Os consumidores invisíveis para o e-commerce

por Gustavo Artuzo Segunda-feira, 25 de janeiro de 2021   Tempo de leitura: 4 minutos

São 13 milhões de pessoas no país que movimentam quase R$ 120 bilhões por ano, um volume de renda maior que 20 das 27 unidades da federação — dados da pesquisa “Economia das Favelas – Renda e Consumo nas Favelas Brasileiras”, feita pelos institutos Data Favela e Locomotiva. Entre os adultos moradores de favelas brasileiras, 87% acessam a internet pelo menos uma vez por semana, e mais de 97% dos jovens acessam regularmente.

A favela está conectada e compra, cada vez mais, pelo e-commerce: 39% dos moradores, segundo a pesquisa. Entre os dados mais importantes dessa tabulação está o de que 1/3 dos consumidores que usam o comércio eletrônico nas comunidades populares não consegue receber seus produtos em casa, devido, principalmente, à escalada da criminalidade. E aí chegamos no ponto dessa reflexão.

Os invisíveis para o e-commerce.
Créditos: Fernanda Vidoti

É preciso reconhecer mais uma exclusão social a que essas pessoas estão submetidas. Apenas para termos uma ideia mais exata da realidade nas duas principais capitais do país, 43,6% do total de endereços no Rio de Janeiro tinha algum tipo de restrição para entregas de produtos em 2018, assim como 29% dos CEPs da cidade de São Paulo (levantamento realizado com base no sistema de informação dos Correios, pelo jornal Folha de São Paulo).

Se o produto não chega à favela, a favela que consome (e muito) tem que ir buscá-lo. Mas e os custos de locomoção e o tempo já curto de muitos trabalhadores que enfrentam horas a fio no transporte público para ir e voltar do trabalho? Quando uma encomenda chega numa agência dos Correios para retirada, muitas vezes longe da residência do morador de comunidade, ainda há as filas. Ou seja, é preciso ter muita vontade para continuar comprando pelo e-commerce.

Infelizmente, vários desses consumidores acabam desistindo devido ao gargalo logístico na última milha, ou pelo menos desistiam no Rio de Janeiro e São Paulo até o início de 2020, quando serviços de armários inteligentes começaram a pipocar no país como solução logística para ajudar na sobrevivência do varejo físico e do e-commerce em tempos de pandemia.

A empresa Clique Retire realizou uma pesquisa interna entre os usuários do seu serviço de e-Boxes (como chama os smart lockers em referência às antigas caixas postais) no Rio de Janeiro e São Paulo. A maioria absoluta dos consumidores que optou pelo serviço é de moradores de áreas não atendidas pelas empresas de entregas e muitos estavam a ponto de desistir, ou já haviam desistido de comprar pela internet. Até que descobriram os e-Boxes nas estações do metrô de ambas as capitais.

consumidores invisíveis para o e-commerce clique retire no metrô.
Créditos: Fernanda Vidoti

Pandemia, necessidade e oportunidade

Em 2020, devido à pandemia do novo coronavírus, 7,3 milhões de novos consumidores aderiram às compras pela internet e 150 mil novas lojas online ingressaram na economia. É um caminho sem volta. E, como bem pontuou o presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, é preciso, de uma vez por todas, quebrar preconceitos que afastem as empresas do desenvolvimento de negócios para essa parcela importante da população. E nós sabemos que, além de uma atitude socialmente solidária, ela é lucrativa.

A população das comunidades populares não pode esperar o problema da segurança pública ser solucionado. Enquanto isso, os armários inteligentes promovem inclusão.

Afinal, são essas pessoas que mais precisam se beneficiar dos preços até 30% mais baixos do que os praticados nas lojas físicas. Moradores que não contam com porteiros em seus prédios ou não têm quem receba em horário comercial também são importantes para o e-commerce. Todos são.

Que sejam bem-vindas todas as novas soluções logísticas que facilitam a vida do consumidor e permitem a recuperação da economia nessa pós-pandemia.

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