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A interferência da logística no e-commerce

por Jaime Peters Junior Terça-feira, 20 de Março de 2018   Tempo de leitura: 6 minutos

Houve aumento de 12% na movimentação do e-commerce em um ano, mas a logística ainda é um fator preocupante para as empresas.

Em 2017, o e-commerce movimentou R$ 59,9 bilhões, um aumento de 12% na comparação com o ano anterior, de acordo com dados da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) por meio da pesquisa “Logística no E-commerce 2017”. A expansão esconde uma dificuldade vivida pelo setor como um todo: os gargalos logísticos.

De acordo com os respondentes do estudo, que visa compreender detalhes de alguns aspectos do setor, o transporte de mercadorias (frete) responde por 58% dos gastos, seguidos pela armazenagem (21,5%) e manuseio (20,5%). Mais importante: em um momento no qual os consumidores têm pressa para a entrega de produtos, paradoxalmente, o tempo de entrega aumentou.

Para São Paulo, por exemplo, o prazo subiu de 3 para 4 dias. Em Brasília, a média saiu de 5 dias, em 2013, para 7 dias, em 2017; na Região Nordeste, em Recife, de 6 para 10 dias; em Porto Alegre, na Região Sul, de 4 para 6 dias. Se o seu cliente estiver em Manaus, a média de prazo para a entrega de produtos é de 14 dias – sim, duas semanas.

Ou seja, há um contrassenso na situação vivida pelas empresas do país: o aspecto mais caro da logística é, também, o de menor qualidade. Mais interessante: quando as empresas planejam ingressar em um cenário de logística 4.0, acabam levando mais tempo para entregar os seus produtos.

Um dos fatores para isso está no fato de que o transporte no Brasil se faz, em sua maioria, pelo modal rodoviário. E, segundo a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), mais de 50% das rodovias do país estão em um estado considerado péssimo ou ruim. Ou seja, por mais que haja investimento em automação comercial, há outros fatores que pesam nos preços e na capacidade de entrega.

Os problemas dos Correios

Houve uma diminuição da dependência dos Correios ao longo dos últimos quatro anos: em 2013, 93% das empresas utilizavam os serviços, número que caiu para 80,9% em 2017. Por outro lado, houve grande incremento de transportadoras privadas, que saltaram de 35% para 52,8%, enquanto o uso de frotas próprias se manteve estável.

Um indicativo da redução de uso dos correios está em sua avaliação pelas empresas. Quase 44% das empresas considera hoje os serviços executados pela companhia ruins ou péssimos, enquanto, em 2015, esse índice era 24%. Obviamente, as médias de avaliação positivas também caíram: de 44,8% em 2015 para 33% em 2017 para razoável; de 27,8% para 21,4% para bom; e, por fim, de 3,5% para 1,7% para excelente.

Veja, abaixo, as principais reclamações:

  • atraso nas entregas;
  • demora nas tratativas;
  • extravios;
  • preços abusivos;
  • descaso;
  • má qualidade de atendimento.

As outras menções foram a furtos, sistema fora do ar, filas e o não pagamento de mercadorias extraviadas.

Ainda mais burocracia

Desde 2 de janeiro deste ano, o envio de mercadorias pelos Correios se tornou ainda mais complexo. Isso porque, no ato da postagem, a empresa precisa fixar a Nota Fiscal do produto ou uma declaração de conteúdo, que deve seguir um modelo incluído no site da empresa, conforme explicam os Correios em seu site.

A mudança, de acordo com a entidade, visa se adequar às leis tributárias brasileiras, simplificando o recolhimento de informações pelos órgãos fiscalizadores e evitando a sonegação fiscal. A expectativa é que muitas empresas tenham que se formalizar para poder seguir com o seu modelo de entrega pelos Correios, algo que geraria um círculo virtuoso para a economia. No caso de venda de pessoas físicas, deve-se usar a declaração de conteúdo.

Desde o início do ano, as agências dos Correios reforçam que, se não houver o cumprimento das novas regras, as encomendas não serão enviadas. A própria empresa fez um tira-dúvidas, com perguntas e respostas para esclarecer as pessoas sobre as alterações.

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3 comentários

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  1. Atuo no segmento de carga expressa no estado do Espirito Santo desde 2014. Desde a época em que ingressei nesse setor, nunca foi tão perceptível a escassez de profissionais entregadores autônomos. Esse cenário se atribui a má remuneração e as péssimas condições de trabalho culminando na desaceleração do processo de entrega, uma vez que esses profissionais executam de forma direta uma das principais etapas do processo, o last mile. Portanto é de suma importância que as transportadoras se atentem para esse aspecto, tendo em vista que esse tipo de mão-de-obra interfere de forma direta na performance de suas operações.

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  2. Não sou defensor do Correios, mas vale lembrar que muitas transportadoras redespacham por eles e essa diminuição que muitas pesquisas mostram da dependência do Correios não é verdade! Maioria das transportadoras especializadas em e-commerce não conseguem atingir nem 50% dos CEP´s cobertos pelos Correios.

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  3. A obrigatoriedade de apresentação da nota fiscal não é uma exigência dos Correios, mas dos órgãos de fiscalização tributária. Ela tampouco é uma obrigação exclusiva dos Correios. Todos os transportadores brasileiros são impedidos de transportar mercadorias sem apresentação de documento fiscal ou declaração de conteúdo.

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