Inteligência artificial para o comércio: ficção ou realidade?

por Cleber Piçarro Quinta-feira, 24 de maio de 2018   Tempo de leitura: 4 minutos

O varejo está sempre em evolução e o consumidor ainda mais. Conectado e cada vez mais bem-informado, ele agora quer informações precisas sobre marcas, produtos, serviços e, especialmente, quer boas experiências de consumo, com relacionamento especial e sob medida. Esse é o grande desafio dos varejistas que, para vencê-lo, deverão recorrer à tecnologia, em especial à inteligência artificial. Porém, é preciso alinhar as expectativas sobre o que realmente existe em termos sofisticação tecnológica disponível.

Hoje, o mercado oferece uma série de possibilidades de inteligência artificial e, quando bem direcionadas, podem resolver problemas relevantes para o varejo. Porém, a tecnologia não é “mágica” e ainda estamos muito longe de uma inteligência genérica e “onipresente”. Existe hoje um excesso de valorização deste tipo tecnologia, mas ainda não há um sistema inteligente que resolve todos os problemas. Temos, de fato, ferramentas específicas que enfrentam questões importantes de forma bem precisa.

Um exemplo: por meio de bons algoritmos e de um bom banco de dados, um software de inteligência artificial permite ao varejista entender rapidamente o perfil do consumidor e personalizar seu atendimento, oferecendo a ele itens diretamente relacionados aos produtos que deseja comprar. Isso eleva o tíquete médio e, ao mesmo tempo, melhora o atendimento das suas demandas de consumo. Sendo ainda mais concreto, um casal que tem frequentado uma loja de móveis regularmente, em busca de um conjunto de sofás, pode ser impactado com uma promoção direcionada de tapetes e almofadas nas cores mais prováveis, relacionadas diretamente ao produto escolhido.

Além disso, “estratégias inteligentes” vão muito além das vendas. Processos como precificação com base na análise da concorrência, giro de produtos, margem de venda, previsões de ruptura e quebra de estoque podem ser automatizados. Essas e outras decisões são baseadas nas ferramentas preditivas dos softwares de inteligência artificial, que auxiliam os varejistas a serem mais estratégicos e muito práticos.

O objetivo final é reduzir custos, aumentar o tíquete médio e a frequência de compras, segmentando a oferta baseada na inteligência de dados e traduzindo tudo isso em resultado financeiro positivo. Antes de tudo, o varejista precisa de “bons problemas” (relevantes e específicos). Além disso, necessita, ao mesmo tempo, de bons dados acumulados em seus sistemas de gestão (ERPs). Hoje em dia, essas informações são consideradas o “ouro em pó” pelos cientistas de dados. Bons ERPs acumularam muitos dados ao longo do tempo e, agora, podem ser aproveitados por este tipo de tecnologia.

Também há ganhos importantes para o consumidor. O relacionamento com suas marcas e empresas preferidas pode se tornar bastante personalizado e relevante, economizando tempo e custo. Isso porque a inteligência artificial permite direcionar promoções ao cliente conforme seus interesses imediatos, necessidades e recomendações, mapeadas a partir das suas experiências de consumo, cujo histórico fica registrado no sistema. Tudo isso representa a oportunidade de diferenciação no mercado, antecipando-se às necessidades e demandas e surpreendendo o cliente de forma proativa, dinâmica e personalizada.

Este cenário já é palpável no comércio eletrônico, mas no varejo físico ainda é novidade e uma importante carência a ser sanada. A evolução da inteligência artificial está interligada a um contexto maior, denominado por alguns como Indústria 4.0. Essa evolução tecnológica que está mudando o mundo envolve a nuvem (cloud computing), Internet das coisas, Big Data, impressoras 3D e outras tecnologias que, sozinhas ou em conjunto, irão abrir um mundo de possibilidades.

Essa nova dinâmica indica que o varejista, em breve, deverá agir de forma mais proativa em direção ao seu consumidor. E isso exigirá um comando integrado de todo o seu negócio, passando pelo relacionamento com os clientes, estocagem de produtos, constante análise de preços, criação de campanhas de marketing, logística de entregas, entre outras áreas do negócio. Por isso, exige-se cada vez mais entender a importância e o funcionamento da inteligência artificial, pois se ela ainda não é a realidade da rede varejista, deverá sê-la em breve.

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