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O que é Recommerce e porque é tendência?

por Fernanda Weber Terça-feira, 08 de outubro de 2019   Tempo de leitura: 8 minutos

Recommerce, recomércio, muitas vezes chamado de revenda ou comércio reverso, nada mais é que compra e venda de segunda mão. Produtos usados e reformados voltam para o varejo em novo formato de venda, em lojas focadas neste tipo de negócio.

O formato não é novo, tanto que empresas como Mercado Livre, OLX, Ebay entre outras cresceram em torno dessa estrutura, mas a tendência está alta no varejo de moda e é importante prestar atenção à ela.

Com consumidores cada vez mais conectados às questões ambientais e interessados em reduzir o seu próprio consumo, o varejo de revenda vem crescendo principalmente no mercado de moda, onde desejo e pechincha muitas vezes andam juntos.

O recommerce traz oportunidades de bons negócios para empresas e principalmente para o consumidor final, que consegue, na recompra, consumir moda e produtos desejo de forma mais acessível.

Além disso, a recompra traz oportunidades para pequenos vendedores e consumidores ávidos por novidades, que revendem peças que não querem mais com frequência para comprar novas peças – usadas ou não.

Recommerce

Segundo o relatório de revenda da ThredUP, marca Californiana de roupas de segunda mão lançada em 2009, 64% das mulheres que compram moda estão dispostas a comprar roupas usadas.

Além deste dado, segundo pesquisa da empresa 59% dos consumidores em geral esperam que as empresas varejistas trabalhem de forma ética e sustentável, evitando desperdícios em suas produções.

A previsão é que o mercado de roupas de segunda mão no exterior dobre de tamanho e faturamento nos próximos 5 anos, trabalhando de forma sustentável e incentivando o consumo consciente.

A revenda de moda pode se transformar em um empreendimento comercial lucrativo e interessante. No Brasil, também em 2009, a Enjoei foi lançada primeiro em formato de blog de revenda de roupas de forma mais intimista e foi ganhando popularidade, se transformando em loja virtual em 2012.

Com faturamento estimado em 200 milhões de reais em 2018, o formato da Enjoei tem estilo marketplace, onde cada vendedor tem seu espaço para vender as peças de roupas e acessórios que “enjoou” e quer revender.

Com estilos de roupas e acessórios variados e comunicação característica da marca, a Enjoei tem parcerias com blogueiras, personalidades da internet e até com programa de TV (Desengaveta, da GNT).

O sucesso é grande e virou referência, é possível achar produtos básicos e de luxo nas centenas de “lojinhas” dentro da Enjoei, que também tem aplicativo e cada vendedor tem seu espaço para vender e ganhar dinheiro como um pequeno negócio.

E-Commerces viraram referência

Outro caso icônico é o da loja Nasty Gal , ecommerce de revenda californiana criado por Sophia Amoruso – cujo a história virou o seriado “Girl Boss” na Netflix.

Sophia buscava peças com potencial de revenda em brechós, ajustava o que fosse preciso e publicava no Ebay. O trabalho de atendimento ao cliente, fotos, descrição de produto e construção da marca e estilo pessoal de Amoruso fizeram o negócio prosperar e virar uma loja virtual que chegou a valer 100 milhões de dólares na gestão dela.

Uma das tendências que vem incentivando o mercado de recommerce é o desejo de exposição nas redes sociais, desejo esse que acabou criando situações no varejo de moda onde clientes compram roupas, postam looks no Instagram e Facebook e devolvem as peças dentro do prazo de 7 dias, prazo em que podem “desistir” de compras feitas no E-Commerce no Brasil.

As políticas de devolução no exterior vem mudando diante desse cenário, e com isso a recompra tem sido uma solução para acompanhar as tendências de moda de forma mais barata.

Além de tudo isso, histórias como a da Burberry (que foi duramente criticada no mundo todo em 2018 por supostamente destruir 26,6 milhões de libras em produtos ao invés de vender as peças a um preço remarcado) não estão sendo passadas em branco.

O consumidor está mudando, leva em consideração questões éticas das marcas na hora da compra, além do impacto produções em massa da indústria da moda no meio ambiente – que vem sendo cada vez mais exposto para o público em geral.

Após o escândalo e dura exposição da marca, a Burberry anunciou uma nova parceria com a empresa de artigos de luxo Elvis & Kresse para transformar sobras de couro em novas roupas e acessórios.

O upcycling, o reuso de produtos desperdiçados na criação de novos produtos vem, inclusive, aparecendo como frente de trabalho de várias marcas como forma de trazer o cliente para perto, diante desse novo cenário.

Outras inciativas

A Farfetch lançou sua iniciativa ‘Second Life’, que permite aos usuários vender bolsas de grife em troca de crédito no marketplace, Stella McCartney está formando parcerias com modelos de negócios de revenda (The RealReal) para promover a revenda de seus itens.

No Brasil, a FARM além de criar a coleção “re-roupa” (aplicando o conceito de upcylcing) com sobras de tecidos de sua produção, dá descontos para as clientes que trazem roupas antigas da marca na hora de comprar roupas novas nas lojas físicas além de ter parceria com a Enjoei. 

A tendência está aí. Já é realidade em parte do mercado exterior e no Brasil já tem público, principalmente a Geração Z. Como desafio para as marcas de moda se adaptarem existe o caminho de se apropriar da sua própria revenda e trazer de volta seus produtos para uma nova forma de negócios.

Agora é hora de rever conceitos, repensar e reestruturar o modelo de trabalho. Fará bem para o meio ambiente, fará bem para os negócios.

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