Reconhecimento facial: a nova face do e-commerce everywhere

por Juan Caetano Adorno Segunda-feira, 24 de julho de 2017   Tempo de leitura: 6 minutos

Você já parou para pensar no que as empresas digitais sabem sobre nós com uma simples foto postada em uma rede social? Se essa foto for do seu rosto, então, você oferece sua identidade digital sem saber.

Identidade digital? Sim, todos nós temos e ela está sendo usada em diversos sites. Agora está cada vez mais presente no e-commerce junto com o varejo omnichannel, que é a real integração dos canais digitais e físicos.

Digitar a senha está se tornando coisa do passado, assim como conversar no chat com um operador. Os bots, por exemplo, já são uma realidade no atendimento online.

Como e de que maneira eu posso, então, ter acesso a esses dados de clientes e conquistar uma vantagem competitiva no meu negócio online? Aliás, o que são esses dados digitais e em quais formatos eles estão? São muitas perguntas e para começar a respondê-las, vamos primeiro nos aprofundar nos dados digitais de reconhecimento facial, antes de falarmos das aplicações no e-commerce everywhere.

Os dados do seu rosto convertidos para dados digitais fazem parte do que chamamos de Big Data e estão no grupo dos dados não-estruturados, podemos resumir como sendo informações de banco de dados NoSQL, que quer dizer “Não apenas SQL…”, ou seja, não requer uma estrutura pré-determinada para funcionar e aceita dados de vários tipos e tamanhos, o que permite que sejam vasculhados e reorganizados com sucesso.

E um grupo desse tipo de dado está na ponta do seu mouse, e você nem se deu conta ainda. Vamos lá!

Facebook: seu novo RG, CPF e muito mais

Quase todo mundo já está lá e hoje são mais de 1,5 bilhão de usuários da plataforma no mundo e quase 100 milhões no Brasil. A rede coleta tudo sobre você, como: onde fez check-in, os vídeos gravados, qual navegador usou e, o mais interessante, permite que você baixe esse conteúdo. Sim, e é por ele que vamos analisar os dados de reconhecimento facial que também estão no seu perfil.

Para ter acesso a esse vasto conteúdo, após estar logado em sua página, clique na setinha azul no canto superior direito e, em seguida, em configurações. Você já vai estar onde precisa: na página Configurações gerais da conta, vá até o último link “Baixe uma cópia dos seus dados do Facebook”. Depois de fazer o download do arquivo – o meu deu 205mb –, abra a pasta e clique no arquivo index.html. Você ficará surpreso com a quantidade de informação que o Mark tem sobre você.

Sua foto de perfil, formada por 3 linhas horizontais com 14 números foi mapeada a partir de 30 pontos fixos da face, está em dados de reconhecimento facial. Isso é um dado não-estruturado. Esse é seu RG digital, o qual compartilha com o Mark mesmo sem saber.

RG digital: números e marcações da sua face são utilizados nas Redes Sociais e podem servir para personalizar ações no e-commerce

As aplicações no e-commerce everywhere

Agora, imagine o que é possível fazer com essa informação que oferecemos às empresas nas suas iniciativas de e-commerce. Cada vez mais, temos os sistemas de identificação interligados por camadas de validação nos devices, como a impressão digital para desbloquear o smartphone. Acrescentar mais essa camada, o rosto do seu cliente, é viável e já está acontecendo.

Além disso, no corrido dia a dia do consumidor, ele não quer perder tempo, sem falar da concorrência que está à distância de um clique.  Nessa situação, cabe ao empreendedor digital mitigar aquele momento no qual o cliente esquece a senha, que erra da primeira vez ou que precisa criar um password com variação de letra, número e caractere especial.

Então, sorrir pode ser a melhor solução, como promete o “Smile to Pay” da gigante chinesa Alibaba, demonstrou a solução em 2015, em Hannover, e apresentou a evolução na CES. Baseada em uma Inteligência Artificial chamada de “Mark” – essa foi boa, hein? -, promete simular o cérebro humano e extrair as informações-chave do rosto do consumidor com uma performance 99,5% melhor que a do olho humano, segundo a empresa. E se combinarmos outros elementos da validação como impressão digital e voz, esse percentual chegaria ainda mais próximo dos 100%.

Outra iniciativa que também utiliza o reconhecimento facial aplicado ao e-commerce é o Identity Check Mobile, da Mastercard. Aqui, em vez de sorrir, após o reconhecimento facial no smartphone, o cliente pisca com os dois olhos para a câmera e completa a transação.

A inovação está apenas começando

Essas opções da Mastercard e do Alibaba colocam o poder de decisão na mão do cliente, afinal, é ele quem decide se vai sorrir ou piscar para a câmera do smartphone para realizar a compra. O consumidor vai fazer? Pesquisas das empresas dizem que ‘sim’, contudo, só o dia a dia do mercado mesmo é que vai mostrar o quanto essa tecnologia será adotada no processo de compra do consumidor.

Entretanto, uma solução que ainda está em teste beta e restrita aos empregados pode ser um caminho para a adoção do reconhecimento facial em larga escala. Trata-se do Amazon Go. A tecnologia está presente de ponta a ponta no processo de compra e começa já na porta de entrada da loja física onde o cliente só entra após escanear um código na catraca do local.

O código relaciona o cliente com a conta na Amazon e depois sensores, computer vision, deep learning e sensor fusion fazem o restante. Uma das grandes sacadas dessa proposta da Amazon não é a tecnologia em si ou o pseudoempoderamento do consumidor em assumir o controle, mas uma nova experiência que empresa oferece ao cliente.

A tecnologia é um detalhe e o cliente, sem perceber, vai dar seus dados para a empresa. Com essa inovação no comércio varejista, a Amazon vai realizar um verdadeiro customer tracking que deixará o Mark do Facebook e o Mark do Alibaba com inveja.

 

Imagine a cena: uma pessoa rouba o smartphone, entra na loja, pega o produto e, naquele exato momento, ainda na gôndola, uma câmera já identifica que aquele rosto não está relacionado com o smartphone. Nessa situação, o indivíduo nem conseguiria sair da loja.

Já no processo normal e tendo como apelo de marketing a experiência do cliente em pegar o que quiser na gôndola e “Just Walk Out”, ou seja, não ter que pegar fila para fazer o pagamento, a empresa atinge uma dor recorrente, que é a pressa dos dias de hoje, como ainda guarda dados e mais dados dos clientes para manter a excelência do serviço, utilizar em ações em outros canais online e garantir a própria segurança do negócio.

Na China, já é realidade…

Se o Amazon Go é ainda uma boa promessa por aqui, os chineses andam a passos largos na tecnologia de reconhecimento facial em aplicações de autorização de pagamentos, acesso a prédios e rastreamento de criminosos.

E se você está pensando que é uma tecnologia fora do alcance da sua empresa, já existe uma startup chamada Face ++ (se diz Face plus plus), avaliada em US$ 1 bilhão, com 5 tipos diferentes de produtos de reconhecimento facial, embalados em API ou SDK, para você usar de acordo com a necessidade do seu negócio.

Face Detection (localiza rostos em imagens), Face Comparing (checa a similaridade em dois rostos), Face Searching (encontra rostos similares), Landmarks (localiza pontos chaves no rosto) e Attributes (analisa idade, gênero, emoção…).

Ainda não está convencido? Você pode testar cada um dos produtos de reconhecimento em demos no site da startup enviando uma URL ou fazendo um upload de fotos e ainda começar com o plano Free e depois escolher entre as modalidades Pay-as-you-go ou mensal. É sensacional.

Demo: a startup Face++ permite que você teste diversas aplicações de reconhecimento facial

E não é à toa que a tecnologia do Face++ está sendo usada em alguns dos apps mais populares da China, como Didi (Uber Chinês), que permite ao passageiro saber se quando chama o motorista, ele é ou não um condutor legítimo.

Com um teste ao vivo, criado para evitar fraudes com fotos, o app exige que o motorista mova a cabeça ou fale algumas palavras enquanto é feito o registro. Enfim, enquanto não chega por aqui, é bom ficarmos de olho nesse e-commerce everywhere.

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