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Transformação ou Evolução Digital? Como a resposta para uma pergunta muito simples pode decidir o futuro do seu negócio

por João Paulo Amadio Quarta-feira, 24 de outubro de 2018   Tempo de leitura: 2 minutos

O gestor de negócio, a sensação de atraso e a boa notícia

A pressão para inovar e se tornar digital nunca foi tão grande. A cada dia os gestores de negócio são bombardeados por uma infinidade de siglas e novas tecnologias.

Invariavelmente surgem as ondas de termos, desde o ‘Omni’, passando pela Inteligência Artificial e finalmente chegando à Transformação Digital.

Por trás de cada “tendência da vez”, existe um movimento de imposição que naturalmente leva o gestor a embarcar em uma destas inovações – como se fosse uma questão de sobrevivência: “se não sou adepto, sou obsoleto”, ou “se eu sou adepto, missão cumprida, sou digital…” Será?!

Você não está sozinho nesta situação. Hoje o mundo é regido pela “VUCA” (siga em inglês para ‘Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade’), um conjunto de fatores que muitas vezes nos leva a uma decisão impulsiva no que se diz respeito à adotar ferramentas e novas tecnologias.

Nos EUA, existe uma enxurrada de artigos e relatos de grandes empresas afirmando que seus processos de Transformação Digital falharam. Por trás das principais causas destes problemas já é comum constatar a falta de alinhamento entre a corrida desenfreada pela ‘digitalização’ e a necessidade de se investir em cultura digital.

O mais importante é a reflexão que eu quero te convidar a fazer: o que vem antes mesmo da cultura digital? Aspectos como proposta de valor e posicionamento serão fundamentais para o sucesso de todo tipo de negócio.

A boa notícia? O ponto de partida destes aspectos tão fundamentais já estão dentro da sua empresa.

Volte ao passado antes de investir o próximo R$ 1 em inovação!

Acredito que já está na hora de inverter a ordem deste processo de Transformação Digital. A tecnologia já é e será cada vez mais abundante, mas ela deve ser “apenas” um meio de geração de valor para o seu cliente e jamais o ponto de partida.

Antes de pensar em inovar e digitalizar, como gestores de negócio, deveríamos nos perguntar se temos clareza do valor que nossa empresa gera para nossos clientes e se este entendimento está disseminado em toda organização, já que esta é a principal baliza para tomada de decisões.

O ponto de partida é tangível e está na data de fundação da empresa, na compreensão do “Propósito”, como define Reiman Joy em Propósito: Por que ele engaja colaboradores, constrói marcas fortes e empresas poderosas, ou do “Por quê?”, como trata Simon Sinek em Start with Why: How Great Leaders Inspire Everyone to Take Action.

O resgate deste conceito deve ser o pilar fundamental, a raiz e o principal guia no desenvolvimento de um negócio, afinal Propósito (o tal ‘Por Quê?’) não se cria, deve ser compreendido a partir do que já existe. Uma maneira simples para iniciar esta (re) descoberta, é simplesmente fazer a seguinte pergunta:

O que os seus clientes deixariam de obter se sua empresa não existisse a partir de amanhã?

A resposta é nada mais que: propósito – o porquê do seu negócio – que seguirá como principal guia para tomada de decisões.

Os melhores frutos estão na raiz (The fruits are in the roots)

A clareza de propósito tem sido um fator fundamental de sucesso tanto para organizações da nova economia como também para negócios de mais de um século, assim como a ausência ou falta de clareza de propósito também tem sido um fator crítico de fracasso para muitos negócios.

Poucos sabem, mas foi a Kodak que inventou a primeira máquina digital em 1975 que, segundo relatos, não evoluiu por ser compreendida como uma “fotografia sem filme”, ou seja, aos olhos dos executivos da época, seria uma inovação que iria contra a seu principal produto dos últimos 100 anos: filmes fotográficos.

Será que o destino teria sido distinto se, ao invés de se focar no produto, a empresa tivesse compreendido o propósito, algo hipotético como “existimos para registrar imagens de todo e qualquer momento de sua vida”?. Dessa maneira, o foco estaria na evolução do impacto na vida de seu cliente e não na evolução do produto: filmes.

Da mesma forma temos casos muito bem-sucedidos de Transformação (ou seria Evolução?) Digital fundamentados no propósito da marca e temos um exemplo nacional que nos enche de orgulho.

Um exemplo de como fazer é o Magazine Luiza que, desde 1957 segue a risca o propósito de “Trazer o acesso a muitos o que é privilégio de poucos”. A empresa é reconhecida e admirada no mercado por estes valores, além de ser valorizada na bolsa e ter se consolidado uma das mais inovadoras de nosso mercado (veja o documento da estratégia de Transformação Digital do Magalu aqui).

Durante seus 60 anos de vida, o propósito se manteve e, durante uma boa parte de sua história, esteve focado em satisfação do cliente e dar acesso a produtos (desde presentes, móveis e eletrodomésticos) que dificilmente estariam disponíveis, na época, aos seus consumidores locais.

A empresa cresceu fundamentada neste propósito e mais recentemente, este foi o pilar de sua transformação digital – foi com base nele que o foco se tornou a inclusão digital de seus consumidores e a partir desta definição, vimos ações concretas como seu investimento em inovação (Labs), a capacitação de força de vendas como agente de inclusão, o investimento na experiência sem atrito na loja, o chatbot totalmente amigável (Lú 😊) e todas as iniciativas de convidar e ensinar o consumidor a se digitalizar.

 

Então, antes de investir seu próximo R$ 1 em inovação, eu recomendaria voltar no tempo e entender a raiz de sua empresa.

Com esta clareza você poderá simplificar questões que hoje podem parecer complexas, como por exemplo: quais funcionalidades seu site deve possuir ou quais canais de vendas você deve focar. Se você deve eliminar ou reforçar atendimento offline, qual é seu público, qual a melhor estratégia de preços, quais veículos de marketing podem ser mais eficientes, se você deve aderir ou se tornar um marketplace, etc.

A definição do propósito e do seu porquê é o seu ponto de partida para responder este tipo de pergunta e definir que tipo de inovação irá reforçar a entrega de valor que faz do seu negócio, único.

Desejo a você uma excelente viagem no tempo, certo que o futuro será muito promissor e que as respostas para suas grandes preocupações estão dentro do seu próprio negócio.

Você vai entender que o seu negócio precisará simplesmente evoluir ao invés de se transformar.

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