FinTechs e dados: um caso de amor

por Thoran Rodrigues Terça-feira, 14 de março de 2017   Tempo de leitura: 6 minutos

O termo “FinTech” é um daqueles termos de tecnologia que entraram na moda e caíram no gosto da mídia. Não conseguimos abrir um jornal ou revista hoje sem ouvir falar de alguma empresa classificada dessa forma, ou de como as FinTechs em geral estão revolucionando (ou irão revolucionar) o mercado financeiro e como estão transformando (ou irão transformar) as nossas vidas.

A palavra em si é uma combinação dos termos “Financial Technology”, e trata de empresas que estão empregando novas tecnologias e inovação com recursos para competir com os diferentes agentes do sistema financeiro (e do ecossistema relacionado), englobando desde empresas que estão atuando no mercado de bitcoins até bancos 100% digitais.

Na grande maioria dos casos, a aplicação das novas tecnologias tem por objetivo diferenciar essas FinTechs das empresas tradicionais do mercado financeiro (como os grandes bancos) em uma ou mais das seguintes áreas:

Produtos: nessa área, as FinTechs lançam produtos diferenciados das empresas tradicionais, sejam sob a forma de produtos totalmente novos (como novos veículos de investimento), ou novas variações sobre produtos tradicionais (como pagamento através de bitcoins).

Preços: aqui, as FinTechs normalmente oferecem serviços similares aos bancos, mas com preços melhores para o consumidor final. Essa melhoria de preços pode ser direta (um cartão de crédito sem anuidade, por exemplo), ou indireta (um empréstimo com taxas de juros mais baixas do que os bancos oferecem).

Processos: as companhias focadas em melhoria de processos normalmente utilizam o que existe de mais novo na área de tecnologia para otimizar processos que representam um custo elevado para o mercado financeiro tradicional. Alguns exemplos são processos de cobrança e processos de validação de identidade.

Mercados: na área de mercados, essas empresas procuram abordar clientes que não são bem servidos pelos serviços financeiros tradicionais, o que pode ir de populações mais pobres, que não tem acesso aos serviços bancários, até pequenos- e microempresários, que muitas vezes se sentem desamparados pelos bancos.

Além da tecnologia em si, todas as FinTechs se apoiam fortemente em dados (e todos os conceitos relacionados de análise e modelagem preditiva) para conseguir competir de forma eficiente e eficaz com o mercado financeiro tradicional.

Quando falamos em produtos, o mapeamento do mercado permite as empresas enxergar gaps de oferta para desenvolver novos produtos, bem como identificar e abordar de forma totalmente direcionada o seu mercado-alvo. Nos preços, o acompanhamento dinâmico de preços permite que as empresas estejam constantemente a frente da concorrência no mercado.

Nos processos, a aplicação de dados permite a redução de custos (geralmente através da eliminação de processos manuais e da automação) e o desenho de processos mais eficientes.

Finalmente, na área de mercados, os dados permitem não só o mapeamento e o entendimento de mercados alternativos, mas também entregam informações alternativas que viabilizam a tomada de decisões de risco financeiro (como o risco de crédito) mesmo sobre populações que tradicionalmente não utilizam serviços bancários.

Na verdade, muitas vezes os dados são mais importantes para as FinTechs do que a tecnologia. A utilização de dados diferenciados e alternativos, e a aplicação eficiente de novas técnicas de análise e modelagem de dados é que viabilizam que essas empresas operem no mercado financeiro e consigam competir com as grandes instituições de forma eficaz. Só é possível se oferecer um empréstimo com taxas menores, ou para um público não-bancarizado, porque se tem acesso aos dados que permitem uma tomada de decisão de crédito melhor.

Mesmo para as FinTechs que lidam com tecnologias mais avançadas, como modelos de inteligência artificial para a recomendação de investimentos ou o apoio a tomada de decisão, os dados são um elemento base fundamental para a construção e manutenção dos mesmos.

Podemos dizer, então, que mais do que FinTechs, essas novas empresas são “FinDatas”, ou seja, são empresas que estão transformando o mercado financeiro (e os mercados associados) através de aplicações inovadoras de dados, tanto já existentes quanto alternativos. Os dados, portanto, são e vão continuar a ser no futuro um elemento fundamental de toda e qualquer FinTech de sucesso.

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