Cinco lições da Fórmula 1 para o e-commerce

por Bruno Lopes Kerber Terça-feira, 07 de julho de 2020   Tempo de leitura: 12 minutos

Esporte, empreendedorismo e e-commerce são três universos com muito em comum entre si. Desde o planejamento de uma temporada até a gestão de equipes, técnicos e empresários enfrentam desafios parecidos em suas jornadas.

Não é à toa que esportistas como Bernardinho têm, fora das quadras e dos gramados, seus próprios negócios. Outro exemplo é Alfredo Soares, fundador da plataforma de e-commerce Xtech Commerce, que foi nadador e campeão de polo aquático pelo Fluminense.

No dia 5 de julho começou a temporada 2020 da Fórmula 1, reformulada por conta do coronavírus, com duas corridas na Áustria. E é muito interessante como esse esporte tem a ensinar o comércio eletrônico.

Hoje, vou compartilhar algumas dessas inspirações.

Crédito: Reprodução/Site oficial da Fórmula 1

1 – No e-commerce ou na F1, planejamento é importante, mas correções ao longo do caminho são fundamentais

Todos os anos, as equipes de engenharia das escuderias fazem um balanço dos erros e acertos da temporada anterior e projetam o novo carro.

É um processo que se inicia ainda durante o campeonato e leva em consideração não só relatórios de desempenho, mas a opinião dos próprios pilotos — que, afinal, estão na ponta de toda essa operação.

Para isso, leva-se em consideração também o regulamento: haverá alguma regra diferente no próximo ano? Mesmo que não haja, como podemos usar as regras atuais a nosso favor e projetar um motor ou uma aerodinâmica mais eficientes?

Com o carro pronto e a pré-temporada de testes completa, chega a hora das corridas. E, nesse momento, tão importante quanto planejar é saber se adaptar e corrigir erros.

Ao final de cada prova, engenheiros, chefes de equipe e pilotos se reúnem para dar e receber feedbacks.

Quais as dificuldades enfrentadas na hora de correr? O que o corredor percebeu de diferente no carro em relação às outras vezes em que pilotou?

Existe algum problema recorrente que ainda não foi corrigido? Todos esses feedbacks são usados já para a próxima prova e para o planejamento do ano seguinte.

Créditos: Divulgação/Mercedes AMG Petronas.

Em 2019, a equipe americana Haas, por exemplo, sem saber o motivo pelo qual seus carros apresentavam tantas falhas, decidiu usar o modelo da temporada anterior e fazer uma espécie de “teste A/B”. É um caso extremo, mas que mostra a necessidade de corrigir os erros de um planejamento, talvez, mal executado.

No e-commerce, a lógica é a mesma. Escute o que a sua equipe tem a dizer sobre os processos e os produtos oferecidos ao cliente para que “a próxima temporada” traga resultados melhores. Converse com todos que fazem parte dessa operação e escute quem está na ponta. Equipes de atendimento, por exemplo, costumam receber pouco reconhecimento, mas elas conhecem as dores e as alegrias do consumidor.

Abrace o feedback dos clientes também e não tenha medo de corrigir os erros no meio do caminho, se necessário.

2 – No e-commerce negociar com fornecedores é essencial

Quem é lojista sabe: relação com fornecedor é um dos pilares para o serviço sair do jeito que deve. E a gente sempre tem de pensar no que é melhor para o negócio, não é mesmo?

Na Fórmula 1, muitas partes dos carros, inclusive das principais equipes, vêm de fornecedores externos. O que muita gente não sabe é que o item mais importante, o motor, também pode ser encomendado por uma escuderia.

Gigantes como Ferrari e Mercedes produzem os seus próprios equipamentos, mas outros times, como Red Bull, Alpha Tauri e Haas, compram essa peça de outras empresas, às vezes de competidores diretos.

Um caso curioso ocorreu no fim de 2018. Nessa temporada, depois de 11 anos usando motores fabricados pela rival Renault, a Red Bull anunciou que deixaria de ter a montadora francesa como fornecedora. Isso porque, especialmente naquele ano, a quantidade de falhas havia ficado insustentável.

Apesar de quatro títulos seguidos entre 2010 e 2013, era hora de reavaliar a parceria. Após mudar para a Honda, os resultados satisfatórios vieram em 2019.

Aplicando a mesma lógica no e-commerce: acompanhe a entrega dos seus fornecedores. Crie KPIs para fazer a gestão da performance de quem você contrata.

Com dados nas mãos, fica mais fácil avaliar se o serviço está sendo bem prestado. Assim, você fica preparado na hora de renegociar um contrato — ou, até, escolher um outro parceiro de negócios.

3 – Gerir equipes é um desafio para o comércio eletrônico e F1

Sem dúvidas, a maior parte da atenção na Fórmula 1 recai sobre os pilotos. E são dois titulares por escuderia.

Por isso, é muito difícil controlar os ânimos (e os egos) dentro do time. Especialmente porque a escuderia está lutando pelo título de equipes, e os pilotos, pelo troféu individual. Fazer os dois objetivos andarem juntos é um desafio imenso.

Tanto que, às vezes, acontecem cenas como a do GIF abaixo. Dois competidores da Red Bull estavam disputando a posição, quando ocorreu isto:

E a reação dos técnicos foi esta:

Em qualquer operação, o gestor precisa alinhar o lado individual de cada funcionário com as metas da empresa.

Quando o foco é no time, o desempenho de cada colaborador costuma melhorar como consequência. Sempre que o coletivo é atropelado pelo indivíduo, o ambiente sofre uma ruptura e o trabalho perde qualidade. Isso se aplica tanto a um departamento dentro da sua loja quanto a disputas entre setores diferentes dentro da mesma organização.

Quem perde com isso, lá na ponta, é o cliente.

Tenha claro quais são os valores e as metas da sua empresa, e faça com que cada pessoa os respeite — a começar pelos donos, que precisam ser os maiores exemplos. Até porque, por trás da figura do campeão, existe uma equipe gigantesca.

O piloto Lewis Hamilton, por exemplo, está construindo uma história extremamente vitoriosa na Fórmula 1, mas tem este tanto de gente trabalhando para a Mercedes terminar a temporada no lugar mais alto do pódio:

Créditos: Divulgação/Mercedes AMG Petronas

Na Fórmula 1, fracasso é comum até para as lendas

São poucos os esportes em que falhas graves são muito comuns e, em certa medida, fazem parte do folclore daquela modalidade. A Fórmula 1, com certeza, é um deles.

Por um lado, o erro humano. Considerado por muitos o maior piloto de todos os tempos, Ayrton Senna liderava a prova de Mônaco, em 1988, a onze voltas do final, quando perdeu a concentração por um milésimo de segundo e bateu no muro.

Por outro, defeitos mecânicos. Em 2012, Michael Schumacher sofreu a temporada inteira com falhas no carro. Entre problemas técnicos e acidentes, teve de abandonar a prova em sete das 20 corridas.

Especialmente nos casos em que você não tem controle sobre o que ocorre, nem responsabilidade direta na falha, é difícil aceitar um erro. Mas, durante a temporada, é preciso aprender e pensar na próxima corrida.

Seu e-commerce caiu justo às 0h01 na Black Friday? Corrija o problema, volte à prova e foque na próxima venda. Um parceiro logístico teve um problema e atrasou a entrega de um lote? Entre em contato com seus consumidores, avalie onde foram os erros e se concentre em manter a operação em dia.

Ninguém gosta da sensação de errar, ou de ver algo externo comprometer o seu trabalho. Quando isso acontecer, descubra as causas, arrume e vire a página. Sempre tem a próxima corrida pela frente.

E-commerce também pode engajar os fãs

O que seria de qualquer esporte sem os fãs? Especialmente em tempos de distanciamento social por causa do novo coronavírus, a Fórmula 1 teve de encontrar outras formas de se conectar com a sua base.

Especialmente porque, diferentemente de outros esportes, na Fórmula 1 a torcida vai para os pilotos, não às escuderias — exceto pela Ferrari, que detinha um terço dos aficionados em 2017.

A McLaren — pela qual Ayrton Senna conquistou seus três títulos — tem dado bons exemplos de como formar conexões. Durante a pandemia, a empresa recompensou alguns dos seus fãs mais fervorosos com um bate-papo surpresa pela internet com Lando Norris, jovem piloto da escuderia, e o CEO Zak Brown. Algumas das pessoas até esboçaram lágrimas:

Não bastasse o saldo positivo da sua imagem frente à própria torcida, essa ação parece ter reforçado a marca. Um dos internautas comentou que, nos últimos 19 anos, nunca havia sido um grande fã de times, sempre dos pilotos. “Adivinhe só? Isso muda hoje! Incrível, McLaren! Incrível!”, completou.

Quando foi a última vez que o seu e-commerce se conectou de forma tão profunda com a base? Quando foi que a loja demonstrou tanta gratidão ao seu principal parceiro — o cliente?

Aproveite a paixão que seus consumidores têm para recompensá-los e criar verdadeiras relações com a sua base.

Afinal, quando um time ganha o título no fim do ano, todos comemoram juntos!


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