Marketplaces e estratégia de negócios: análise do panorama do mercado de comércio eletrônico brasileiro em 2019

por Gabriel Lima Quinta-feira, 04 de abril de 2019   Tempo de leitura: 6 minutos

O objetivo desta breve analise é a de avaliar o panorama atual do comércio eletrônico brasileiro, acessando a recente mudança estrutural do varejo com a chegada de novos players e a transformação de modelos de negócios em marketplaces, assim como uma avaliação do ecossistema e das forças que permeiam o setor. Por fim, levantam-se questões que podem ser uteis para guiar estrategicamente os tomadores de decisão deste mercado.

A estratégia de negócios das plataformas de marketplace, cujo objetivo é o de juntar os interesses de compradores e vendedores, facilitando o processo de compra e venda através de um canal único e confiável, do ponto de vista de arena competitiva é um modelo de um competidor domina tudo no longo prazo (the winner takes it all).

O modelo de negócios atual no Brasil, devido às características estruturais do varejo como a baixa regulamentação setorial, assim como a pulverização de competidores e as características físicas e regionais do país, até o momento não permitiram que ele se tornasse dominante. Desta forma, atualmente temos diversos players que estão competindo neste mercado de marketplace de e-commerce, como B2W, Magazine Luiza, Mercado Livre, Amazon, entre outros.

Como consequência deste panorama, este formato de arena competitiva fortaleceu o Google como comparador de preços. Isso faz com que o meio, diferentemente de outros países, tenha se tornado a principal fonte busca e comparação para aquisição de produtos, assim como para formação da imagem de marca.

Além disso, este formato fez com que houvesse uma arena competitiva de players de médio, pequeno e micro portes (MPMs), operando com plataformas próprias vendendo diretamente para o consumidor. Este cenário favoreceu o surgimento e crescimento de um forte ecossistema de empresas no mercado de e-commerce brasileiro. Este ecossistema é um dos mais completos do mundo para atender as demandas dos varejistas e possuem empresas que atuam com o estado da arte da prestação de serviços para o mercado.

Temos alguns possíveis indícios que o modelo de negócios de marketplace tende a se consolidar no Brasil. Dentre eles, podemos destacar o crescimento significativo do modelo de negócios de marketplace dentro de varejistas como B2W e Magazine Luiza nos últimos anos, cujas ações valorizaram de forma significativa recentemente.

E os problemas que as grandes redes livreiras vem enfrentado que, apesar de não estarem diretamente associados a chegada da Amazon no mercado, fortalecem a posição desta para que ela se torne um player relevante no mercado. Finalmente o investimento recentemente anunciado pelo Mercado Livre para fortalecer sua posição através da amplificação dos serviços de logística para melhorar a experiência do consumidor, assim como para consolidar a estrutura operacional de pagamento e financiamento dos sellers.

Este panorama incita empresários e executivos do setor a levantar as seguintes perguntas para entendimento estratégico de suas melhores opções, dentre elas podemos destacar:

  • O mercado brasileiro tenderá a seguir o padrão internacional onde um player dominará o mercado, ou manteremos uma estrutura pulverizada, com força do Google para geração de demanda?
  • Comparar as margens para MPMs operarem com o modelo de aquisição Google vs. Marketplace para entender os impactos de uma possível migração de canais na estrutura de negócios?
  • Quais as estratégias que podem ser adotadas por MPMs para competir e se manterem rentáveis com um panorama de perda de poder de barganha?
  • Como ficará o cenário competitivo dos fornecedores do ecossistema do comércio eletrônico brasileiro com a possível concentração do setor?

As respostas para estas perguntas complexas dependem de uma analise profunda das variáveis que impactam diretamente o negócio em questão, assim como de certo tempo para amadurecimento e acomodação das empresas do mercado e suas estratégias competitivas. Em suma, tempos excitantes e desafiadores estão a frente.

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