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O que o metaverso tem a agregar na evolução da estratégia de vendas online

por Rafael Leitão Terça-feira, 05 de abril de 2022   Tempo de leitura: 15 minutos

Você já deve ter ouvido falar sobre o termo MetaCommerce ou Metaverse Commerce, termo proveniente do metaverso, unificando a possibilidade de vendas através desse ambiente digital que tem demonstrado que será um canal extremamente importante para a estratégia de vendas online, independentemente da categoria ou do modelo de vendas de produto ou serviço.

Esse poderá ser um canal que terá grande possibilidade de ser o próximo importante passo do modelo de vendas online, hoje representado pelo e-commerce, em formato da Web 2.0, tão impulsionada e influenciada pela estratégia de social media (Social Selling, LiveCommerce). Pesquisas sobre todo ecossistema relacionado ao tema metaverso, desenvolvidas pela JP Morgan (Opportunities in the metaverse) e CreditSuisse (Metaverse: A Guide to the Next-Gen Internet), demonstram uma mudança de comportamento e propensão de compras das gerações Z e Alpha (-25 anos) para modelo de compra através de um canal com experiência mais imersiva e baseada em conteúdos gameficados, hiperrealistas e relacionados ao modelo de comunidade.

Antes mesmo de iniciarmos o aprofundamento do tema MetaCommerce, é importante destacarmos que existem diversas definições do que é o metaverso. Poderia aqui incluir diversas opções, porém vamos nos apoiar no entendimento criado por Tony Parisi, um dos pioneiros da realidade virtual e um dos maiores desenvolvedores de software 3D. Ele define que:

“O metaverso é uma rede global de conteúdo espacialmente organizado, predominantemente 3D… disponível para todos sem restrição, para uso em todos os empreendimentos humanos – um meio novo e profundamente transformador, possibilitado por grandes inovações em hardware, interface homem-computador, infraestrutura de rede, ferramentas de criação e economias digitais”.

Já partindo dessa definição que aborda aspecto econômico, de comunicação e tecnológico, fica evidente o quanto o metaverso tem uma grande relação com aspectos de comportamentos e evolução do comportamento social. Para deixar mais claro, pense o que seria de um canal desenvolvido para interações humanas, sem nenhum usuário ou comunidade. Desse jeito, esse canal não evoluiria, como diz Matthew Ball (The Metaverse), um dos maiores especialistas sobre o estudo do metaverso é Social. Baseado nessa afirmação, posso resumir que o “metaverso é a representação 3D de comportamentos sociais e humanos”.

Estamos aqui falando de uma nova era tecnológica que espelha o comportamento de uma sociedade que está pronta para a era da Web 3.0, hoje definitivamente e inicialmente bem representada pelo público mais jovem e de early adopters.

Onde existem efetivamente sociedades ou comunidades existem relações comerciais, venda de serviços e produtos, apresentações e lançamentos de produtos, entretenimento e muitas outras possibilidades de interações diretas com o consumidor dentro do metaverso. Nessa relação comercial, estamos observando o inicio de uma grande transformação digital que irá impactar diretamente o mercado do comercio eletrônico, o MetaCommerce. Afinal, grande parte dos investimentos no futuro estarão focados nesse novo modelo.

Estamos falando de uma tecnologia, canal ou movimento relativamente novo, com uma oportunidade de amadurecimento muito grande e com alta dependência de outras camadas de inovações. Mesmo com todos esses desafios, segundo o relatório do JP Morgan (Opportunities in the metaverse), o metaverso será explorado de alguma forma por todos setores nos próximos anos, proporcionando uma oportunidade de mercado que foi estimada em mais de US$ 1 trilhão em receita anual, que poderá aumentar pela evolução da utilização da moeda virtual (NFT), hoje já com uma capitalização de mercado de mais de US$ 41 bilhões.

Varejo e lojas no metaverso (Web3.0) serão o novo de modelo Social Commerce (Web2.0)

O mercado de vendas online e e-commerce no Brasil segue em pleno crescimento. Em 2021, houve um crescimento de 26,9% comparado ao ano anterior, segundo a Neotrust, comportamento de alta que foi impulsionado principalmente por conta da pandemia, quando houve um crescimento representativo em diversas categorias de produtos e serviços. Porém, o que é mais interessante é que nesse mesmo período foram vendidos mais de US$ 2 bilhões em headsets de realidade virtual, crescimento muito significativos de novos usuários de realidade virtual.

Nesses últimos meses, observamos mudanças de consumo de conteúdos, principalmente na relação direta com o modelo de vendas através de Social Commerce e Live Commerce, tendências que se transformaram em realidade e estão em processo de amadurecimento constantes. Fica evidente que essa relação comercial de vendas através do ambiente online se tornou consultiva e humanizada, baseada cada vez mais no modelo de gestão e criação de comunidades. E isso impulsiona a transferência de valores do criador para seu produto ou serviço disponibilizado.

Agora, quando essa relação é impactada por uma tendência forte da área de game (comunidade, tecnologia avançada) e acesso a aplicações de realidade virtual, essa dinâmica pode mudar. E é exatamente nessa mudança de consumo de conteúdos online em realidade virtual que grandes marcas estão apostando, sabendo que essa relação pode se transformar em vendas de produtos digitais e físicos.

Segundo uma pesquisa da Delloitte e Snap, 75% da população global que utilizam social apps, até 2025, serão usuários frequentes de realidade virtual ou aumentada. Isso irá impactar diretamente como essa nova geração fará suas compras online.

Prova da importância desses novos comportamentos, como grandes empresas e marcas estão atentos a essa nova dinâmica, podemos ver cases importantes que relacionam o mundo MetaCommerce com seus produtos no mundo real. Nesse sentido, há casos com resultados financeiros significativos como a Nike, que vendeu em apenas sete minutos mais de 600 pares de tênis que não existem no mercado, gerando mais de $ 3.1M USD. Ou a Dolce & Gabbana, que começou a vender suas novas de coleções através do NFT – em apenas uma venda de sua coleção Collezione Genesi, faturou mais de $ 5,6M USD. Além desses exemplos com resultados impressionantes, outras empresas que têm canal de vendas online, como Adidas, H&M, Samsung, Vans, LG Electronics e General Electric, estão iniciando sua estratégia de vendas dentro do metaverso, seja em um ambiente gameficado, como Roblox, ou Meteverso Social, como Decentraland.

Recomendações para marcas se prepararem para o MetaCommerce

Obtenha vantagens com essa tendência, seja cético e entusiasta

Equilíbrio é um fator crucial para qualquer tipo de estratégia, seja cético e entusiasta ao mesmo tempo. Tenha atenção no movimento que está acontecendo e absorva as vantagens que o metaverso pode trazer para sua estratégia, entendendo que existem limitações relacionadas à tecnologia, falta de profissionais qualificados, segurança da informação e regulamentos claros. Pense: quem for primeiro terá vantagem competitiva, absorverá o maior número de aprendizados e terá maior tempo para amadurecer sua estratégia. Porém, pense também que ser o primeiro e não agregar nada na vida de seu cliente poderá matar sua estratégia antes mesmo de lançar seu projeto, metaverso não é só ter um “avatar bonitinho”. Esse ecossistema é muito maior do que isso, esteja preparado.

Comunidade é a chave da estratégia do metaverso e do MetaCommerce

Ao mesmo tempo que a estratégia de e-commerce continua sendo o foco do seu negócio, lembre-se de que a atual fase dessa estratégia está focada no modelo de vendas por influência ou por gestão de comunidade. O Live Commerce hoje será o MetaCommerce amanhã – ambos dependem da estratégia de criação e gestão de comunidade. Então, pense em como irá fazer essa transição ou como irá integrar as duas estratégias.

O metaverso tem como base a relação direta de pessoas e comunidades no ambiente imersivo, grupos constroem uma sociedade digital e todo ecossistema em volta desse ambiente. O comportamento social é a base do desenvolvimento de qualquer inovação. Construímos para viver e conviver, e no mundo digital isso não muda. Vivemos para nos relacionar, foi assim na era Web1, Web2 e continuará ainda mais forte na Web3.

O resultado sempre será o maior engajamento

Quanto maior o fomento da comunidade, através do desenvolvimento de conteúdos e aplicações que representam os objetivos desses usuários/clientes, melhor será o resultado de engajamento. Portanto, conhecer sua comunidade impacta diretamente na conversão e no interesse em seus produtos e serviços. Não espere fomentar o engajamento de seu público através da gestão de comunidade, só quando estiver no metaverso. Fortaleça essa estratégia hoje, na era Web2.0, prepare sua base para evoluir facilmente para a próxima era da Internet. Comece se perguntando: por que eu ainda não tenho produtos digitais?

Esteja sempre pronto para evoluir, porém entenda o porquê

Ouvir mais do que falar é sempre um bom início – comece pelo por que, já dizia Simon Sinek, qual motivo para entrar e explorar o mundo metaverso. A estratégia de marketing básica é sempre necessária, ter clareza da “dor” é um fator crucial para gerar uma proposta de valor coerente. Não faça metaverso porque está na moda, faça porque ele irá te ajudar agregar algo positivo na vida de seu cliente ou de sua comunidade. Caso contrario, será somente uma ferramenta tecnológica ou um joguinho legal para passar o tempo.

Já avaliou se sua comunidade está lá ou tem interesse em entrar, tem clareza desse público? Qual a proposta de valor que irá criar? Qual plataforma de mercado tem melhor aderência à sua comunidade e público? Você está preparado com profissionais especializados que poderão suportá-lo nessa jornada? Agora que iniciou essa estratégia, como está ouvindo seus usuários e gerando insights? Como está sua estratégia de vendas através desse canal? Essas e outras perguntas são essenciais para evoluir sua estratégia dentro desse novo ambiente.

Leia também: E-commerce e as oportunidades no metaverso

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