E-commerce: se continuar assim, vamos quebrar

Por Mauro Tschiedel Terça-feira, 07 de fevereiro de 2017

Sou Engenheiro Agrônomo, gosto de ver muitas das atividades do mercado digital e e-commerce como produção de algo agrícola. Quando você tem uma fazenda de produção de gado à pasto, uma das atividades mais importantes é cuidar para que os animais não comam muito a grama, a ponto de ela não conseguir mais crescer novamente. Ou seja, se você deixar o gado por lá muito tempo, ela vai demorar muito para crescer novamente ou até morrer.

Dias atrás recebi uma proposta para implantar uma solução de retargeting. Depois de conversar com alguns amigos, analisar bem a proposta e entender vários pontos de vista consegui enxergar que o pasto está sendo muito maltratado.

O que quero dizer com isto é que o mercado  de produtos e serviços satélites para e-commerces não está sabendo manter a grama no tamanho que ela possa se manter saudável e o gado retornar e ganhar peso e todos terem lucro.

Mas estou sendo muito pessimista. Sim, pode ser que esteja, então vamos aos números. Abaixo uma ‘conta de padeiro’ para mostrar que a grama já morreu faz tempo e estamos a espera de um milagre.

Cenário 1:

Poucos mercados têm espaço para um markup de 130%. E mesmo assim não sobra nada no final da conta. Acho que alguma coisa está errada. Será que minha conta que está incorreta?

Sempre vai haver alguém dizendo que tem como cortar custos e tal. Mas lembre-se que o imposto aumenta conforme o faturamento, ou seja, pode chegar a 11,61%. E neste cenário não está incluso nenhum outro marketing de aquisição de clientes.

Vou mexer no markup e veja como pode ficar mais bonito. Vou deixar um markup de 100%, que é muito bom para alguns mercados.

Cenário 2:

Acho que alguns vão refazer as contas e ver que estão trabalhando para os outros e não para o seu negócio.

Então, vamos colocar algo mais real, markup de 50% – que para alguns produtos e mercados é uma taxa normal -, mas acho que é um valor interessante.

Cenário 3:

Vejam que o prejuízo é astronômico, pois, para sobrar algo, teria de cortar todo o retargeting para ter um cenário positivo: o que resultaria em redução das vendas e por consequência no aumento do custo fixo. Ou então, a solução seria montar uma estratégia diferente para escapar dos custos normais de marketing que estão sendo propostos.

Eu olho para as contas acima e não vejo saída simples para o mercado. Estamos numa encruzilhada, pois cada dia penduramos mais ferramentas e mais custos em nossos negócios, mostrando que nossos custos só tendem a subir. Não adianta falar que e-commerce é bonito, inovador, ser apaixonado se, na última linha não sobrar dinheiro.

Claro, o vilão não é só retargeting, mas sim o mercado de marketing digital hoje está muito inflacionado e pode ser outro problema para entrantes no mercado ou para quem está buscando se manter.

Não adianta olhar para os grandes players, olhe para o seu negócio, para o seu bolso. Lembre-se da piada do Salim, “O negócio tem que ser bom para mim e pra mim mulher”, ele sempre esteve certo.

Informações Adicionais:

Algumas explicações sobre as contas:

– Para calcular o custo fixo usei dados do Sebrae: http://blog.pr.sebrae.com.br/financas/quanto-e-o-custo-fixo. Neste cálculo o Sebrae usa uma taxa para pequenos comércios que gira em torno de 10% à 20%. Usei o pior cenário, pois no e-commerce tem uso intensivo de tecnologia: no qual a mão de obra não é a mais barata (e sempre é melhor pensar no pior).

– Para definir a faixa de imposto, usei uma empresa do Simples Nacional, com faixa de faturamento até R$ 360.000,00/Ano (faixa que tende a mudar até 2018, por conta do Projeto de Lei Complementar (PLC) 25/2007). Estas faixas variam conforme o faturamento da empresa.

– O retargeting, ali é uma cotação que recebi onde cada 1 Real Investido no marketing, retorna R$4,00 (ROI de 4), resultando num gasto de 25% do meu preço de venda.

– Não foi incluído na conta o custo de aquisição do cliente para que o retargeting funcione (não fui tão pessimista, mas, pode ser pior).

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