O varejista do amanhã: como será o varejo no pós-pandemia

por Fernando Bravo Quarta-feira, 09 de dezembro de 2020   Tempo de leitura: 4 minutos

Assim como celebramos os aniversários, todos os profissionais têm seus dias especiais para comemorar. O dos supermercadistas é todo 12 de novembro. Porém, diferente de datas afetivas como Dia das Mães, este não é um que veremos ofertas imperdíveis, com filas enormes na porta das lojas.

O Dia do Supermercado — criado pela Lei 7.208, em 1968 — tem um sentido muito mais institucional do que festivo. Este ano é bastante especial, já que vem marcado pelo impulso na transformação digital no segmento e o avanço da multicanalidade do setor.

E como foi a evolução do mercado ao longo dos últimos anos? O varejo alimentar no Brasil, bem como em todo o mundo, vem acompanhando o desenvolvimento e as mudanças da própria sociedade, compreendendo a necessidade de oferecer possibilidades cada vez mais dinâmicas aos clientes. Dos antigos armazéns passou para o autosserviço e, sem que a gente percebesse, temos agora também o e-grocery. As evoluções acontecem todos os dias, claro que de maneira gradual, mas também irreversível na forma como vivemos e consumimos.

Toda esta evolução é dinâmica e continua ocorrendo enquanto você lê este artigo. Você sabia, por exemplo, que nos anos 50 o modelo de varejo no Brasil (e em boa parte do mundo) era o do armazém de secos e molhados? Não havia o supermercado como conhecemos hoje, com produtos expostos em gôndolas. O comércio era realizado no formato de venda balcão, no qual os funcionários selecionavam as mercadorias e as entregavam nas mãos dos clientes.

Com o tempo, surgiu o autosserviço: o consumidor realizava suas compras com o mínimo de auxílio possível. O primeiro supermercado inaugurado no Brasil foi o Sirva-se, em 1953, em São Paulo, na Rua da Consolação (segundo levantamento da Escola Superior de Propaganda e Marketing – ESPM). Como tudo que é novidade, o Sirva-se despertou um misto de curiosidade e desconfiança na população — semelhante ao que ocorreu nos primeiros e-commerce supermercadista. Não demorou muito para que a moda pegasse e o consumidor se habituasse com o formato de gôndolas, que utilizamos até hoje.

Já nos anos 60, as redes, que eram familiares e com poucas unidades, começaram a ter perspectiva de unidades escaláveis. Surgiram os primeiros conglomerados nacionais, como o Grupo Pão de Açúcar. As lojas também começaram a crescer, assim como seu mix, que ia subindo de acordo com a capacidade das lojas. O movimento se manteve em ascensão até que, nos anos de 1980, surgiram os hipermercados, oferecendo entre 20 mil e 50 mil itens.

Em meio a este crescimento houve a revolução tecnológica, com a massificação dos computadores. Ela permitiu a melhora na gestão das empresas e, consequentemente, seu crescimento. As redes foram ganhando cada vez mais unidades e o supermercado foi se tornando cada vez mais completo. Assumiu outros papeis na venda de alimentos, como açougue, padaria, hortifrúti. Tudo junto e misturado no mesmo espaço, na mesma solução.

Em meados de 2010, o varejo supermercadista iniciou um movimento de volta à origem. As redes deixaram de abrir hipermercados e optaram pelas lojas de vizinhança. Os novos mercados de bairro passam a ser um capítulo à parte em um movimento muito maior na mudança de hábitos da população, sobretudo nas regiões centrais e repletas de escritórios.

No momento atual, vivemos a digitalização dos supermercados. Ela já vinha ocorrendo antes da pandemia e foi acelerada pelo isolamento social. Estamos em uma era de modernização ainda mais disruptiva e transformadora.

No pós-pandemia, o formato digital de consumo tende a ocupar um espaço importante no varejo alimentar. Sabemos que sua expansão não será total nem acontecerá de uma hora para outra. Entretanto, é fato que a pandemia propiciou a quebra do paradigma do consumo de alimentos online — e elevou as pessoas a buscarem outras formas de consumir.

Os supermercadistas precisam estar alinhados com uma solução digital, sob risco de perderem oportunidades. O varejista do amanhã é aquele omnichannel: ele precisa conversar com o cliente por vários canais e o digital é que faz a integração de todos. Mas, será que este é o varejista do amanhã? Para mim, este já é o varejista “de hoje”.

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