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O futuro do e-commerce na visão pessimista

por Mauro Tschiedel Segunda-feira, 05 de março de 2018   Tempo de leitura: 4 minutos

Dias atrás estava lendo o artigo do Rony Meisler — A morte do e-commerce — e ele foi muito feliz na forma de visualizar o futuro, colocando numa carta a visão para 2023. Acho que, baseado no que se tem hoje e colocando um adicional de tecnologia, realmente é possível de imaginar o que acontecerá neste tempo de 5 anos.

Hoje, porém, farei um exercício oposto ao do Rony. Ele analisou que o e-commerce morreria, mas no final daria tudo certo. Todo mundo sonha com um mundo que sempre evolui bastante. Mas, façamos o caminho inverso. Por exemplo: quando saímos de férias, imaginamos que vai ter sol, praia limpa, trânsito tranquilo… Porém, muitas vezes isto não acontece.

Abaixo, então, listei 4 tópicos que podem prejudicar o e-commerce até 2023:

1 – Logística

Todos os prognósticos levam à privatização dos correios e que isto irá “solucionar” os problemas existentes na logística nacional. Num primeiro momento, acho que a privatização será uma mudança drástica e não tão positiva como se imagina. Quem já trabalha com transportadoras sabe como é deficitário, em sua grande maioria, o atendimento, as integrações, a estabilidade de entrega, a TDA (Taxa de Difícil Acesso), o tracking deficitário, a tecnologia arcaica, etc.

Não tem como ser diferente. Veja o serviço internacional da Fedex e o nacional para notar a diferença do serviço. Isto é diferença de cultura, e não se muda uma cultura em 5 anos. Então, poderemos ter mais problemas.

2 – Cross Border Interestadual

No Brasil é mais complexo vender ou comprar do RS para SP, do que vender do Brasil para Exterior. Analisando isso, nossas vendas interestaduais são “exportações” e “importações”, porque temos que aprender tudo do “país/estado” de destino para, então, pagar o imposto na saída, entrada, DIFAL, partilha, substituição tributária, etc. Ou seja, estamos fazendo cross-border dentro do Brasil. Ou tu sabe como é o imposto do estado de destino, ou estará fazendo errado.

Traçando um paralelo, a União Europeia tem 28 Países e aqui 27 estados com tributações diferentes. Possivelmente seja tão similar vender na Europa, entre países, quanto aqui, entre os estados.

Em 5 anos isto pode mudar, claro que pode. Mas duvido que seja algo significativo para nós. Se a lei da partilha foi criada para ser finalizada depois de 4 a 5 anos, não esperem milagres de um país burocrático.

3 – Os millenials

Sim, eles chegarão na gestão das empresas e poderão fazer muitas mudanças positivas. Eles chegarão na gestão pública que, somado à nossa linda burocracia, terá chance de ser uma tragédia. Eles vão querer digitalizar tudo, ter acesso a mais dados para melhorar a gestão, a fim de serem mais estratégicos. E vai estourar nas mãos de quem? Do lojista, pois o governo adora criar regras e jogar nas empresas para gerar os dados.

4 – Uso de dados para propaganda

Cada dia que passa as pessoas estão mais preocupadas com o uso de seus dados privados de forma indiscriminada. Muitas empresas estão abusando da privacidade dos usuários e isto vai dar problema, em breve.

Você acessa um site, se cadastra e depois recebe um e-mail de outra loja. Acredite, isto vai acabar. Alguém vai fechar essa torneira e isto prejudicará todas as lojas, pois o uso de dados será mais restrito. Terão regras dificultando e criando restrições para serem cumpridas.

Além disso, haverá muito mais assuntos para se falar, o que poderá prejudicar o e-commerce no futuro. Como por exemplo o incremento de fraudes, as mudanças do Código de Defesa do Consumidor (CDC) agregando mais custo, novas tecnologias com alto custo de implantação, incremento no custo logístico, etc.

Todas estas alterações poderão desembocar em um cenário adverso, que poderá levar o e-commerce (no formato como ele é hoje) à morte,  tornando-se um catálogo virtual para direcionar o cliente para a loja física — como era e ainda é para algumas empresas.

O mundo não é feito só de flores e de inovação positiva que melhoram o ambiente. Ele tem muita capacidade de destruir algo que poderia ser legal.

Adoro trabalhar com e-commerce e espero estar errado.

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