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O e-commerce e a sua necessidade constante de reinvenção

por Nathália Cirne Quarta-feira, 24 de abril de 2019   Tempo de leitura: 7 minutos

Quando os primeiros canais de venda online começaram a ganhar força, surgiu também uma suposta ameaça para o varejo tradicional. Os benefícios eram muitos: economia de tempo, maior variedade de forma concentrada em um só espaço, escalabilidade, comodidade e até mesmo a economia. Sim, você economizaria nos estacionamentos de shoppings e nos lanches necessários depois de um dia longo atrás do produto ideal. Fora, claro, a possibilidade de comparar os preços de um mesmo produto com maior facilidade.

A história do e-commerce no mundo ocorreu, provavelmente, muito antes do que você imagina. Em 1979 um inventor inglês, chamado Michael Aldrich, começou por meio de uma linha telefônica e um televisor adaptado, um sistema de venda online capaz de atender tanto os mercados B2C quanto o B2B. Já no Brasil, uma das pioneiras foi a Magazine Luiza. Porém, foi por meio de terminais, já que somente em 1995 a internet foi liberada no país para fins comerciais.

Já nos moldes em que conhecemos hoje, o pioneirismo veio da Brasoftware em 1996. Ela deu início ao fenômeno classificado como Êxodo Digital, quando diversas varejistas iniciaram suas integrações entre o físico e o online. Então, criou-se a expectativa de que realmente o online engoliria o físico. Do ponto de vista do empreendedor ele começou a enxergar grandes possibilidades: redução de aluguel, de funcionários, maior controle de estoque integrado e facilidade de só lidar com pagamentos virtuais, sem manipulação de dinheiro.

Incrível, não? Hoje no Brasil contamos com empresas de peso: Americanas.com, Submarino, Shoptime, Sou Barato, Casas Bahia, Ponto Frio, Extra.com, Magazine Luiza, Netshoes… No entanto, em uma realidade paralela, muitas marcas estão vivendo nos últimos anos uma batalha nas negociações e uma tendência de incorporações e fusões. E sabe qual o grande vilão? A logística. E essa mesma logística que tem feito o mercado voltar a valorizar o varejo físico, parando de tratá-lo como uma espécie prestes a ser extinta.

As deficiências da logística no Brasil, especificamente, vem de questões infraestruturais regionais: péssima manutenção das estradas, carência de vias próprias para caminhões, violência e saqueamento de frotas… Além da ausência de conexões entre diferentes modais, englobando os transportes ferroviários, hidroviários, aeroviários e dutoviários. Apesar de o mercado de e-commerce se manter em crescimento, os obstáculos estão se fazendo presentes e obrigando o setor buscar novas soluções, que possam contornar a ineficiência do governo.

Novas estratégias surgiram:

Marketplace

O marketplace virou uma febre, fazendo grandes marcas se renderem à ele. Apesar da logística geral mais complexa do que em um e-commerce normal, que possui foco em 1P, essa modalidade de 3P é uma alternativa de redução de custos. Isso porque o estoque e a entrega viram uma responsabilidade do próprio seller, que ainda paga uma comissão para a plataforma onde o seu produto é anunciado. Ao mesmo tempo, a plataforma se posicionando com um maior sortimento atrai mais ainda o público. Do ponto de vista negativo, muitas vezes a insatisfação do comprador com o seller se reflete também nela.

Fintech

As Fintechs surgiram para englobar uma necessidade e uma oportunidade de negócio dentro das negociações digitais, especialmente. São soluções inovadoras com foco em novas tecnologias por empresas do setor financeiro na entrega de serviços financeiros. Apesar de ter diversas áreas de atuação, dentro do varejo tem promovido parcerias para que as próprias empresas sejam capazes de oferecer financiamentos aos seus clientes.

Cashback

O cashback ainda está começando a ganhar força dentro do mercado brasileiro. As principais empresas de varejo estão investindo nessa modalidade que já muito comum nos Estados Unidos. Dessa forma, parte do valor em compras do usuário é retornado para ser utilizado em compras futuras, não sendo confundido com descontos. Essa solução tem como foco o aumento do número de vendas, a fidelização do cliente e uma alternativa para incentivar a movimentação de estoque parados. Hoje, a Ame Digital, da B2W Digital, tem ganhado destaque na atuação, estendendo os seus serviços inclusive para negócios físicos fora do grupo do qual faz parte.

Pegue na loja

Por conta das deficiências logísticas próprias do nosso país, surgiu a solução que mira diretamente reduzir os custos com transportes. Nessa modalidade, você faz a compra no site da empresa e retira em alguma das unidades físicas ou parceiras. Definitivamente, essa solução se tornou uma reviravolta na máxima que lojas físicas seriam extintas. Um exemplo da importância dessa integração é a dificuldade encontrada atualmente pela Netshoes. Ela faz um trabalho muito bom, mas tem sofrido grandes problemas financeiros por conta dos custos logísticos — já que é uma marca exclusivamente online.

Em contrapartida, temos a Americanas.com e a Magazine Luiza dando grande destaque à essa modalidade em sua comunicação. Detalhe: ambas compõem os grupos que hoje disputam a compra da Netshoes. Esse ano, por exemplo, toda a campanha de Páscoa da Americanas foi focada na opção do consumidor pegar na loja, atendendo não só a ansiedade do cliente, como contornando as questões logísticas até mesmo da fragilidade do produto.

Foco em App

No último ano houve uma inversão de tráfego na compra online, hoje sendo o mobile o maior meio. As marcas investem em promoções e ações exclusivas pelo aplicativo, pois por meio dele você consegue uma maior fidelização, uma maior recorrência e uma melhor comunicação por conta de push notification.

Hoje, quando queremos estudar o mercado de e-commerce no Brasil, temos que considerar os fatores tecnológicos que influenciam diretamente no aprimoramento das plataformas, tentando sempre melhorar a experiência do usuário. Seja nos nichos de mercado que ganham força, seja com a logística própria do país, que devido aos seus empecilhos, tem feito também o setor de e-commerce de produtos digitais ganharem também mais força nos últimos anos.

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