Expectativas para o mercado de pagamentos em 2021

por Alan Chusid Quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021   Tempo de leitura: 6 minutos

Além de grandes desafios por conta da pandemia da Covid-19, o ano atípico de 2020 trouxe mudanças bruscas de comportamento ao redor do mundo. No mercado de pagamentos o impacto também foi sísmico. O que antes parecia uma realidade utópica, chegou para ficar.

Em 2021, a tendência é que haja uma consolidação das inovações oriundas do ano passado, bem como uma série de novidades, sempre voltadas para o benefício do consumidor. Neste caso, impactará positivamente os resultados e vendas de empresas como um todo. Dentre tudo que almejamos para o mercado financeiro, listo as quatro principais expectativas para esse ano.

1 – Consolidação e evolução do Pix

Lançado em meados de novembro, o Pix movimentou R$ 150,3 bilhões até o último dia de 2020. O Banco Central (BC) divulgou que, até dezembro do ano passado, mais de 133 milhões de chaves foram cadastradas no Pix. Entre elas, o celular se destaca, com mais de 29 milhões de registros, chamando atenção também ao crescente uso de smartphones pela população brasileira.

Neste ano, a expectativa é que o Pix ganhe cada vez mais relevância e se consolide de vez para o varejo, alavancando ainda mais essas estatísticas. Já estão rolando discussões sobre o desenvolvimento de novas features do Pix (Saque Pix, Pix Cobrança e Pix Garantido, por exemplo). Ou seja, vai trazer ainda mais impacto para as relações de consumo e com dinheiro.

Embora recente, o pagamento instantâneo já representa quase 80% das transferências bancárias feitas no país. Com o Pix rodando a todo vapor pelo Brasil, o futuro dessa revolução já está em análise e é bastante promissor. Um estudo da consultoria EY estima que o volume de transações pelo Pix poderá equivaler a cerca de 36% do PIB brasileiro em 2024.

Enquanto esperávamos a chegada do Pix, conversamos com grandes players do mercado sobre essa novidade e o resultado foi uma websérie chamada Papo Pix. Vale a pena conferir o que os craques falaram!

2 – Open Finance em operação total

É com muito entusiasmo que aguardo o início da primeira fase de Open Banking em fevereiro e a implementação completa até o final deste ano.

A tendência mundial é fortalecer cada vez mais o poder do usuário. Nessa linha, vimos o estabelecimento de regulamentações como as Leis Gerais de Proteção de Dados no Brasil (LGPD) e na União Europeia (GDPR), que buscam dar ao indivíduo mais controle sobre seus próprios dados.

Com a chegada do Open Banking, instituições passarão a compilar e compartilhar dados e históricos bancários, mediante a — estrita — autorização do cliente. O que isso significa? O consumidor poderá escolher uma gama de produtos e serviços customizados às suas necessidades, trazendo mais conveniência na transição entre instituições e fintechs. Ou seja, foi-se o tempo em que eu precisava de uma relação praticamente exclusiva e histórica com o mesmo banco para ter acesso a diferentes produtos. Abrindo então caminho para algo mais amplo que Open Banking, o Open Finance! Trata-se de um ambiente inclusivo para novos players, no qual poderão competir diretamente com os “incumbentes”, os grandes e tradicionais bancos.

3 – Registro de recebíveis de cartão

Proveniente da Agenda BC#, assim como as inovações mencionadas acima, o registro de recebíveis de cartão passará a ser obrigatório. Essa medida permitirá que lojistas utilizem seus recebíveis como garantia e, com eles, busquem condições mais favoráveis de financiamento no mercado. Isto é, com essa obrigatoriedade dos registros, será possível aos lojistas anteciparem seus recebíveis com diferentes players e taxas, se libertando das travas existentes.

Conforme exposto pelo Banco Central, “os recebíveis de cartões são muito utilizados, principalmente por micro e pequenas empresas, para obtenção de crédito. Com a medida, o Banco Central pretende dar mais eficiência e segurança às operações de desconto e de crédito vinculadas a recebíveis de cartões pelos estabelecimentos comerciais. A partir disso, espera-se que mais instituições entrem no mercado de recebíveis, aumentando a concorrência. Com mais segurança, concorrência e eficiência, o mercado poderá aumentar a oferta de crédito para os estabelecimentos comerciais, de forma mais barata”.

4 – “Fintechização” do mercado

Apenas em 2020, o Brasil ganhou 270 novas fintechs. Isto é, o volume total de fintechs e iniciativas de eficiência financeira em atuação no Brasil saltou de 604 em junho de 2019 para 771 em agosto deste ano. A evolução representa um crescimento de quase 28% de acordo com a 9ª edição do Radar Fintechlab.

Esses dados mostram a necessidade do mercado — fortemente influenciado por iniciativas como o Pix e Open Banking — de otimizar seus serviços, oferecer novas soluções e trazer mais inovação para seus clientes.

Vemos grandes empresas, que antes não ofereciam serviços financeiros, se digitalizando para aproveitar esse movimento da “fintechização” do mercado. Um exemplo disso são as mais recentes aquisições da Ame, fintech da B2W e das Lojas Americanas. Primeiro foi a Bit Capital, uma startup financeira que atua com blockchain e open banking. 22 dias depois, ela adquiriu outra empresa de serviços financeiros: a Parati Crédito. Com essa estratégia, grupos varejistas, por exemplo, podem aproveitar para oferecer novos serviços, melhorando o relacionamento com os clientes existentes e ainda conquistar novos.

Essas quatro tendências apontam para o mesmo caminho: uma grande transição de regulamentação e de mercado. Toda essa mudança visa priorizar o consumidor, criando um mercado mais aberto, justo, flexível e competitivo.

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