Para onde deveria crescer o e-commerce

por Caio Camargo Quinta-feira, 01 de agosto de 2019   Tempo de leitura: 4 minutos

Na última semana palestrei no evento E-Commerce Brasil, onde apresentei as principais transformações que estão começando a afetar a maneira como consumimos, mudando o como, quando e até mesmo onde desejamos comprar e receber produtos e serviços das marcas.

Porém, estando em um evento voltado aos desafios do varejo digital, mesmo que cada vez mais integrado com o varejo físico, um das questões é, sem dúvida, tornar cada vez maior a representação do varejo eletrônico sobre o varejo físico tradicional.

Isso representaria que estamos avançando em termos um varejo cada vez mais moderno e aberto às inovações, ou consumidores que já possuem uma cultura digital mais sólida, correto? Nem tanto.

O exemplo chinês

Se comparamos com um dos principais benchmarks de mercado hoje, a China, o Brasil tem o varejo eletrônico representando 6% do volume total de vendas do varejo, ao passo que, na China, esse número representa mais de 20%.

Muito pode se dizer sobre os motivos que levaram a China a atingir patamares como esse, mas, sobretudo, muito se diz sobre o impacto da consolidação dos superapps – aplicativos que concentram funções que vão desde rede social aos meios de pagamento, e até mesmo sistemas de pontuação e qualificação para serviços públicos, além de outras finalidades.

Se olharmos a porcentagem de pessoas que utiliza internet na China, veremos que o país tem números muito próximos à média global, em torno de 53%, segundo um estudo da McKinsey recém-publicado. No Brasil, esse número chega perto de 70%.

Brasileiros nas redes

Mas o que acontece com o brasileiro? O brasileiro hoje é o queridinho de praticamente todas as redes sociais. Somos sempre os primeiros colocados nas principais redes utilizadas hoje. Então, se aparentemente já temos uma cultura digital, por que não compramos mais online?

A resposta está fora da internet. Temos cerca de 40% da população desbancarizada, sem qualquer acesso a um meio de pagamento que não seja o dinheiro em espécie, o que inviabiliza a compra.

Eu sou um ferrenho defensor de que é nessa fatia que está a maior parte do potencial de crescimento do e-commerce brasileiro. Estamos falando de compras simples, de valores menores, porém, que em volumes gerais podem ser muito interessantes para a maioria dos negócios.

Imagine qual o impacto que essa população causaria nos principais marketplaces em atividade hoje no país?

Quantos tiveram vontade de entrar na mesma onda de outros consumidores que aproveitavam de melhor maneira uma promoção de Black Friday ou até mesmo compraram da China, sem poder de fato, entrar na festa?

Conclusão

Aparentemente, nos últimos meses, iniciativas promovidas por alguns varejistas brasileiros, como Natura, Pernambucanas e Mercado Livre (Mercado Pago), de olho nessa parcela não atendida da população e oferecendo produtos e serviços similares aos principais bancos, poderão em pouco tempo responder como esses novos consumidores, agora empoderados de um meio digital de pagamento, irão consumir. Veremos.

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