Marketplace sem fulfillment: perda de eficiência

por Fernando Di Giorgi Quarta-feira, 02 de agosto de 2017   Tempo de leitura: 3 minutos

Enquanto o avanço do marketplace da Amazon é acompanhado pela expansão de seu serviço de fulfillment, a expansão do marketplace brasileiro se realiza com a redução da capacidade de armazenagem das grandes lojas que o ancoram. A restrição de serviço dos marketplaces brasileiros aumenta ainda mais o custo operacional do comércio eletrônico em geral, agravando um dos principais fatores que dificultam seu desenvolvimento.

A argumentação usada neste texto compara as operações das grandes lojas de varejo eletrônico antes e depois da introdução da venda de mercadorias de terceiros. Como premissa, consideramos que as dez maiores lojas virtuais do Brasil faturaram 70% do total das vendas on-line em 2015 e que todas elas estão ancorando seus marketplaces.

A logística anterior às operações de marketplace

  1. As mercadorias eram recebidas, armazenadas e expedidas a partir de grandes centros de distribuição, muitas delas contando com vários centros distribuídos segundo a demanda regional e vantagens fiscais.
  2. As grandes lojas eram obrigadas a contar com ampla variedade de mercadorias a fim de atrair aumentar a visitação.
  3. Grandes volumes de mercadorias combinados com grande variedade exigem eficiente sistema de gerenciamento de armazém (WMS) com o intuito de reduzir o custo de mão de obra, melhorar a utilização de equipamentos de movimentação, adensar o estoque e, sobretudo, acelerar a disponibilidade de estoque no site e reduzir o tempo de atendimento físico dos pedidos de venda.
  4. As mercadorias vendidas eram coletadas pelas transportadoras em veículos com grande capacidade de carga e encaminhadas para terminais de carga onde eram roteirizadas segundo a rede logística de cada uma delas. Por serem grandes embarcadoras, as lojas sempre se beneficiaram de preços unitários mais baixos em função da quantidade embarcada. A coleta era concentrada e a distribuição pulverizada.
  5. As mercadorias devolvidas eram coletadas pelas transportadoras designadas pelas lojas, centralizadas em hubs e entregues aos centros de distribuição de origem. A coleta era pulverizada e a entrega concentrada

O panorama logístico posterior a operações com marketplace sem fulfillment:

  1. As dez maiores lojas virtuais do Brasil aderiram à venda de mercadorias de terceiros. Admite-se que mais de 60% das vendas realizadas por tais lojas sejam de mercadorias próprias, com tendência deste percentual ser continuamente reduzido em função da lucratividade deste tipo de operação.
  2. As mercadorias de terceiros vendidas pelas grandes lojas, em sua esmagadora maioria, não estão armazenadas nos seus centros de distribuição. Esta intermediação da venda tem gerado desocupação dos centros de distribuição, perda de postos de trabalho, ociosidade dos equipamentos de movimentação e perda dos investimentos realizados em melhorias funcionais no WMS.
  3. O fulfillment das mercadorias vendidas pelos marketplaces passou a ser realizado pelos vendedores com menos recursos operacionais por não contarem com o aparato e experiência tecnológica das grandes lojas. Em outros termos, a operação de fulfillment tornou-se mais cara.
  4. Os vendedores dos marketplaces são responsáveis pela entrega das mercadorias aos consumidores, portanto contratam transportadoras. Dois fatores pesam para que os custos da distribuição, agora ainda mais descentralizada, sejam mais altos: (i) as pequenas lojas pagam preço cheio às transportadoras por não terem volume; (ii) considerando a carga mínima viável e o tempo de retorno para a roteirização nos terminais de carga, as transportadoras são obrigadas a aumentar preços devido ao prolongamento do percurso e por subaproveitar veículos e mão de obra, aumentando os tempos mortos dos veículos por haver mais pontos de coleta. A coleta tornou-se pulverizada assim como a distribuição tanto na entrega quanto na devolução.

Concluindo, operações de marketplace sem fulfillment têm aumentado os custos da logística interna e da logística externa do comércio eletrônico: (i) as lojas-âncora perdem escala com menor diluição de seus custos fixos; (ii) os vendedores, embora vendendo em maior volume, ainda não conseguem atingir o nível de carga suficiente para pleitearem descontos por quantidade no transporte; (iii) os vendedores, pouco dotados de organização e tecnologia, operam seus armazéns com menor eficiência e (iv) as transportadoras aumentam seus custos pela perda de produtividade.

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