Mercado brasileiro de drones, enfim, sai do limbo

por Luis Neto Guimarães Quarta-feira, 10 de maio de 2017   Tempo de leitura: 4 minutos

Aguardada pelo mercado há muito tempo, a regulamentação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para operações de aeromodelos, usados para fins recreativos, e de aeronaves remotamente pilotadas (RPAs, na sigla em inglês), voltadas à utilização comercial, corporativa ou experimental, aconteceu finalmente no último dia 2 de Maio.         

Finalmente a lei passa a garantir a segurança jurídica e operacional que o mercado tanto almejava. As normas e os procedimentos são passos fundamentais para a consolidação do setor, tendo um impacto significativo, que será testemunhado a longo prazo, no crescimento sustentável do mercado.

Com a nova regra, a expectativa é que o mercado dobre de tamanho já nos próximos três anos, fato que repercutirá não apenas na geração de oportunidades de trabalho de alto valor agregado, mas, principalmente, na criação efetiva de milhares de empregos diretos e indiretos. Cabe frisar que, hoje, o Brasil tem 13,5 milhões de desempregados. Com a regulamentação, haverá demanda por projetos maiores.

A partir de agora, importadores, fabricantes e prestadores de serviços brasileiros, sobretudo de pequeno e médio portes, entram num novo patamar de atuação, com garantia legal para fazer frente às iniciativas amadoras que geram produtos de baixa qualidade e que colocam em risco a segurança de cidadãos. Enfim, estamos saindo do limbo.

Pulverizado em diversos players, uma característica recorrente na área de tecnologia, o mercado interno de drones (nome popular dos RPAs e aeromodelos) tem conseguido crescer e até dobrar o faturamento, mesmo sob o impacto da maior recessão econômica da história Brasil. É quase um milagre: o setor atravessou 2016, auge da crise na economia, em franca expansão no país.

A demora na regulamentação estava prejudicando não apenas a produtividade, mas também a segurança e a agilidade dos projetos, que agora passarão a contar com investimentos mais robustos. Num mapeamento recente do mercado feito pela MundoGeo, dos 700 players hoje presentes em todos os estados brasileiros, 60% estão nas cidades do interior e 40% nas capitais. Cerca de 80% das empresas foram criadas há dois anos. O mesmo estudo aponta que a média de crescimento para 2017, no Brasil, é de 30%.

No mundo, o mercado de drones deve ganhar ainda mais impulso neste ano, segundo o Gartner. A consultoria projeta aumento na receita global de 34%, atingindo mais de US$ 6 bilhões em 2017, e podendo chegar a US$ 11,2 bilhões até 2020.

Serão três milhões de dispositivos produzidos e vendidos este ano: um aumento de 39% na comparação com 2016. Na próxima década, de acordo com projeções da ABI Research, o setor crescerá 32% por ano em média, atingindo US$ 30 bilhões. São valores colossais quando se considera que, há alguns anos, por exemplo, mal se falava em drones.

A tecnologia embarcada nos drones é disruptiva. Ela permite uma infinidade de aplicações, substituindo, com vantagem, processos existentes e também gerando demandas para atividades novas. Na inspeção de torres e linhas de transmissão, os dados visuais e digitais coletados pelos aparelhos substituem helicópteros, otimizando e trazendo mais segurança às equipes de campo.

No resgate de pessoas, por exemplo, os drones permitem uma rápida localização da vítima em terra ou no mar, garantindo às equipes maior precisão para o salvamento. Na área de seguros, os drones são usados tanto na vistoria da produção agrícola quanto na verificação de sinistros. Na agricultura, as aplicações são inúmeras: desde a identificação digital das cabeças de gados em grandes rebanhos, passando pela detecção de pragas, pulverização e geração de modelos digitais do terreno para planejamento da colheita e plantio”, explica matéria do jornalista Felipe Paiva.

Mas, nem tudo é “céu de brigadeiro”. Com a regulamentação, o setor precisa ficar ainda mais atento às tendências internacionais e exercitar a criatividade quanto aos tipos de serviço que as aeronaves podem realizar.

O potencial de uso dos aparelhos ainda não foi totalmente explorado. O mercado está descobrindo aos poucos novas aplicações comerciais. Esses desafios serão debatidos entre os dias 09 e 11 deste mês na terceira edição da DroneShow Latin América, maior feira do setor na América Latina, que reunirá fabricantes, prestadores de serviço, pilotos, importadores e outros usuários de drones com fins profissionais.

Organizado pela MundoGeo no Centro de Convenções Frei Caneca, na capital paulista, o evento reunirá cerca de 40 expositores e 70 marcas que apresentarão as novidades do setor. Além da regulamentação, a programação da DroneShow 2017 também irá abordar temas ligados ao empreendedorismo, às tecnologias e à robótica, além de formação de pilotos, demonstrações de voos com manobras e mini-corridas.

Ainda estarão em pauta seminários e cursos nas áreas de agricultura, mapeamento, questões ambientais, segurança e defesa, transportes, mineração, infraestrutura, serviços de emergência, gestão pública e entretenimento – debates que enriquecerão a discussão sobre as melhores práticas sobre o uso de drones para fins corporativos.

Representantes da Anac e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) estarão à disposição durante os três dias do evento para esclarecer dúvidas e, principalmente, explicar o passo a passo para que toda a cadeia produtiva esteja a par dos trâmites necessários à legalização das operações.

 

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