Será que eu preciso desenvolver um App para o meu e-commerce?

por Felipe Perlino Terça-feira, 18 de novembro de 2014

O Mobile Commerce já deixou de ser apenas uma promessa e hoje se tornou uma realidade. Isso não deveria ser novidade alguma para os varejistas brasileiros. Segundo o último relatório WebShoppers, da empresa E-bit, o faturamento das transações realizadas por dispositivos móveis vem crescendo a taxas superiores a 100% ao ano e deve fechar 2014 com 10% da participação de todo o e-commerce no país.

Diante desses dados, fica evidente que está perdendo dinheiro quem não investe no Mobile Commerce, ou m-commerce. Contudo, para aqueles que já compreenderam a necessidade de colocar em prática uma estratégia mobile, pode haver dúvidas sobre qual o melhor modelo a seguir. Será que eu devo desenvolver um aplicativo para o meu e-commerce? Ou basta oferecer ao meu cliente um site com suporte mobile? Vejamos qual é a melhor estratégia para cada caso específico.

Tecnicamente o Mobile Commerce se caracteriza pelo uso de dispositivos móveis para a realização de compras na web – sejam eles tablets ou smartphones. E para realizar tais compras, o consumidor pode fazê-lo por meio do App do vendedor ou abrindo o site no qual deseja comprar pelo navegador do seu dispositivo mobile – um Chrome ou um Safari da vida. Ambos os casos fazem parte do m-commerce, embora cada um seja mais indicado para casos distintos. Para entender qual destas opções você deve optar para aplicar ao seu negócio, precisamos nos aprofundar mais sobre as etapas envolvidas na compra por meio de um aplicativo.

O fluxo de compra por meio de um App

Vamos imaginar que você venda roupas e que tenha optado por vendê-las por meio de um App próprio da sua loja. As etapas que o seu cliente precisaria realizar para comprar um produto seu seriam as seguintes:

a) Se o comprador NUNCA tivesse comprado antes pelo seu App:

  • Ele precisaria entrar no seu ambiente (site ou e-mail marketing), visualizar uma oferta capaz de lhe despertar interesse e clicar numa chamada para baixar o App;
  • Baixar o seu App na App Store ou para o Google Play;
  • Criar uma conta ou fazer o login;
  • Encontrar novamente a oferta que lhe despertou interesse (no passo #1);
  • Inserir os dados de pagamento e entrega; e
  • Confirmar a compra.
  • b) Se o comprador JÁ tivesse comprado anteriormente pelo seu App

  • Quando ele fosse fazer uma compra, bastaria abrir o App;
  • Encontrar o produto ou serviço que deseja comprar;
  • Conferir os dados de pagamento e entrega (já preenchidos) e confirmar a compra.
  • Se trouxermos os dois fluxos acima para dentro de um funil de vendas, chegaremos a três conclusões importantes:

    1) O primeiro fluxo tem uma conversão muito ruim, enquanto o segundo apresenta uma conversão estratosférica;

    2) Para se oferecer o segundo fluxo ao comprador, é necessário antes “pagar um pedágio” com a instalação do App (o primeiro fluxo); e  

    3) Se não houver recompra no seu negócio, o comprador jamais chegará no segundo fluxo. Sem a recompra você terá “pago um pedágio” em vão escolhendo vender por meio de um aplicativo.

    Tipos de negócio ideais para Apps

    O fator mais importante para decidir se você deve ou não desenvolver um App para o seu e-commerce é a existência da recompra. Com qual frequência os seus clientes voltam a comprar de você? O segundo fator é se você precisa incentivar ou não o seu cliente para que a recompra aconteça. Você precisa ficar enviando e-mail marketing para que ele retorne? Ou não, seu cliente volta naturalmente até você sempre que ele precisa dos seus produtos ou serviços? No primeiro caso um e-commerce pela web tende a ser mais efetivo do que uma tentativa de venda pelo aplicativo.

    Pense em todos os Apps que você tem no seu celular. Pense agora naqueles que você mais usa. Sem dúvida são aqueles 5 ou 10 que solucionam suas demandas mais recorrentes. E os Apps de m-commerce que mais deram certo seguem essa lógica: são aqueles que você usa para chamar um táxi, para pedir comida ou para reservar mesa num restaurante.

    Em suma, os maiores acertos do m-commerce são os Apps que facilitam a compra daquilo que você sempre precisa comprar! Antes de tentar empurrar um aplicativo para o seu cliente, verifique se o seu negócio se encaixa na lógica acima.

    Quando um App não é indicado para o seu negócio

    Se o seu produto ou serviço não atender uma demanda recorrente do seu cliente, a melhor estratégia para você aproveitar o potencial do m-commerce no seu negócio é por meio de um site mobile. Assim o seu cliente consegue comprar de você usando somente o navegador que já existe dentro do tablet ou smartphone, sem precisar instalar nenhum App novo.

    Para ter um site capaz de realizar vendas para dispositivos móveis, o melhor caminho pode ser escolher uma plataforma de e-commerce que ofereça uma versão mobile. Se não quiser mudar todo o seu sistema de e-commerce, comece desenvolvendo apenas uma versão mobile do seu site, igual fez a Magazine Luiza em 2012.

    Independente de qual alternativa você optar, o importante é que o seu cliente consiga ter uma boa experiência de compra acessando o seu site a partir do navegador de celulares e tablets.

    Escolha entre um App e um site mobile, mas escolha logo

    Recapitulando o que vimos até aqui. O m-commerce está explodindo no Brasil e você pode aproveitar essa oportunidade de duas maneiras. Se o seu negócio atender uma demanda recorrente do seu cliente, desenvolver um App pode ser a melhor opção. Por outro lado, se este não for o seu caso, a melhor alternativa é desenvolver um site mobile ou uma versão que suporte o seu cliente comprar por dispositivos móveis.

    Ficar parado é o único caminho que não é uma alternativa válida. Se o seu site não oferece uma boa experiência de compra em tablets e smartphones e se você também não oferece um App, não se iluda: o seu cliente NÃO vai comprar de você. Pelo contrário, ele irá comprar do seu concorrente que já entendeu a importância do mobile para o consumidor brasileiro. Nesse caso, hoje você perde o m-consumidor, e amanhã você perde o e-consumidor.

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