Impactos da aquisição da Whole Foods Market pela Amazon no comércio varejista

por Sandra Turchi Terça-feira, 27 de junho de 2017   Tempo de leitura: 4 minutos

O anúncio da aquisição da Whole Foods Market pela Amazon, por US$ 13,7 bilhões – maior operação da história da companhia, aconteceu num momento peculiar. O comércio varejista norte-americano sofre uma queda vertiginosa nas vendas. A crise profunda vem afetando gigantes do setor como Macy’s e Sears, duas marcas icônicas dos Estados Unidos, as quais, recentemente, fecharam centenas de lojas físicas. O varejo norte-americano enfrenta as consequências da concorrência das vendas por e-commerce e ainda não se adaptou por completo ao novo modelo de consumo. O fato não deixa de ser curioso por se tratar, justamente, da nação mais consumista do planeta.

Enquanto as vendas nas lojas físicas vêm despencando, as da Amazon, por sua vez, cresceram 23% só no primeiro trimestre deste ano. O dado reflete uma transformação significativa no comportamento dos consumidores em mercados mais maduros. A aquisição da Whole Foods Market possibilitará a empresa de Bezos a fortalecer um posicionamento no mercado de alimentos naturais e orgânicos, representando um obstáculo extra às investidas do Walmart em expandir a sua participação no e-commerce.

Apesar de, à primeira vista, a aquisição da Whole Foods (ainda depende da aprovação dos órgãos reguladores e dos acionistas) soar como excêntrica, ela se adequa perfeitamente à estratégia da Amazon de capitanear todos os mercados varejistas possíveis. A quantidade de fusões e de segmentos em que a gigante atua são enormes: vão desde os tradicionais livros, os quais originaram à companhia ainda na década de 90, a transmissão de streaming de jogos e a fraldas. De acordo com o site norte-americano Recode, o movimento mais recente também é o mais caro já feito pela empresa até o momento. A última grande aquisição da Amazon tinha sido da Zappos, em 2009, por US$ 1,2 bilhão.

Com a compra da Whole Foods Market, que tem 91 mil colaboradores e em 2013 divulgou faturamento de US$ 12,9 bilhões – com lucro líquido de US$ 551 milhões, a companhia passa a acessar o mercado de entrega de alimentos naturais em domicílio, que não domina atualmente. A operação, sem dúvidas, traz impactos não só para a própria empresa, mas para o mercado financeiro como um todo. “O setor de varejo costuma mudar, mas, de vez em quando, ocorre um evento que agita a indústria em seu núcleo. A aquisição da Amazon Whole Foods é um desses eventos”, afirmou Neil Saunders, da GlobalData Retail.

No entanto, é bom salientar que existe uma grande diferença entre os modelos de negócios das duas empresas: a Whole Foods Market é muito conhecida nos segmentos mais endinheirados – e entre os jovens consumidores de alimentos orgânicos, ao passo que a Amazon, essencialmente, é uma plataforma online para o comércio de produtos a preços mais reduzidos. O passo dado na semana passada com o anúncio da aquisição representa, sim, um grande movimento; mas também acarreta certo risco para a Amazon, visto que a companhia vem tomando uma série de decisões que englobam, por exemplo, a inauguração de lojas físicas, as quais vêm fechando aos montes nos Estados Unidos e no mundo. A conferir os próximos capítulos.

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