Como as onças prejudicam o crescimento do e-commerce!

por Mauro Tschiedel Quinta-feira, 09 de março de 2017   Tempo de leitura: 5 minutos

Anos atrás fui, morar no Mato Grosso do Sul, geralmente confundido com “Mato Grosso”, mas já aviso que não é o mesmo. Naquela época, eu já entendia que tanto um estado quanto outro não eram mais cerrado fechado. O acesso à internet tinha mais velocidade lá do que quando comparado ao Sul.

Porém, ainda naquela época muitos amigos de outros estados pensavam que encontrariam onças andando na rua, ou que se pendurava panelas nas portas para fazer barulho quando o animal tentasse entrar. Não era e continua não sendo assim.

Dias atrás, lendo alguns artigos sobre logística para substituir os Correios, notei que muitas das soluções ainda acreditam que, fora do eixo Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, ainda temos onças passeando pelas avenidas e panelas penduradas nas portas.

Em certos momentos até parece que sou um ET, e que sou louco de querer manter um e-commerce a 500 km de Porto Alegre.

Sim, tenho um e-commerce no interior do Rio Grande do Sul. Quando começamos, não existia nem e-Sedex (serviço que agora está para acabar para todo mundo. Vamos todos chorar juntos, mas como o artigo do Bruno fala que ai existe uma oportunidade) [https://www.ecommercebrasil.com.br/artigos/fim-e-sedex-e-commerce/].

Quando se fala em e-commerce, eu quero atender todo o Brasil, no mínimo. Então, pensar logística como meia dúzia de estados ou capitais é ter uma visão equivocada do tamanho do comércio eletrônico no país e do seu potencial.

Falamos mal dos Correios com todos seu problemas, atrasos e desperdícios, mas é ele quem irá atender por redespacho muitas cidades. Muitas das nossas transportadoras “alternativas” ainda têm uma cultura do mercado físico, na qual eu ligo para fazer a cotação e eles retornam dali duas horas com o frete. Isso precisa mudar, e rápido.

Sei que muitas transportadoras possuem API, webservice, etc, etc, e que são muito eficientes. Entendo, mas experimente enviar algo para fora do eixo RJ/SP/MG. Tente entregar de Santa Catarina para cidades no interior de Pernambuco ou Cuiabá até o interior do Rio Grande do Sul e veja se a eficiência é a mesma ou se o custo não fica exorbitante.

Na minha visão, não precisamos mais de softwares, sistemas, mas de transportadoras sérias, comprometidas, preocupadas com a logística, integridade, status da entrega, cuidado com o produto e atendimento. Ainda operamos com entregas de varejo como se fossem cargas de soja. Repito: isso mudou, e o mercado não consegue acompanhar o ritmo.

Nosso problema (e solução) passa muito mais por caminhões, estradas e motoristas do que softwares. Vejo poucas iniciativas de empresas criando cadeias logísticas (não programas de computador) que permitam entregar um produto do Rio Grande do Sul ao Acre ou Pernambuco. Este é o “pulo da onça”.

Obviamente, existem muitos problemas em montar uma operação dessas, como prazos, custos, responsabilidades, legislação. Imaginem quantos CT-e (Conhecimento de Transporte Eletrônico) serão necessários para uma entrega do Rio Grande do Sul ao Amazonas, quantas conexões precisarão ocorrer, de quem foi a responsabilidade de algum dano ao produto. Não é uma tarefa fácil, verdade, mas coisas simples todo mundo faz – e as complexas sim são emocionantes.

Resumindo: comer picanha todo mundo gosta; agora, quero ver comer carne de pescoço. Ninguém quer.

Temos muito para evoluir em logística, mas precisamos adaptar rapidamente nosso transporte para varejo para, assim, o mercado de e-commerce conseguir ser mais eficiente e fazer os clientes mais felizes.

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1 comentários

Comentários

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  1. Olá Mauro. O e-commerce capilarizou e fracionou o mercado de transporte de cargas. Além disso, o prazo de entrega e ticket médio foram puxados drasticamente para baixo. Lembre-se de que uma empresa precisa ser viável financeiramente, nem o Correios consegue ser! O fim do e-sedex já é um sintoma! Quando o assunto é transporte de cargas a relação custo X volume X lucro atrai toda atenção. Criar malhas, emitir CTe, atender lei dos motoristas, etc apesar de desafiador é o de menos. Faça uma breve simulação de preço que você paga pelo frete, prazo e a quantidade média de entregas em cidades de interior. Logo você vai entender o motivo de ainda não existirem fluxos de entrega de empresas privadas para essas regiões. Muitas delas o Correios atende pelo seu papel social e fecha a conta no vermelho. As transportadoras, assim como as lojas virtuais estão buscando formas de se adaptar de forma viável no e-commerce.

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