As mudanças trazidas pela LGPD e o impacto nas estratégias do e-commerce

por Daniela Gebara Sexta-feira, 06 de agosto de 2021   Tempo de leitura: 4 minutos

Gestores e profissionais que cuidam das estratégias digitais de e-commerces têm uma mesma preocupação para o mês de agosto: a adequação à nova Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). É a partir deste mês que iniciam as penalidades para quem descumprir a legislação, que tem como objetivo garantir a privacidade e proteção das pessoas na rede. Os e-commerces, naturalmente, devem estar atentos a estas novidades.

Quando olhamos para os dados colhidos pela agência Conversion, vemos que não menos que 20,61 bilhões de pessoas acessaram canais de e-commerce no país, isto é, cerca de 10% da população nacional. Trata-se de um número gigantesco de dados e informações aos quais as empresas digitais dispõem e cujo uso vai ser observado de forma mais cautelosa a partir de agora.

O direito à privacidade ganha outras proporções no ambiente digital e todos concordam que os setores privado e público devem assumir seu papel na proteção das pessoas. Com isso em mente, a pergunta que resta é: como desenvolver as estratégias digitais de e-commerces, que lidam a todo instante com um alto fluxo de dados, seguindo as novas regras?

É importante ter em mente, para começo de conversa, que não é tudo que muda. Os dados vão continuar sendo um aspecto importantíssimo na elaboração de estratégias digitais. A mudança atinge, sobretudo, a maneira como eles serão tratados e coletados, se em first-party data (isto é, as informações fornecidas pelo seu detentor, no caso, os próprios usuários) ou em third-party data (isto é, terceiros tendo acesso aos dados do usuário). É neste último que os e-commerces devem prestar mais atenção e ter mais cautela a partir de agora.

O foco da nova legislação, que tinha sido sancionada em 2018, é proteger a individualidade das pessoas. É possível fazer isso por meio da obtenção de uma quantidade razoável de dados e informações e de tratamento especializado para que estas não sejam possíveis de serem rastreáveis. Assim, é possível obter conhecimento relevante para elaborar estratégias digitais de e-commerces sem identificar fontes individuais.

Como se adaptar à nova legislação?

O ideal é que as empresas que atuam na Internet façam um mapeamento geral. Entendendo o fluxo de negócios, é mais simples entender o trajeto pelos quais percorrem os dados. Por onde passam as informações? Onde elas são compartilhadas? Qual a finalidade de cada uma delas? Estas são perguntas que os e-commerces vão precisar fazer com mais frequência na elaboração de suas estratégias digitais.

É necessário também fazer a análise do que é de fato preciso. Uma boa limpa na base de dados dá conta de remover informações excedentes e excessivamente pessoais. A etapa seguinte tem a ver com a gestão de acessos, isto é, quem é que pode ter acesso a quais dados. É importante que os profissionais que estiverem nesta operação conheçam o básico da Lei Geral de Proteção de Dados, afinal, já fazem três anos que este tema está presente nas discussões envolvendo a administração de dados e informações por órgãos públicos e entes privados.

Depois que todos esses passos são desenvolvidos (de preferência com auxílio de analistas de segurança da informação especializados na LGPD), é recomendável preparar a elaboração dos documentos obrigatórios por lei, como o data mapping, o inventário de dados, termos de compartilhamento de dados, termos de uso de dados, entre outros. O apoio de um advogado especialista também é bem vindo.

É importante avaliar se as ações digitais realizadas pelas empresas têm como base dados obtidos de forma irregular. O e-mail marketing, por exemplo, só funciona com a utilização de uma informação sensível, o endereço de e-mail do cliente. Se antes uma empresa obtinha esse dado de uma maneira que não é mais adequada, será necessário refazer o processo.

A tendência é que as mudanças se sedimentem nas práticas digitais e que sejam a base da segurança digital e privacidade online. Toda empresa que lide com dados deverá estar adequada à LGPD, incluindo todos os e-commerces do país.

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