Por que os smart lockers chegaram para ficar?

por Gustavo Artuzo Terça-feira, 20 de julho de 2021   Tempo de leitura: 4 minutos

Eles estão nos shopping centers, nas estações de metrô, nos condomínios residenciais, em postos de gasolina, hipermercados e em tantos outros locais dos mais diversos. Os smart lockers (armários inteligentes) ou e-Boxes definitivamente caíram no gosto de varejistas, indústrias e consumidores, em todo o mundo. E não são poucos os motivos para isso

Imagem de um armário inteligente com uma embalagem de papelão dentro do compartimento
Foto por Fernanda Vidoti.

Acompanhando a expansão da internet, o comércio eletrônico cresce, desde o fim da década de 1990, em ritmo bem acelerado. E com o crescimento vêm os desafios. No caso do e-commerce, a entrega tornou-se um gargalo, a maior das “dores do crescimento”. A experiência de entrega influencia fortemente a percepção final do consumidor a respeito da compra e da qualidade do varejista online. Esse consumidor pode estar tanto numa área rural distante, onde a internet tenha chegado antes mesmo que o asfalto, como numa área urbana de alta densidade e grandes problemas de mobilidade. Não importa, ele quer receber sua encomenda em curto prazo, sem pagar muito por isso e sem ter qualquer tipo de preocupação. O autoatendimento por meio dos e-Boxes veio ajudar no desafio, complementando outros modais logísticos.

Os primeiros smart lockers surgiram na Europa, em 2002, e nos Estados Unidos, em 2011. Na Europa, o serviço pioneiro foi o da gigante alemã DHL, com suas Packstations, que já são mais de 7 mil em toda a Alemanha. Nos Estados Unidos, quem inaugurou o conceito foi a Amazon instalando os armários nas franquias de conveniência 7-eleven. Hoje a Amazon tem mais de 2 mil lockers espalhados pelo território americano.

No Brasil, os smart lockers começaram a aparecer em 2012, porém foi só em 2019, com a chegada de novos modelos de negócio e atendimento, que ganharam escala a ponto de apoiar o comércio eletrônico, altamente pressionado pelas novas demandas na pandemia. O país tem suas particularidades e os e-Boxes conseguem solucionar os mais variados entraves na entrega. Um exemplo são as áreas de risco de violência ou furto: pesquisa do Insper mostra que 22% da população das grandes cidades vive em comunidades consideradas como áreas de risco, representando 13 milhões de pessoas que consomem R$ 23 bilhões por ano. Com as dificuldades enfrentadas na entrega a domicílio nesses locais, quem garante o atendimento a todo esse significativo contingente é a empresa que instala os armários em locais públicos.

E como é exatamente o serviço de smart lockers?

Imagem de um celular escaneando um QR Code
Foto por Fernanda Vidoti.

Como o nome indica, os armários inteligentes têm tecnologia: basicamente um sistema digital que permite abertura automática dos compartimentos por meio de senha ou QR Code. A segurança é uma das vantagens para quem entrega e para quem recebe. A operação não envolve terceiros e os armários dispõe de câmeras de vigilância e monitoramento.

Conforto, praticidade, comodidade são outras vantagens para os consumidores. Ao fazer uma compra online e optar pelo recebimento em um armário inteligente, é possível escolher o melhor ponto para buscar a encomenda sem restrições de horário. Segundo a ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico), mais de 35% dos consumidores no Brasil reclamam do recebimento de encomendas. Desses, inclusive, 75% apontam como principal problema o horário limitado do serviço. A comodidade também fica evidente quando há necessidade de troca ou devolução.

Para as empresas, os smart lockers facilitam a logística de entrega e trazem uma redução significativa nas despesas de frete. Isso porque a chamada “última milha” — a entrega ao consumidor final — responde por 55% do custo de toda a entrega. E o custo se repete na “logística reversa”, quando há devolução do produto. As empresas também conseguem reduzir os prazos, já que reduzem os percalços do trecho final da entrega e otimizam suas rotas.

Por fim, o meio ambiente também agradece: a consolidação dos pacotes na entrega reduz a quilometragem rodada pelos veículos de entrega ao mesmo tempo em que aumenta sua eficiência. O resultado disso são reduções de 95% na emissão de CO2 por entrega.

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