passos têm um alto risco pessoal. Você compromete todos os dias o seu patrimônio e cria uma relação de compaixão com as pessoas que trabalham ao seu redor.

Mas nem tudo é ônus, porque empreender é se reinventar todos os dias. É pensar em oportunidades, viver qualquer experiência com o olhar de otimismo. Empreender é acreditar nas pessoas, na sua própria capacidade de resolver temas que muitas vezes não dependem de você.

Empreender é saber dividir espaço, é saber encontrar uma relação ganha-ganha sustentável, ser perseverante para superar a criatividade fiscal que o Brasil oferece e, acima de tudo, é ter propósito em tudo ou quase tudo que faz.

Com isto, este empreendedor passa a acreditar que conseguirá fazer tudo de maneira mais estruturada e criativa. Mas a vida, em geral, não funciona bem assim.

Em uma companhia grande, há desperdício de energia em negociatas e reuniões sem propósito, bem mais relacionadas à posição individual de cada um do que à própria empresa ou seus acionistas.

Você pode pensar que não é bem assim. E eu te desafio a tentar fazer diferente, dentro da ética e das regras de conduta do compliance. Você descobrirá como algumas barreiras aparentemente invisíveis se mostram vivas.

Entendo que as pessoas tenham medo de perder seus empregos e, por isso, relutem em ousar, em sair do lugar comum, em desafiar. Mas até que ponto esse medo não acaba tomando uma proporção maior do que deveria, tornando-se protagonista da vida e arruinando o potencial e a capacidade?

Na vida profissional, com frequência encontramos pessoas frustradas, reclamando de tudo e sonhando com um mundo novo para si. Porém, quando essa mesma pessoa é instigada a agir de uma forma diferente, que a auxiliasse a atingir seus objetivos, ela em geral perde todo o ímpeto. Volta imediatamente a defender os pontos de vista de sempre, que ela criticava, mas ao mesmo tempo garantiam que seu chefe não diminuísse seu poder de mando.

Em situações como essa, o grande problema é que aparecer bem na foto perante os superiores se torna mais importante do que construir uma nova história para a empresa. Conciliar as ideias e fazer com que todos olhem para a mesma direção, em intensidades próximas e com o mesmo senso de urgência, passa ser um desafio maior que realizar as tarefas necessárias.

Quando você empreende, se realiza em fazer acontecer. Quando você é parte de uma organização, precisa aprender a convencer e entender que não é a sua vontade que prevalecerá, mas sim a do grupo. O que pode ser positivo, pois várias cabeças pensam melhor do que uma. Uma frase que gosto é: sozinhos vamos mais rápido, juntos vamos mais longe.

No entanto, é raro esse potencial se concretizar. A comodidade do salário no final do mês, 13º salário, férias, bônus etc. cria um fenômeno chamado de “acovardamento corporativo”. Porque é nítido o acovardamento dos profissionais frente a uma imposição de alguém com cargo superior ao seu.

Parece cena de novela. Pessoas reclamam, discordam, ironizam e, quando estão em reuniões colegiadas, aceitam sem pestanejar aquilo que tanto criticaram.

E começo a me perguntar: será que o tempo nos molda a este comportamento? Será que a dinâmica do “manda quem pode, obedece quem tem juízo” é realmente uma alavanca para se manter neste cenário e garantir os benefícios financeiros? Será que isto acontece em todos os níveis da empresa? Será que precisa ser assim?

Após anos de trabalho nesta condição, como lembraremos da nossa vida? Vamos depositar mais moedas no cofre da angústia ou no da lembrança e da saudade?

Tudo que fazemos nos traz sentimentos dicotômicos que se acumulam e serão muito mais visíveis quando nossa atividade laboral estiver comprometida.

Quando pergunto a alguém com uma doença terminal qual o sentido da sua vida, nunca escutei que é uma promoção na empresa em que trabalha. O sentido da vida está quase sempre relacionado à capacidade de servir, amar, perdoar e estar bem consigo e com o mundo.

Assim, no dia em que for chamada – e todos nós seremos –, essa pessoa estará pronta de corpo e alma. E nada disso é compatível com o acovardamento, seja em qual âmbito for.

Muitas vezes, vamos nos transformando, sem perceber, em um elefante amarrado por um barbante. Quando começamos a entender o modo como as coisas funcionam nas corporações, também passamos a ser menos produtivos, menos construtivos e mais políticos.

É isso que desejamos nos tornar? Ou será que não preferiríamos desafiar o status quo, respeitando a todos, mas sem nos rendermos às comodidades ofertadas em troca da apatia?

Precisamos lembrar que a empresa que nos contrata espera receber uma contribuição profissional para alcançar algo que, sem nossa participação, não teria conseguido.

Todas as escolhas que fazemos implicam milhares de renúncias. Nem adianta se esquivar, pois não escolher já é uma escolha. Sigam seus sonhos. E não se esqueçam: sonhos não combinam com covardia ou com individualismo. Sozinhos vamos mais rápido; juntos, vamos mais longe!

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