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Mas, afinal, o que é inovação?

por Amanda Lima Quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018   Tempo de leitura: 5 minutos

Estamos no tempo onde a palavra da moda é inovação. Se sua organização está com problemas, alguém já determina que é preciso inovar. Mas, o que seria realmente inovar? Entenderemos que sua compreensão não se trata só de carros elétricos e robôs que substituem o humano. Inovar é bem mais simples e a sociedade já o vem fazendo desde sua existência.

Para os neo-schumpeterianos[1], inovação é o resultado de um processo de solução de problemas, seja de mercado ou de custo. Freeman[2] diz que inovar é o processo que inclui atividades técnicas, concepção, desenvolvimento, gestão e que resulta na comercialização de novos produtos, ou na primeira utilização de novos processos.

Para Dosi, inovar é uma atividade complexa inserida em um processo ou relacionada com descoberta, desenvolvimento, experimentação e adoção de novos produtos e/ou processos produtivos. Segundo Higgins, inovar é criar produtos ou processar melhorias em produtos e/ou serviços existentes.

Rieg, na mesma linha neo-schumpeteriana, esclarece que inovar significa desenvolver tecnologias de processos e produtos viáveis comercialmente. Inovar tecnologicamente é aperfeiçoar o desempenho do produto. Para Prahalad, é adotar novas tecnologias que permitam aumentar a competitividade da empresa no mercado.

Contudo, vem de Kelley, outro neo-schumpeteriano, a ideia que mais se aproxima com o presente texto. Para ele, inovar é o resultado de um trabalho em equipe, ou seja, ser receptivo à cultura e tendências de mercado, aplicando conhecimento de maneira a visualizar o futuro e gerar produtos e serviços diferenciados.

Pontuando esta última definição com exemplos reais, no que tange ser receptivo à cultura e tendências de mercado, é fácil enxergar onde as empresas têm falhado no tocante à inovação. A maioria já leu ou ouviu a máxima de que a Netflix foi a responsável pelo declínio da Blockbuster. Na verdade, a própria Blockbuster foi responsável pela sua falência.

Se refletirmos que as locadoras de filmes estipulavam prazos curtíssimos para entrega e, em caso de atraso, cobravam taxas para devolução, além delas serem resistentes à cultura e tendência de mercado, ainda afastavam clientes que poderiam ser fiéis ao seu serviço, cobrando taxas que, se somadas, pagariam vários meses de Netflix.

A plataforma Airbnb, por exemplo, não é a responsável pela diminuição em hospedagens em hotéis. O consumidor migra para utilizar a plataforma por uma questão de custo. Algumas diárias em hotéis chegam a custar o equivalente a cinco dias de estadia numa das acomodações oferecidas no Airbnb. Muito provavelmente, se os hotéis reduzirem os preços ofertados e melhorarem o acesso do usuário às reservas, não perderão grande parte de seu consumidor, visto o conforto que os hotéis proporcionam.

Nítido, então, perceber o segundo ponto de Kelley, quando ele fala sobre “visualizar o futuro e gerar produtos e serviços diferenciados”. O serviço/produto diferenciado pode ser desde o custo até a experiência do consumidor. Afinal, quem nunca pagou mais do que queria pela vontade de ter determinado serviço ou produto?

Ocorre que, entramos, atualmente, numa tendência de debates de inovação pela descentralização. Diariamente, chegam notícias de startups de compartilhamento baseadas em tecnologia blockchain, por exemplo, que retiram o intermediário (Airbnb, Uber, 99 e Youtube, por exemplo) e permitem que as pessoas tenham modelos de serviços próximos, mas sem as taxas cobradas pelo marketplace.

A startup Bee Token, por exemplo, com sede em São Francisco, pretende ser como o Airbnb, com fotos, classificações de usuários, revisões e regras de hospedagem. Enquanto o Airbnb recebe 15% em cada transação em sua plataforma, com o Bee Token, os anfitriões não pagarão a mesma taxa para disponibilizar cômodos para locação. A plataforma planeja monetizar o licenciamento de tecnologia para outras startups, além de cobrar taxas de 1% a 2% se os usuários optarem por pagar quartos usando bitcoin ou ether em vez de comprar tokens.

Nesse sentido, o anfitrião, não tendo a referida cobrança de 15%, poderá reduzir o custo da hospedagem, barateando os cômodos que ficam nessa plataforma de compartilhamento descentralizada. A startup Bee Token afirma, ainda, que seus protocolos são soluções de código aberto para gerenciar pagamentos seguros, resolver disputas através da arbitragem e criar um sistema de reputação que combine identidade segura com as classificações dadas.

Observe, nesse sentido, que surge o início de um movimento onde os modelos de negócios que são considerados responsáveis pelo declínio de empresas que perderam a hegemonia do mercado, anteriormente, precisam visualizar o futuro e adequar seu serviço/produto à uma nova possibilidade de tendência.

A Uber, por exemplo, não pode ficar estática, taxando o motorista em 25%, enquanto a Arcade City, que chegou ao Brasil em dezembro de 2017, permite que o motorista escolha sua própria estrutura de preços, aduzindo que, desta forma, ele será, de fato, tratado como empreendedor.

Em síntese, portanto, inovar é enxergar a mudança cultural e adaptar-se à exigência do mercado. Quando muda o mercado, a maneira de lucrar deve ser revisada mudando-se a forma de pensar na interação entre a organização e o consumidor, não importando se estamos falando da cultura dos smartphones, dos marketplaces, das tecnologias descentralizadas ou dos carros autônomos.

Talvez o futuro a ser analisado pelas empresas deva ser um trabalho rotineiro, onde a equipe tenha o hábito de revisar, pelo menos, um ponto a ser melhorado, tanto internamente, visando a maximização dos procedimentos diários, como externamente, tentando enxergar como poderia ser melhor que seu concorrente. A identificação das necessidades do cliente, então, é de essencial importância, atento às novas tecnologias e sempre buscando uma experiência única atrelada a business innovation.

Abaixo, entrevista com Christopher David, fundador da Arcade City:

[1] Autores que se identificam pela abordagem evolucionista sobre inovação tecnológica de Joseph Schumpeter, um dos mais importantes pensadores economistas, e que se dedicaram na análise, na crítica e na complementação de suas obras, destacando a busca de competitividade no processo de inovação.

[2] Junqueira, Luciano Antônio Prastes; Amorim, Maria Cristina; Silva, Maria Fátima. Inovação: perspectiva Schumpeteriana e as ciências sociais. Para o conteúdo completo, clique aqui.

(As sínteses das definições dos neo-schumpeterianos foram retiradas do referido artigo acadêmico.)

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