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Cryptocurrency e DLT: já é hora de levar este mercado a sério

por Meiriane Jacobsen Segunda-feira, 24 de setembro de 2018   Tempo de leitura: 10 minutos

Bitcoin pode ser um assunto recente nas rodas de conversa brasileiras. Embora a primeira criptomoeda descentralizada famosa tenha sido lançada em 2009, seu boom aconteceu por aqui somente ano passado.

No entanto, os dados mostram que não se trata de uma moda passageira: existe um mercado bem amplo de fintechs baseadas em criptoativos e, mais além, em tecnologia Blockchain.

Esse artigo busca trazer mais informação sobre este mercado tão desconhecido enquanto ‘mercado’ e mostrar que o assunto precisa, sim, ser entendido e levado em consideração por quem trabalha em áreas diretamente impactadas: e-commerces, publishers, empresas de tecnologia de forma geral e pequenos ou grandes investidores.

Quais são as referências de conteúdo sobre bitcoin no Brasil?

A busca orgânica no Google por “bitcoin”, de agosto de 2017 a julho de 2018, no Brasil, direciona principalmente para os sites infomoney.com.br, portaldobitcoin.com, mercadobitcoin.com.br, abril.com.br e globo.com.

No gráfico abaixo é possível conferir a evolução da audiência destes sites, no qual observamos o crescimento do traffic share de players que falam de forma mais exclusiva sobre o assunto (portaldobitcoin.com e mercadobitcoin.com.br) e a queda do traffic share de players mais generalistas (infomoney.com.br, abril.com.br e globo.com).

No entanto, percebemos, após maio de 2018, uma queda no traffic share de todos estes sites, indicando que outros players começaram a receber o tráfego orgânico e ganhar espaço.

Quando se trata de tráfego de pesquisa pago, através de cliques em anúncios relacionados ao termo ‘bitcoin’, os sites que mais receberam a audiência no último ano, ou seja, que mais investiram foram: empiricus.com.br, mercadobitcoin.com.br, atlasproj.com, iqoption.com e atlasbtc.com.br.
Evolutivamente (veja gráfico abaixo) identificamos uma variação maior no traffic share, reflexo da variação dos investimentos destes players.


O interessante aqui é observar os movimentos do mercado. Empiricus, um portal de conteúdo que traz dicas de investimentos, deixou de receber o maior percentual de tráfego de busca paga para ‘bitcoin’ em abril de 2018. Neste mesmo tempo, outros players começaram a se destacar, como os dois sites da empresa Atlas. Um deles com o foco em compra de bitcoin para investimento (atlasbtc.com) e outro especificamente de investimento, no qual os donos de bitcoins podem depositar a criptomoeda para obter rendimento mensal (quantum.atlasproj.com).

Quão relevante é o conteúdo sobre bitcoin para a audiência de grandes publishers?

Invertendo a análise, é interessante observar que o termo ‘bitcoin’ foi o segundo maior gerador de tráfego de busca para infomoney.com.br no último ano, apenas atrás do termo ‘infomoney’, tanto em desktop quanto em mobile web.

infomoney.com.br – Desktop
infomoney.com.br – Mobile Web
Já no caso do portal exame.abril.com.br, o termo ‘bitcoin’ foi o quarto maior gerador de tráfego no desktop e o segundo no mobile web.

exame.abril.com.br – Desktop
exame.abril.com.br – Mobile Web
Análise de entrelinhas: o termo ‘bitcoin’ foi tão ou mais relevante que ‘lula’ e ‘bolsonaro’, por exemplo.

Quais são os principais players de criptomoedas e/ou tecnologias Blockchain no Brasil?

Para entendermos melhor esse mercado de Cryptocurrency e DLT (Distributed Ledger Tecnology), partimos de um recente mapeamento feito pelo FintechLab, que listou 28 empresas do setor.

Em nossa análise selecionamos os 10 sites com maior audiência no Brasil no último ano. Observamos que: 7 são exchanges (Mercado Bitcoin, Foxbit, Braziliex, Bitcointoyou, Bitcambio, Bitofertas), 1 é focado em investimento (Atlas), 1 está relacionado à compra de produtos ou pagamento de boletos com bitcoin (Pague com Bitcoin) e 1 é uma carteira para transações em bitcoin (Ripio).

Ranking – Último ano (ago/17 a jul/18)

As posições seguintes do ranking, todas com menos de 50 mil visitas mensais, trazem sites de soluções com tecnologia Blockchain, troca de milhas por bitcoins, soluções de pagamento para e-commerce e até mesmo bancos especializados na área.

Criptomoeda como investimento

Analisando a audiência mensal das principais exchanges de fevereiro de 2017 a junho de 2018, observamos que os picos de tráfego nos sites acompanham o valor do bitcoin ao longo do período.


Preço do Bitcoin

Referência: https://www.buybitcoinworldwide.com/pt-br/preco/

No entanto, após dezembro de 2017, quando o bitcoin atingiu seu maior valor histórico, a audiência dos sites das top exchanges passou a oscilar menos e, assim como o preço do bitcoin, começou a cair.

Foi a partir desse momento que outros players começaram a se destacar, como o atlasproj.com, empresa dona do produto Atlas Quantum, que faz arbitragem automatizada de bitcoins e, com isso, gera rendimento (em bitcoins) para seus clientes.

Com a queda do valor do bitcoin, muitas pessoas não veem vantagem em realizar trade (compra e venda com o objetivo de lucro). Mas ficar com bitcoins parados pode ser um problema. É possível que por isso (além de um considerável esforço de marketing) a audiência do atlasproj.com tenha crescido tanto nesta época a ponto de se tornar o 3º site do ranking do último ano, atrás apenas das principais exchanges: Mercado Bitcoin e Foxbit.

Criptomoeda como meio de pagamento

No Brasil, poucas empresas aceitam bitcoin como forma de pagamento. Alguns alegam que a validação da transação não é imediata. Mas isto não deveria ser o motivo principal, uma vez que o pagamento por boleto – ainda muito utilizado – pode gerar mais problemas para os e-commerces: além de a confirmação de pagamento demorar, simplesmente pode não ser pago pelo consumidor, anulando o pedido.

O reflexo dessa baixa adesão ao bitcoin como meio de pagamento também é percebido na audiência de sites de soluções de pagamento em bitcoin para e-commerce como zpay.com.br, swipecoin.com.br e allidio.com, que ficam bem abaixo no ranking de traffic share do segmento.

Depois dos dados, uma conclusão hipotética e reflexiva

Pela comparação destes diversos cenários, o que podemos concluir? É notável a grande demanda pelo assunto, pois as buscas por ‘bitcoin’ são importantes na audiência dos grandes publishers, ou seja, as pessoas estão, no mínimo, curiosas.

Também observamos que existe intenso tráfego nos sites das exchanges, refletindo em intensa compra e venda de criptomoedas no Brasil. Além disso, se as pessoas estão se interessando por formas de investimento usando bitcoin é porque estão com o ativo ‘guardado’ e talvez não saibam o que fazer com ele.

Mas, pelo que vimos, os e-commerces ainda não estão preparados para que este público possa usar a criptomoeda nas compras (e-commerces “convencionais”, pois é sabido que na Deep Web já se usa essa forma de pagamento há algum tempo). Talvez seja preciso perder o medo do desconhecido, entender e se preparar melhor para este novo mundo.

*Estudo realizado com dados da SimilarWeb a partir da análise de visitas aos domínios das marcas citadas.

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