Morrer ou mudar: a escolha é sua!

por Samuel Gonsales Segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020   Tempo de leitura: 10 minutos

O ano de 2019 tem sido marcado pela necessidade de as empresas desconstruírem seus modelos de negócio e seus modelos de gestão. A forma tradicional de fazer negócio e de gerenciar as empresas não tem mais espaço e a hora de realizar transformações profundas nos negócios chegou!

Desde as indústrias, passando por distribuidores, atacadistas até os varejistas, estão sendo fortemente impactados pela nova forma como os consumidores querem fazer negócios. Eles exigem mais informação, exigem conveniência e comodidade, não abrem mão de bons serviços, da qualidade dos produtos e querem pagar o menor preço por esse conjunto.

Mais do que nunca as indústrias, distribuidores, atacadistas e varejistas entenderam que quem manda em toda a relação comercial é o consumidor e aquelas empresas que não colocarem o consumidor no centro de suas estratégias e atividades diárias terão sérios problemas para manter-se!

Realmente as coisas mudaram, pois nos últimos cinco anos as empresas até sabiam disso, mas apenas algumas reagiram adequadamente e inseriram o consumidor no centro de suas estratégias e atividades cotidianas. Agora, em 2019, os termos transformação digital e omnichannel estão na agenda da expressa maioria dos CEOs de todos os segmentos de mercado.

Abaixo listo sete dos principais desafios para as empresas que acordaram para as mudanças, transformação digital e adoção de estratégias omnichannel:

1 – Percepção da urgência nas mudanças

Embora a maioria das empresas tenham percebido a necessidade de mudar, são poucas as que perceberam a urgência dessas mudanças.

Essas empresas acostumaram a esperar que os problemas batam em suas portas, algo como a perda significativa de faturamento, para então reagirem. Importante destacar que quanto maior a empresa mais lenta para mudanças, portanto, mesmo empresas ditas disruptivas, tendem a sofrer para agir com urgência.

Por outro lado, as empresas menores reagem mais rapidamente, mas normalmente não tem os recursos financeiros necessários, demoram a reagir e podem ficar pelo caminho.

2 – Velocidade com que aprendem

Sabe aquela máxima de que bons projetos demoram muito para ir ao ar… então, ela não se aplica mais aos negócios da omniera e cada vez mais as empresas são colocadas à prova quanto à sua capacidade de aprender e seguir aprendendo rapidamente.

Empresas que não investem pesado em educação corporativa, em conhecimento de mercado, em novas tecnologias, em melhorias nos padrões e processos estão fadadas a morrer mais rapidamente.

E pensar que, em pleno ano de 2019, eu ouvi do presidente de uma grande indústria brasileira (mais de 12.000 colaboradores) “que ele não precisa estudar, que não vê valor em um monte de informações novas, que seus colaboradores não precisam participar de eventos, fóruns e conferências, pois eles já sabem o suficiente”. Lamentável, não?!?!

3 – Velocidade de adaptação aos novos cenários

Enquanto a maioria das empresas tradicionais (aquelas que estão morrendo!) pune veementemente os erros de seus colaboradores, as empresas digitais, que se preocupam com a urgência das mudanças e com a velocidade com a qual aprendem, tem uma percepção diferente… sim, elas toleram os erros e os tratam como lições aprendidas, pelo simples motivo de que elas entendem que estamos nos adaptando a novos cenários!

Isso não quer dizer que essas empresas passem panos quentes nos erros, muito pelo contrário, elas analisam e discutem exaustivamente os erros para melhorar sempre. Se uma empresa está disposta a grandes mudanças também está exposta a erros, mas com certeza, somente as empresas que erram e corrigem rapidamente estão crescendo.

Recentemente vi uma empresa que nasceu online (e-commerce) montar lojas físicas. Na primeira loja, eles investiram em um provador virtual (aqueles espelhos caríssimos onde as pessoas provam as roupas virtualmente). Essa aquisição não vingou, os consumidores não se adaptaram ao uso dessa ferramenta na loja.

Na abertura da segunda loja esse item foi eliminado da lista de compras e, atualmente, nenhuma das suas 15 lojas físicas tem o tal provador disruptivo.

4 – Eliminação das burocracias

Sei que você é inteligente e já percebeu que os três primeiros itens da minha lista têm relação direta com agilidade. O nosso quarto item trata exatamente de uma das coisas que mais agride a velocidade das coisas nas empresas – burocracias.

Veja bem: eu sou a favor de termos regras claras e objetivas, mas não vejo com bons olhos quando a politicagem entre pessoas e departamentos impede que o consumidor seja atendido adequadamente e com respeito que merece.

As burocracias, de forma geral, só servem para proteger aquelas equipes e pessoas da organização que não querem que as coisas andem.

5 – Adoção de novas tecnologias

Esse sim um paradigma comum à expressa maioria das empresas. Impressionante como desde indústrias até varejistas são resistentes aos investimentos em tecnologias de ponta.

ara a infelicidade dessas empresas, que não compreendem o valor de tecnologia na melhoria de seus negócios, novas tecnologias se tornaram a mola propulsora da transformação digital e da diferenciação competitiva, portanto, ficar sofrendo com o sistema ERP tradicional, arcaico ou engessado, que não dá vantagens competitivas simplesmente para não investir em um sistema novo é um erro gigantesco que pode resultar em sérios problemas para a organização.

Para as empresas que perceberam a urgência das mudanças, a necessidade de aprender rapidamente, a necessidade de se adaptar aos novos cenários com velocidade e que empenharão esforços para eliminar burocracias, a adoção de um sistema ERP idealizado para omnichannel é fator essencial, pois eles oferecem agilidade nas mudanças, a criação de fluxos personalizados que refletem fielmente as atividades do negócio, permitem planejar e gerenciar de forma objetiva e consistente e integram facilmente com todo o ecossistema digital.

6 – Fascinação pelos consumidores

O comportamento de consumo mudou radicalmente. Os consumidores precisam, cada vez mais, da transparência e respeito das empresas e, apesar disso ser o básico, existem muitas empresas que não dão nem bola pra isso. Pior que isso só as empresas que fingem conhecer seus consumidores e os comportamentos de consumo destes. Elas acham que estão enganando os consumidores e o mercado, quando na realidade estão se enganando.

Compreender corretamente a jornada dos consumidores e criar ações que realmente agregam valor aos consumidores é fundamental. Não adianta colocar uma pesquisa na loja física ou online e não usar os resultados da pesquisa para gerar valor aos consumidores. Pior que isso só demorar meses para analisar a pesquisa e tomar decisões sobre ela.

Sempre me preocupo quando passo na frente de uma loja e uma funcionária me chama pra dar minha opinião sobre meu atendimento (uma tela com três botões: verde, amarelo e vermelho) – detalhe: eu nunca comprei nessa loja, mas como a moça tem uma meta diária, mesmo que eu só esteja no corredor do shopping, ela me convida para apertar o botão. Você já imagina, nesse ponto, o tanto que essa empresa – que tem centenas de lojas espalhadas pelo Brasil – está se enganando.

7 – Invista em prototipação

Com um cenário de grandes mudanças testar várias hipóteses pode te ajudar a verificar o que realmente o seu consumidor entende como valor percebido. Prototipar, implementar um produto mínimo viável (MVP) e obter feedbacks dos seus consumidores pode indicar se você está no caminho certo.

Se estiver, basta dar andamento ao processo, se não estiver, terá investido pouco e obtido as respostas em pouco tempo, ou seja, a sua reação será mais rápida e assertiva.

Em empresas tradicionais demora-se muito para descobrir o que precisa ser feito, depois demora-se muito para descobrir como fazer, aí demora-se uma eternidade para contratar os fornecedores e ferramentas.

Tudo que era para ser simples se torna muito complexo por conta dos feudos do negócio e a implementação dura mais do que precisaria. Quando consegue colocar em produção já não atende mais a necessidade do consumidor levantada inicialmente.

Resumidamente, minha mensagem é para que você desconstrua os negócios, para criar algo novo e relevante. Que sua empresa desconstrua o modelo de gestão quadrado para reconstruir baseado em ciclos de valor. Que você abandone o modelo de silos funcionais para construir equipes multidisciplinares com autonomia para prototipar, desenvolver e evoluir soluções que afetem e impactem seus consumidores.

Sintetizando minha mensagem desse artigo, concluo com a seguinte reflexão:

  • A Netflix não matou a Blockbuster
    Cobranças exageradas e indisponibilidade de títulos mataram a Blockbuster.
  • A Amazon não está matando os varejistas
    Serviços e experiências ruins estão matando os varejistas.
  • O Spotify não matou a indústria da música
    Obrigar o cliente a comprar álbuns completos matou essa indústria.
  • O Uber não matou o negócio dos taxistas
    Acesso limitado, tarifas ruins e desrespeito ao usuário fizeram isso.
  • O AirBnB não está matando a indústria hoteleira
    Disponibilidade limitada, falta de opções de preço e de transparência estão matando essa indústria.
  • O WhatsApp não matou a indústria de telefonia tradicional
    A falta de qualidade, preços exorbitantes e péssimo atendimento fizeram isso.

Texto publicado originalmente na revista E-Commerce Brasil

Leia também: Por que tantos bons e-commerces estão quebrando?


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