O inverno do Big Data

por Thoran Rodrigues Terça-feira, 10 de janeiro de 2017   Tempo de leitura: 3 minutos

Big Data deixou de ser a palavra da moda, e passou a ser um termo sem graça. Desde 2015, o termo “Big Data” saiu do Hype Cycle da Gartner (gráfico que ranqueia o nível de “hype” das tecnologias emergentes), e o nível de interesse sobre o assunto (seja medido por quantidade de buscas no Google, seja medido pela quantidade de artigos científicos publicados), tem se mantido estável ou mesmo diminuído. Se há dois anos entender de Big Data abria qualquer porta para um trabalhador ou para uma empresa, entender de Big Data hoje praticamente não agrega valor.

Além da redução do hype, estamos passando por outras situações e transformações no mercado de Big Data (e de análise de dados em geral). Segundo pesquisas recentes, a maior parte dos projetos nessa área executados pelas empresas nos últimos anos foram um fracasso, e não trouxeram benefícios significativos, por diversas razões.

Primeiro, existe ainda uma grande confusão sobre o termo “Big Data”, e muitas empresas ainda acreditam que podem “fazer um Big Data” contratando e implantando tecnologias. Na verdade, Big Data é um adjetivo, que se aplica a conjuntos de dados, e o entendimento errado leva ao fracasso em boa parte dos casos.

Outro ponto importante é a busca incessante pelo cientista de dados, uma figura mitológica que possui conhecimentos de computação, programação, ferramentas, estatística, matemática, negócios, criatividade, curiosidade, e dezenas de outros atributos.

Na prática, pessoas com todas essas características não existem (ou são extremamente raras), e empresas que ficam procurando profissionais estão simplesmente jogando tempo e dinheiro fora. O pensamento de ponta fala hoje em times, com profissionais que possuem habilidades específicas para lidar com cada uma das etapas do problema.

Finalmente, temos uma saturação do mercado, principalmente do ponto de vista de tecnologias e ferramentas, com centenas (ou até mesmo milhares) de empresas em todo o mundo oferecendo soluções que competem entre si, e dificultam a vida das empresas na hora da seleção do ferramental de trabalho. Não só isso, mas as ferramentas mais conhecidas dentro da área (como o Hadoop) não envelheceram bem, e estão sendo rapidamente substituídas por novas tecnologias.

Todas essas questões criam a situação perfeita para o surgimento de um “inverno” de Big Data, um momento aonde o volume de investimentos na área se reduz e o mercado passa por um movimento forte de consolidação e de fechamento dos players menos qualificados.

Durante esse inverno, as empresas estão naturalmente menos dispostas a investir em projetos dessa natureza, e são muito mais criteriosas e objetivas tanto na seleção dos investimentos quanto no corte de investimentos que não estão dando resultados. Isso significa que, além de entregar resultados concretos, é necessário que esses resultados sejam entregues rapidamente, para que o valor percebido do projeto ou produto transpareça.

Esse inverno, no entanto, não é o fim do mundo, mas sim um movimento natural pelo qual toda tecnologia emergente tem que passar, e que na verdade melhora a qualidade do mercado como um todo. A adoção de critérios mais rigorosos para produtos e projetos garante que apenas os melhores fornecedores permaneçam no mercado, e trazem mais transparência sobre os benefícios reais para todos.

Para as empresas atuantes, é uma oportunidade de apresentar produtos diferenciados e mostrar sua qualidade. E, para os profissionais, é a chance de fazer valer as habilidades específicas e experiências adquiridas ao longo dos anos.

Mais do que isso, a consolidação e retração do mercado de ferramentas e tecnologia básica abre espaço para o surgimento de empresas focadas em resolver problemas específicos, que agregam valor ao mercado de uma forma muito mais direta e objetiva.

A grande vantagem do trabalho com os dados é que ele é limitado apenas pela nossa imaginação, e a quantidade de problemas passíveis de solução com o grande volume de dados disponíveis publicamente hoje é sem fim. No próximo inverno, vista um casaco, e desbrave o universo de possibilidades do mercado.

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