Por que o brasileiro não paga suas compras online com débito?

por Juan D'Antiochia Segunda-feira, 16 de novembro de 2020   Tempo de leitura: 5 minutos

Os cartões de débito são usados em 20% das compras presenciais feitas pelos brasileiros. Quem escolhe o meio de pagamento o considera mais prático e seguro do que o dinheiro vivo, que demanda idas ao caixa eletrônico. Também é considerado mais acessível do que o cartão de crédito, que geralmente tem anuidade. Seus defensores ainda argumentam que é mais fácil controlar os gastos com o débito, sem os riscos de gastar mais por conta de um limite alto, como acontece com o crédito. Contudo, o débito não tem a mesma popularidade quando os brasileiros compram online e representa apenas 3% das transações digitais.

Por que um método de pagamento tão frequente nas lojas não tem o mesmo apelo online? A realidade é que são poucos os e-commerces ou serviços online que aceitam pagamentos feitos por cartões de débito. Isso acontece porque essas empresas se preocupam com a satisfação do cliente em relação à experiência de checkout, que fica bastante prejudicada no pagamento com débito. Consequentemente, a taxa de conversão cai.

Quando se paga online com crédito, o consumidor só precisa inserir as informações de seu cartão (nome do titular, número, validade e código de segurança) e, em poucos segundos, seu pedido será confirmado. Quando se usa o débito, no entanto, as etapas para a aprovação de uma transação variam de acordo com o banco emissor do cartão, tornando o processo inconstante, mas, invariavelmente, frustrante.

É comum que, após inserir os dados do cartão de débito, o comprador seja levado ao site de seu banco e tenha que digitar sua senha — adicionando uma etapa a mais ao processo de fechamento da compra. Acrescentar mais atrito ao checkout vai contra todos os esforços dos comerciantes, que buscam constantemente simplificar e melhorar a experiência do cliente. Porém, muitos usuários nem chegam tão longe e desistem do pedido ao serem levados para outro site, preocupados com o risco de fraude ao ter que digitar sua senha.

As dificuldades que acompanham a experiência de compra com o débito online explicam não só sua baixa popularidade. Elas também explicam a alta representatividade do boleto bancário no comércio eletrônico do Brasil. Levando em consideração que um número alto de brasileiros não possui um cartão de crédito, o boleto é a única opção para muita gente que compra online. Mesmo com a transação demorando até três dias para ser aprovada — o que faz a entrega do produto levar mais tempo, — o método de pagamento é escolhido em 16% das compras digitais.

Essa experiência complicada e demorada de checkout é explicada pelos altos índices de fraude no mercado — de acordo com a Visa, o Brasil é o segundo país da América Latina em número de fraudes no e-commerce, atrás apenas do México. Segundo os bancos que emitem os cartões de débito, eles têm que contar com processos de autenticação mais complexos. Afinal, com o método de pagamento, o dinheiro chega ao comerciante no dia seguinte, dando menos tempo para possíveis contestações e reparações. Com o crédito, em comparação, merchants demoram até um mês para receber os valores.

Contudo, outros países que também registram um número alarmante de crimes cibernéticos mostram que é possível ter o débito como um método de pagamento online seguro e relevante. No México, por exemplo, ele é usado em 20% das compras digitais.

Mas é preciso lembrar que o mercado brasileiro começa a mudar. Lojas e negócios online, adquirentes, bandeiras de cartão e bancos já estão se preparando para testar uma nova maneira de autenticar compras de débito digitais, com uma tecnologia chamada 3DS2. A transação poderá ser aprovada de maneira segura, em menos tempo e com menos atrito. Para isso, os bancos emissores terão mais dados para analisar e aprovar a transação de maneira segura. Estamos falando de informações como CPF, nome e endereço. Este novo formato de autenticação deve estar rodando até a Black Friday, dando boas-vindas a 58 milhões de cartões de débito ao universo das compras online.

Apesar de meios de pagamentos mais digitais, como as eWallets e o Pix, serem uma parte essencial na jornada da modernização dos pagamentos brasileiros, eles ainda estão dando seus primeiros passos no país e devem ser mais representativos no futuro. Por outro lado, popularizar o cartão de débito para compras online trará ganhos imediatos para consumidores, comerciantes e o ecossistema como um todo.

Para fechar vendas e fidelizar o cliente, lojas e serviços online devem aceitar o método de pagamento que for o favorito do seu consumidor. E, neste caso, a representatividade do débito nas compras físicas mostra que há potencial para ele também nos pedidos digitais. Bancos e bandeiras, do outro lado, também devem manter sua parte no acordo, criando condições que permitam à população brasileira ter acesso ao meio de pagamento.

Os números citados foram retirados do Global Payment Report 2020, da Worldpay from FIS. Para metodologia de pesquisa, consulte a página 128 do relatório.

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